Uma primeira análise
Mais de cinco mil pessoas ficaram feridas no país que tem desafiado a dominação dos monopólios capitalistas
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Explosão no Líbano | Foto: Marwan Tahtah
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Explosão no Líbano | Foto: Marwan Tahtah

É bastante difícil mensurar o tamanho do estrago causado pela explosão que ocorreu no Líbano na última terça-feira (4). Para que se tenha ideia, mais de 135 pessoas morreram e pelo menos 5 mil ficaram feridas. Isso é o mesmo que dizer que a explosão matou 170% de libaneses a mais que a COVID-19 e feriu o mesmo número de pessoas que a pandemia contaminou no país. Calcula-se ainda que 300 mil pessoas tenham ficado desalojadas, o que representa 4% da população libanesa. Esse último número corresponde, em média, aos efeitos de 13 dias da Segunda Guerra Mundial.

Bairros inteiros foram devastados pela explosão. Estimativas preliminares indicam que o governo libanês terá que arcar com uma despesa de mais de cinco bilhões de dólares — ou seja, mais de 26,5 bilhões de reais. Esse valor corresponde a aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Líbano.

Ainda é cedo para afirmar o que de fato levou à explosão. Mas, apenas diante desses fatos, podemos constatar, com toda a certeza: se o Líbano tem inimigos, eles estarão comemorando. E a verdade é que o povo libanês tem, sim, inimigos com os quais deve se preocupar.

Os grandes inimigos do povo libanês são os inimigos de toda a humanidade, os grandes monopólios capitalistas, que controlam a curtas rédeas os países imperialistas. Não só os Estados Unidos, como também a França, a Inglaterra, a Alemanha e seus associados, têm uma ficha criminal gigantesca de ataques cometidos no Oriente Médio, motivados unicamente pelo seu interesse em controlar a região.

O Líbano, pelas suas próprias características, se tornou um dos países que mais tem se rebelado contra a dominação imperialista no Oriente Médio. A ala esquerda do regime libanês, que se encontra alojada no Hezbollah, detém um poderoso exército que tem, inclusive, sido determinante na defesa do governo nacionalista de Bashar al-Assad. Nas últimas eleições libanesas, o Hezbollah conseguiu aumentar sua influência sobre o regime, expressando a tendência do povo libanês em se radicalizar contra a interferência do imperialismo no Oriente Médio.

Não é de hoje que o imperialismo tem sofrido derrotas na região. A guerra da Síria é apenas um exemplo de como a burguesia mundial tem tido cada vez mais dificuldades para controlar o Oriente Médio. Ao mesmo tempo em que vem perdendo o controle, o imperialismo se vê obrigado a aumentar as agressões contra os países da região, assim como vem fazendo na América Latina, de modo a procurar encontrar uma saída para a crise capitalista. Nesse cenário, um choque com os setores nacionalistas, que se opõem à política de terra arrasada, é inevitável.

Assim como o Líbano é aliado do governo sírio, é também um importante aliado do governo iraniano, duramente sabotado pelo imperialismo. O Líbano, inclusive, faz parte de um plano do Irã de formar uma federação contra o imperialismo. Ao mesmo tempo, o Líbano é um entrave para a política de Benjamin Netanyahu, da extrema-direita israelense, que quer expandir o território de seu país.

Se o imperialismo está ou não por trás do ataque, ainda não está claro. Mas é inegável o seu interesse em desestabilizar o Líbano.

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