Armadilha golpista
Com objetivo de expulsar a esquerda dos atos e impedir a derrubada do governo Bolsonaro, burguesia golpista lança nova investida para confundir e esvaziar os atos, como em 2013
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"Coxinhatos" da campanha golpista pela derrubada da presidenta Dilma Roussef | Foto: Reprodução

Na quarta (1/7) o youtuber Felipe Neto publicou em sua conta no Twitter um vídeo da campanha “#DevolvamNossaBandeira”. A propaganda aparece como sendo uma iniciativa “apartidária, de todos os que amam o Brasil”, o que é apenas um disfarce para mais uma tentativa golpista da frente ampla – capitaneada pela Rede Globo e pela Folha de S.Paulo – para se colocar como uma oposição ao bolsonarismo e neutralizar a real oposição aos golpistas, ou seja, à esquerda (vermelha).

Como em 2013, a burguesia procura capturar a tendência à mobilização da esquerda e dos trabalhadores, expressa em manifestações radicais contra governos de direita. Em 2013, as mobilizações eram contra o governo tucano de Alckmin (PSDB), hoje são contra o governo fascista de Bolsonaro.

Lá atrás, à medida que as manifestações se intensificavam e se tornavam de massa, o governo de Alckimin reprimia violentamente os atos e acabou jogando gasolina na fogueira. Dessa forma, os atos se ampliaram ainda mais, daquela vez não apenas por todas as reivindicações anteriores, que tiveram origem na questão das passagens, mas também contra a repressão policial do governo tucano. Foi naquele momento que apareceram nas manifestações a política do “abaixa a bandeira” e do “sem partido”. Vários elementos desconhecidos, avulsos, muitos deles agentes da repressão estatal, infiltraram-se nos movimentos para defender a ideia do “apartidarismo”, do “movimento sem partido”. O objetivo era claro: proibir a esquerda de se manifestar, expulsar a esquerda dos atos.

A correia de transmissão para essa operação foi a política do Movimento Passe Livre (MPL), que chamou as manifestações, mas que tinha como política o apartidarismo. Isso deu vazão a uma campanha contra os partidos. Assim, a esquerda pequeno-burguesa baixou suas bandeiras, a direita dominou as manifestações e a burguesia impôs à mobilização a sua política, transformando o que era uma luta contra a direita – sobretudo no governo tucano de São Paulo – numa luta contra a corrupção do governo Dilma (PT). Foi assim que a burguesia capturou as jornadas de junho de 2013.

Dessa vez, querem transformar a campanha pelo “Fora Bolsonaro” em atos amarelos, como foram os atos dos coxinhas pelo impeachment de Dilma. A diferença é que o filme já foi visto e já se sabe o resultado: o golpe de Estado de 2016!

No entanto, isso não pode ser feito apenas pela direita, pois, com apoio  apenas dos elementos da direita tradicional, seria muito complicado legitimar uma frente “pela democracia” com as pessoas que deram o golpe de Estado de 2016. Não teria sentido algum a direita embarcar numa frente com ela mesma. Por isso, a burguesia utiliza a imagem de figuras centristas, dentro ou fora da esquerda, e as vincula a inimigos mortais do povo, como FHC, Maia, Temer, etc.

Foi assim que Guilherme Boulos, Marcelo Freixo, Danilo Pássaro, Felipe Neto, entre várias outras figuras – de políticos de esquerda a youtubers – foram recrutados como garotos propaganda da campanha do verde e amarelo para dar um caráter supostamente esquerdista e democrático à campanha.

No entanto, a face esquerdista e democrática dessa operação não consegue esconder que ela é conduzida pela direita tradicional, representada pela Folha de S.Paulo, pela Rede Globo e pelo PSDB, que embarcaram firme nessa mais nova investida contra a esquerda. Logo, é preciso dizer que essas figuras de esquerda, como Boulos e Freixo, prestam um desserviço total para a esquerda, atuam como elementos confusionistas, a serviço da frente ampla e de sua política de evitar que a campanha pelo “Fora Bolsonaro” se torne massiva e incontrolável para o regime. Contudo, são apenas funcionários dos verdadeiros líderes da frente ampla, ou seja, da própria burguesia, representada por seus setores principais (Globo, Folha, etc).

A fonte de propagação dessa campanha, os setores que a impulsionam, são os mesmos de 2013. Setores artífices do golpe de 1964 e de 2016, líderes dos ataques massivos contra a população nos governos direitistas que passaram pela história, como Sarney, Collor, Itamar, FHC, Temer e agora Bolsonaro.

É esse dado, da composição ultrarreacionária dessa frente, que torna inequívoco o propósito da operação em curso, que é expulsar a esquerda das manifestações, para transformá-las em verdes e amarelas – as cores do golpe de Estado de 2016. Se isso acontecesse, como ocorreu em 2013, o caráter combativo, progressista e de massas das manifestações seria destruído e a mobilização seria utilizada para outros fins, até ser completamente esvaziada.

Não precisa ir muito longe. Depois que o movimento “Somos Democracia” (ligado a Boulos) conteve o caráter combativo das manifestações, ao introduzir as cores amarelo e azul (do PSDB) nas manifestações da Av. Paulista, o ímpeto do movimento das torcidas organizadas de botar a direita para correr (como de fato ocorreu) foi completamente esvaziado. Os torcedores da Gaviões da Fiel, que foram para a mesma Av. Paulista e expulsaram os bolsonaristas (em 31/5) não deram mais as caras. Enquanto isso ocorria, o Movimento sabotou os atos e atacou a esquerda, como no caso do coordenador do “Somos Democracia”, Danilo Pássaro, que teve uma postura totalmente hostil contra as bandeiras e faixas vermelhas, como as do PCO, muito diferente da postura que teve em relação a Polícia e aos bolsonaristas, com quem aceitou dividir a utilização da Av. Paulista.

Essa hostilidade não é gratuita, é a mesma de 2013. O fato de ser defendida por setores de esquerda não muda o fato de que é uma política reacionária, que provém da burguesia golpista. Dessa vez, além da política do abaixa a bandeira e da manifestação sem partido, há também a campanha para propagar o amarelo como a cor da democracia, o que torna a operação ainda mais aberrante, uma vez que o amarelo se tornou o símbolo da campanha dos coxinhas contra Dilma.

Por isso, é preciso levantar nossas bandeiras vermelhas contra essa tentativa de sequestro das manifestações pela direita golpista! É necessário fazer atos vermelhos, com as bandeiras dos partidos, do PCO, do PT, do PCdoB e outros; das organizações de luta dos trabalhadores, como a CUT, o MST etc e dos estudantes, como a UNE e de todas as organizações de luta dos oprimidos, pois a única forma de derrotar o golpe de Estado e o governo Bolsonaro é a mobilização vermelha dos trabalhadores contra todos os golpistas.

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