Guerra econômica
“Boas notícias” no campo da economia só beneficiam a burguesia. Trabalhadores continuam sob severo ataque e pressões crescentes
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Divulgação/Veja SP
Fábrica abandonada no Brás, em São Paulo. Produção industrial desaba | Foto: Divulgação/Veja SP

Com muito alarde, a imprensa burguesa vem comemorando o crescimento da produção industrial no mês de junho, que segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), elaborada pelo IBGE, teria crescido 8,9% entre os meses de maio e junho. Em matéria sobre o tema publicada no dia 4 de agosto, a Folha de S. Paulo traz a manchete: “Produção de veículos faz indústria crescer em junho, mas distante de rombo da pandemia”, em razão da alta de 70% na indústria automobilística. Mais efusivo, o InfoMoney destaca que “economia volta a dar sinais de recuperação depois dos fortes impactos do coronavírus”, acrescentando também que o resultado divulgado pelo IBGE “veio acima da mediana das projeções dos economistas, que esperavam uma alta de 8% segundo o consenso Bloomberg” (“Produção industrial cresce 8,9% em junho, acima das expectativas”). Outros órgãos de imprensa adotaram tons mais comedidos mas em geral, reinou nas redações capitalistas um otimismo desprovido de senso crítico, que registrou de maneira superficial a desintegração da economia nacional, muito mais expressiva e que está longe de superada.

Tomando um caso concreto para exemplificar o problema com as estatísticas, se os 10% mais pobres da classe trabalhadora brasileira que receberam, em média, R$267 mensais em 2019, dobrassem seus ganhos, o crescimento de 100% manteria essa faixa da população incapaz de comprar algo tão básico quanto uma cesta básica em três capitais (Vitória, São Paulo e Rio de Janeiro), passando ainda por sérias dificuldades para se alimentar nas demais cidades onde o Dieese realiza sua pesquisa Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Isto por que a base de onde se parte é extremamente baixa.

Nesse sentido, diante da queda sem precedentes na atividade econômica e do fato de que as medidas de isolamento social não paralisaram a indústria automobilística (na realidade, nenhum setor da economia controlado por grandes capitalistas), a farsa da “retomada” da produção industrial esconde um problema estrutural muito maior, que é o estado falimentar da economia brasileira, um processo que já vinha se aprofundando desde o golpe de 2016, tendo se tornado ainda mais acentuado com a crise deste ano de 2020.

Emblemático deste processo espiralado e contrariando as leis clássicas da economia, a inflação, longe de acompanhar o movimento decrescente verificado na economia, apresenta-se como mais um ataque contra a classe trabalhadora. Sem esquecer a cautela necessária ao lidar com dados sobre os quais a população não tem controle algum, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o resultado de sua pesquisa de preços, o Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), que mede a variação nos itens de consumo da famílias com renda até 2,5 salários mínimos, apontando elevação nos custos de vida dos trabalhadores de 0,5% em julho, após inflação de 0,33% em junho. No acumulado dos últimos 12 meses, IPC-C1 apresenta aumento de 3,08%.

Parece pouco mas considerando-se que menos da metade da população economicamente ativa está ocupada e ainda, 10% dos trabalhadores recebem pouco mais da metade do preço da cesta básica mais barata do País (R$400,15 em Aracajú, segundo o Dieese), a contínua elevação dos preços é um fator de pressão muito expressivo, sobretudo contra as camadas mais pobres da classe trabalhadora.

Pouco ou nada temos para comemorar junto da burguesia. A expansão da produção não tem como beneficiar a população, ao menos enquanto a condução for dada pela burguesia, que nenhum interesse em comum tem com os trabalhadores.

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