Polícia política
Operação contra o governador do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que militares avançam sobre o regime e mostram apoio ao governo, indicam condições para uma ditadura
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
49725718957_77888f5458_k
Governador Wilson Witzel (PSC-RJ). | Foto: Philippe Lima

Na manhã de ontem (26), o governador do estado do Rio de Janeiro, o ex-juiz Wilson Witzel (PSC), foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), a Operação Placebo. Os agentes invadiram a residência do governador e apreenderam seu celular e o de sua esposa, além de um malote cheio de documentos. Outras 10 pessoas também tiveram mandatos de busca e apreensão emitidos como consequência da mesma investigação.

A suspeita da Polícia Federal sobre o governador do Rio de Janeiro seria a de que ele teria participado de esquemas ilegais relacionados à compra de respiradores, equipamentos imprescindíveis diante da epidemia de coronavírus. Witzel está sendo investigado por peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Independentemente das possíveis evidências que os investigadores da PF possam ter de que Witzel praticou algum crime, o fato é que no Brasil, ainda mais depois de o golpe de Estado de 2016, toda operação comandada pela PF e, sobretudo aquelas que atingem diretamente figuras importantes para o regime político, derivam de interesses políticos muito bem definidos. Entre 2013 e 2016, período em que o golpe de Estado estava sendo preparado, isso ficou absolutamente claro: nenhum único representante do imperialismo foi preso, enquanto dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) e representantes de setores minoritários da burguesia foram perseguidos duramente.

A operação contra o chefe do segundo estado mais importante do país deve ser, portanto, encarada da mesma maneira. Como o acontecimento ainda é bastante recente, não é possível extrair conclusões definitivas sobre o caso. No entanto, a operação não deixa de levantar suspeitas que devem ser cuidadosamente avaliadas durante o próximo período.

Ao que se sabe, Witzel tem entrado em atrito constantemente com o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro. Embora os motivos não sejam claros, essas contradições chegaram a explodir em várias trocas de acusações públicas. Nesse sentido, considerando ainda que a PF tem passado cada vez mais ao controle de Bolsonaro — conforme ficou explícito na saída de Sérgio Moro do governo —, é possível que a operação tenha sido ordenada pelo próprio presidente da República.

Nessas condições, a Polícia Federal estaria se tornando uma verdadeira polícia política de um regime que está se encaminhando para uma ditadura. Se antes a PF já demostrava ser um órgão que reprimia a esquerda, agora se mostra um órgão que pode dar poder total ao chefe do Executivo. o que é mais preocupante, inclusive, é que tornar o Brasil uma ditadura aberta não é apenas um “desejo” de Bolsonaro, como está se concretizando como a única alternativa da burguesia para a situação política.

Conforme ficou revelado no vídeo divulgado sobre a reunião de Bolsonaro e seus ministros, as iniciativas de tipo fascista do presidente ilegítimo não são contestadas. Bolsonaro chegou a falar em “armar o povo” para defender o seu governo — o que na verdade significa criar milícias armadas para atacar a população pobre desarmada. Nenhuma dessas declarações foi rebatida pelas Forças Armadas, refletindo o apoio ao governo.

A permissividade da burguesia em relação ao ímpeto ditatorial de Bolsonaro, por sua vez, é o resultado da situação política imediata. A polarização política está aumentando, na medida em que a crise econômica aumenta, e a burguesia tem a compreensão de que se opor a Bolsonaro frontalmente levará ao fortalecimento do outro polo, isto é, da esquerda, que tem no ex-presidente Lula parte significativa de sua expressão.
Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas