PR: Balanço da greve. Fora Feder ou Fora Ratinho?

Servidores acampam na porta do palácio iguçu b

Nesta quinta-feira (11), a greve dos servidores estaduais, iniciada no dia 25 de junho, completa 16 dias contra o governo Ratinho Jr. Segue um balanço da mobilização até então, que culminou na ocupação da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) neste último dia antes do recesso parlamentar, seguida de acampamento em frente ao palácio Iguaçu.

Início da greve

Ato 1 – 1º de Julho

Greve ganha força após proposta miserável do governo

PR: Gov. quer miséria em 4 anos, ampliar a greve pelo Fora Ratinho!

PR: Contra Ratinho Jr. servidores gritam “Isso é fraude eleitoral”

O movimento ganhou força com adesão de mais categorias. Segundo levantamento da APP-Sindicato, só os trabalhadores em Educação tem 70% da categoria participando do movimento neste início de semana.

PR: Greve e atos se expandem, intensificar a luta pelo Fora Ratinho!

Ato 2 – 9 de Julho

PR: Dia 9 de julho ocupar Curitiba contra Ratinho

PR: Ato estadual nesta terça (9), ocupar Curitiba contra Ratinho!

Servidores ocupam Assembleia Legislativa

PR: Servidores ocupam ALEP contra Ratinho e seus deputados

Fora Feder ou Fora Ratinho.

Desde a última assembleia da APP Sindicato, em 15 de junho, quando surgiu a palavra de ordem “fora Feder”, é possível ver a divisão de duas políticas para a greve. Ainda que ambas se assemelhem na defesa dos direitos dos servidores, a diferença entre elas resulta em se chocar contra o governo de conjunto ou legitimar o governo através da mudança de seus secretários.

Fora Feder é a política que pretende barrar os ataques do governo contra os trabalhadores através da demissão ou renúncia do secretário de Educação, Renato Feder. Baseia-se no ataque ao secretário coxinha enquanto pessoa – “ele é multimilionário, acionista do grupo Multilaser, privatista, etc” – e no argumento de que os ataques à Educação são feitos pela secretaria da Educação sem que tenham relação com o governo. Como não seria um problema da política de conjunto do governo de Ratinho, mas erros isolados de um secretário que ele escolheu, os servidores teriam apenas que exigir a demissão do secretário atual, substituindo-o por um secretário bom para os trabalhadores.

Fora Ratinho é a política que pretende barrar os ataques do governo contra os trabalhadores através da derrota do governo de conjunto. A indignação da base é contra a política bolsonarista do governo do Paraná. Ratinho tem dado continuidade à política do governo tucano de Beto Richa (PSDB), do qual foi secretário. Mantém congelados os salários do funcionalismo, os investimentos no setor público, aprofunda os ataques aos direitos dos trabalhadores. Quer congelar por 20 anos as carreiras dos servidores e incluir o Paraná na reforma da previdência de Bolsonaro. Logo, os ataques contra os trabalhadores não seriam erros pontuais de um secretário, mas sim o programa político do governo. Portanto, para derrotar esse programa de extrema direita, seria preciso mobilizar os trabalhadores contra o governo.

O “Fora Feder”, ao querer resolver o problema por dentro das instituições, mascara o caráter de classe do Estado e leva os trabalhadores a legitimarem o governo fraudulento de Ratinho, leva-os a defenderem sua manutenção. Leva às manifestações de baixa intensidade, de substituir a mobilização nas ruas pelo lobby com deputados direitistas no parlamento. É uma política reformista no mau sentido, tenta reciclar o lixo que é o governo bolsonarista do Paraná. Consigo traz discursos extremamente ingênuos ou cínicos, pedindo para que o governador tenha bom senso, que cumpra suas promessas de campanha, etc. É a política que desarma os trabalhadores contra a burguesia, oferecendo saídas institucionais num cenário em que a extrema direita está no poder.

Já o “Fora Ratinho” permite o desenvolvimento da mobilização ao vincular lutas parciais e econômicas das categorias à luta política contra o golpe em nível nacional. Vincula a luta dos paranaenses ao Fora Bolsonaro e todos os golpistas, à liberdade de Lula e todos os presos políticos do regime e às eleições gerais. O povo não deu a Ratinho, a Bolsonaro e a nenhum dos beneficiários da maior fraude eleitoral da história, carta branca para meterem a mão no salário e nos direitos dos trabalhadores. É a política que chama os trabalhadores à lutarem sem ilusões no regime golpista. Chama-os a utilizarem suas organizações (partidos, sindicatos e movimentos sociais) para lutar contra a burguesia.