Ilusões da esquerda
A esquerda pequeno-burguesa, por meio da candidatura de Boulos, mostra que mais uma vez cai de cabeça nas ilusões eleitorais em pleno golpe de Estado
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Haddad e Boulos são expressão das ilusões eleitorais da esquerda. | Arquivo.

No interior do PT, dirigentes do partido começam a debater a possibilidade de um apoio à candidatura de Guilherme Boulos do PSOL. Conforme já mostramos aqui, Boulos tem sido apresentado pela própria imprensa burguesa como uma promissora candidatura, inclusive mostrando que Boulos chegaria a 11% das intenções de voto.

Fica claro que esse cenário divulgado em primeiro lugar pela própria direita – é sempre bom lembrar que Boulos é um dos defensores da frente ampla – está cumprindo seu papel: influenciar setores da esquerda, que começam a acreditar que a saída eleitoral mais “viável” seria a do PSOL. Por isso, setores do PT, como Breno Altman e outros, estão chamando apoio a Boulos ou cogitam fazê-lo.

Veio à tona publicamente um debate entre Altman e Valter Pomar, dirigente do PT na corrente Articulação de Esquerda, sobre o posicionamento do partido na eleição. Em linhas gerais, ambos acreditam que se Fernando Haddad fosse o candidato, o PT teria maiores chances e a esquerda poderia se unificar em torno de sua candidatura. Mas Altman, diante da desistência de Haddad, acredita que é preciso “unificar” em torno da candidatura de Boulos, enquanto que Pomar acredita que seria preciso levar internamente no PT uma pressão pela candidatura de Haddad até as últimas instâncias.

Outro elemento de confusão que aparece no debate é a candidatura de Jilmar Tatto pelo PT. Considerado um elemento muito direitista – e de fato é -, ligado a empresários, ele tem a rejeição de uma parte dos militantes do partido. E não tiramos a razão deles.

Mas a presença de Tatto na realidade não é nada mais do que um fator mesmo de confusão. É preciso em primeiro lugar atentar para a armadilha que está colocada na eleição. A fúria com que setores da esquerda começam a discutir as eleições faz com que a política real seja ignorada.

Primeiro, é preciso ter claro que essas eleições – talvez mais do que as anteriores – será completamente controlada pelos golpistas. Sob o governo Bolsonaro, tudo indica que a direita terá melhores condições para fraudar, manipular e garantir a vitória na maior parte dos municípios. Esse problema fundamental é simplesmente ignorado nos debates da esquerda sobre as eleições.

A própria promoção de Guilherme Boulos a grande nome da esquerda é parte dessa manobra. Um dos aspectos dela é o isolamento do PT como força eleitoral que ele é, colocando o partido a reboque de uma candidatura minoritária como a do PSOL. Para a direita há dois objetivos com essa manobra: primeiro, esvaziar uma candidatura do PT que, com todas as adversidades da eleição, seria a única da esquerda capaz de colocar algum risco para a direita; segundo, colocar a esquerda a reboque de uma candidatura alinhada à frente ampla, portanto mais dócil.

O objetivo, mais especificamente, é isolar o PT lulista, que é o único que tem popularidade de fato. Essa manobra, obviamente tem em vistas não apenas a eleição municipal em São Paulo, mas principalmente as eleições presidenciais de 2022.

Todo esse cenário confuso só poderia ser desfeito com uma política que não se apoiasse nas ilusões eleitorais. A esquerda pequeno-burguesa se entrega de corpo e alma para a saída eleitoral, buscando fórmulas mágicas que certamente não darão conta de resolver o problema central da política nacional: o golpe de Estado e o governo Bolsonaro.

Toda essa esquerda, que em sua maioria defendeu e defende até agora uma política de paralisia diante da direita, substituindo a mobilização real nas ruas pelo “fique em casa”, agora se movimento em busca de votos e cargos. Mesmo sob o golpe de Estado, mesmo com a experiência da fraude eleitoral de 2018, a esquerda está alucinada com as eleições, enganando o povo de que é possível resolver o problema  do golpe depositando o voto na urna.

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