Sem perspectivas de recuperar
Nesse sentido cabe lembrar que as crises históricas passadas em 1929 e a de agora que teve sua origem em 2018, ambas têm as mesmas características. Inclusive o índice de inflação
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Protesto em Portugal. | Foto: Reprodução

Em matéria do Valor Investe, a informação é de que a previsão de inflação para 2020 fique menor que 1%, comparável à de 1933 durante a grande depressão, que foi de 0,9%. Enfatiza que não é consenso entre os economistas, mas é o esperado já que a economia encontra-se estagnada e as perspectivas são de retomada lenta. E ainda que esse número é o menor desde a implantação do Real em 1998.

Como geralmente acontece, durante as fases de crescimento econômico o aumento da produtividade não é acompanhado pelo aumento dos salários. É produzida uma quantidade maior de produtos, enquanto que os salários permanecem no mesmo patamar. A consequência é que as mercadorias produzidas não encontram compradores. Isto é a crise de superprodução.

Assim, a crise de superprodução mais as especulações financeiras, levaram à quebra da bolsa de valores em 1929 nos EUA e se espalhou mundo afora. Gerou desemprego e consequente fome e misérias aos trabalhadores. As empresas experimentaram queda de receitas, inadimplência e falências. E tudo isso leva a redução da atividade econômica, que por sua vez gera mais desemprego e falências formando um ciclo vicioso. E essa situação tende a piorar, podendo levar ao fim do sistema produtivo como um todo. 

Persistindo a crise, fica aberta a possibilidade de ruptura do sistema com greves e revoltas populares por ser a classe que mais perde, exigindo que o estado resolva os problemas sociais imediatamente. Ao mesmo tempo as empresas também exigem do estado uma solução. Como trabalhadores e empresas isoladamente não são capazes de atuar no conjunto da economia e resolver os problemas, recorrem ao estado.

Só o estado é capaz de criar uma política que direcione o conjunto da sociedade num rumo de estabilização. E assim ele busca os conhecimentos científicos acumulados, quer no campo da economia quer no da política, para encontrar uma solução.

Como a correlação de forças no aparelho do estado, tema amplamente discutido quer cientificamente, quer de forma vulgar, se dá pela dominância da classe no poder, concluímos que este estado e todas as suas instituições: legislativo, executivo, judiciário e principalmente seu braço armado, formado pelas polícias e forças armadas, são todos controlados pelos capitalistas, e não pelos trabalhadores.

É exatamente por isso que os estados, tanto no Brasil como no resto do mundo, fazem políticas no sentido de recuperar a economia, as empresas, enquanto os trabalhadores ficam sempre relegados à própria sorte, sem nada de assistência para poderem passar com vida pelas crises enormes.

Nesse sentido cabe lembrar que as crises históricas passadas em 1929 e a de agora que teve sua origem em 2018, ambas têm as mesmas características. Inclusive com o índice de inflação parecido e baixo, devido ao fato que em crises muito profundas o nível de consumo é muito baixo não pressionam os preços, além de que a perspectiva é de crescimento lento ao sair da crise.

E a crise atual foi aprofundada pela pandemia que fez estourar a bolha financeira anunciada já no final do ano passado, deixando o mundo perplexo.

A diferença é que em 1929 encontraram uma saída, não muito honrosa para o capitalismo, uma vez que copiaram parte da política adotada pelo estado soviético. Foi o planejamento da economia feito pelo estado e com pesados investimentos, beneficiando o desenvolvimento econômico, com pequenas melhorias nas condições de vida dos trabalhadores. 

Essa política tirou temporariamente o sistema do colapso ao mesmo tempo que levou a classe trabalhadora a longo período de refluxo com desmobilização. Só que neste momento, passados mais de uma década do início da crise, não há no horizonte nenhum tipo de saída. 

Enquanto isso os trabalhadores, mesmo com a pandemia, encontram-se protestando nas ruas, enfrentando a repressão forte do estado e infelizmente não contam com suas lideranças para organizar e dar um rumo correto às suas reivindicações.

Crises profundas assim mostram que o sistema já não está sendo capaz de sobreviver, e como em todas as crises a concentração de renda fica ainda maior. Piora a desigualdade social. E segundo dados da ONU, os 1% mais ricos no mundo se apoderam de cerca de 50% de toda renda gerada, enquanto os outros 99% dividem o restante. A consequência é que o número de famintos cada vez fica maior.

Esse sistema dá claros sinais de colapso final, sem perspectivas de saída para as crises da economia e da pandemia que estão gerando inúmeras mortes de trabalhadores e espalhando miséria a níveis nunca vistos pela humanidade. A saída mais plausível parece ser a de que os trabalhadores assumam o controle do estado e formem a democracia da classe trabalhadora.

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