Liquidação Nacional
A exploração mercadológica disfarçada de “turismo sustentável” irá destruir o que resta da biodiversidade brasileira até então protegida.
Jalapão_-_Tocantins_-_Brasil
Parque Nacional do Jalapão (TO). | Foto: Marcelo85photo | Wikimedia
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Parque Nacional do Jalapão (TO). | Foto: Marcelo85photo | Wikimedia

O governo golpista de Jair Bolsonaro está utilizando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estimular a entrega de milhões de hectares de terras brasileiras, dentre elas 24 unidades de conservação que podem parar nas mãos dos capitalistas internacionais.

O banco público de fomento será o responsável por estruturar a política dos golpistas para a concessão de vários parques naturais à iniciativa privada. Ao menos seis estados, da federação já teriam firmado parceria com o BNDES com o interesse de entregarem suas áreas verdes protegidas, 26 parques, para a exploração mercadológica disfarçada de “turismo sustentável”.

A Bahia comandada pelo direitista Rui Costa (PT) está entre os cúmplices da medida. A capitulação e o alinhamento do PT baiano à política golpista lembra muito ao posicionamento do PCdoB ao votar a favor da concessão da base de lançamentos de Alcântara no Maranhão para os imperialistas norte-americanos. Além do governo baiano, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Tocantins também já se manifestaram pedindo o supor do banco para se livrarem das áreas públicas protegidas por lei.

Entre as áreas conhecidas dos brasileiros que poderão ser destruídas pela política de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente e Bolsonaro estão parques famosos como o Jalapão (TO), Ibitipoca (MG), Rio Doce (MG) e Dois Irmãos (PE).

Os golpistas simplesmente adotaram o modelo de leilão onde quem dá mais leva, uma farra com o patrimônio natural brasileiro. As primeiras rodadas destes criminosos eventos de entrega da biodiversidade nacional estão programadas para o final de 2021 e ao longo de 2022.

Dois parques nacionais já foram concedidos para a iniciativa privada: o Parque Nacional do Iguaçu, por vinte anos e o Parque Aparados da Serra, por trinta anos. O parque Aparados da Serra e Serra Geral, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, foi adquirido pelos capitalistas do grupo Construcap, o mesmo que controla o Parque Ibirapuera, em São Paulo desde outubro do ano passado.

Para o superintende golpista de Governo e Relacionamento Institucional do BNDES Pedro Bruno o Brasil teria muitas áreas de conservação “ociosas”, logo o país com a maior biodiversidade do planeta Terra. — A nossa ambição é mudar a realidade do setor de parques no Brasil. O país tem cerca de 450 unidades de conservação, mas hoje somente 18 têm concessionárias. Temos um grande potencial a ser desenvolvido nesse setor, disse.

Este Diário já havia alertado aos seus leitores a respeito destas medidas de liquidação do patrimônio nacional que não por acaso ganham força justamente no momento em que o governo federal também quer liberar a mineração em unidades de conservação que incluem até mesmo áreas indígenas.

 

Abaixo algumas das matérias do DCO que trataram do tema nos últimos dois anos:

Modelo de privatização, “Toma que o filho é teu” de Ricardo Salles é a destruição das unidades de conservação (18/05/2019)

Sob Bolsonaro, Ibama avisa onde irá realizar ações de combate à mineração e desmatamento ilegal (30/05/2019)

Ministro Bolsonarista do Meio Ambiente já tem a “fórmula” para abrir as terras indígenas para mineração (19/06/2019)

Bolsonaro quer o fim das unidades de conservação (03/07/2019)

A política criminosa de Bolsonaro para a Amazônia (28/08/2019)

Com política de Salles, Parque do Monte Pascoal está sendo destruído (06/02/2020)

Bolsonaro convida mineradoras estrangeiras a explorar áreas indígenas (21/03/2020)

Bolsonaro quer legalizar a grilagem de terras na Amazônia (22/07/2020)

Governo Bolsonaro quer mineração em unidades de conservação (26/01/2021)

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