Oxigênio não, vala!
Não há previsão de chegada de oxigênio para os hospitais do interior do estado. A política é para abrir valas e contratar câmaras frigoríficas.
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Abertura de valas no cemitério de Manaus | Foto: Reprodução
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Abertura de valas no cemitério de Manaus | Foto: Reprodução

O governo bolsonarista do Amazonas recomendou a prefeitura de Itacoatiara, região metropolitana de Manaus, a abrir valas no cemitério local porque não havia previsão para a chegada de oxigênio hospitalar no município. Além disso, ofereceu ao município câmaras frigoríficas! A absurda recomendação teria partido do secretário Cássio Roberto do Espírito Santo, da Secretaria-Executiva Adjunta de Atenção Especializada do Interior, ligada a Secretária de Saúde do Amazonas.

A recomendação é citada pelo Ministério Público Estadual (MP-AM), que entrou com uma ação civil pública no último sábado (16) para obrigar o estado a enviar oxigênio para o município de Itacoatiara, que fica a 269 quilômetros de Manaus. Na ação, o MP-AM pediu a não interrupção do fornecimento de oxigênio para o Hospital Regional José Mendes, único da cidade, onde atualmente existem 77 pacientes internados, e uma média de 20 novas internações por dia.

O juiz Rafael Almeida Cró Brito determinou que o governo estadual regularize o fornecimento de oxigênio em Itacoatiara e apresente um plano de abastecimento, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, e elabore um plano de transferência de pacientes entre os municípios do estado do Amazonas. O MP-AM relatou que desde o início de janeiro, o fornecimento de oxigênio é insuficiente, e que os planos do governo estadual para enfrentar a crise no estado, como a transferência de paciente para outros estados, não beneficiaram pacientes do interior.

A promotora de Itacoatiara, Marcelle Arruda, subscreveu a ação civil pública do MP-AM, no sábado (15), e entrou com uma solicitação de urgência ao governo estadual frisando a iminente morte dos pacientes. De acordo com ela haviam, na última sexta, 74 pacientes com covid-19 recebendo oxigênio, no Hospital Regional José Mendes. Destes, quatro foram à óbito na sexta-feira (15) por falta de oxigênio e todos podem morrer entre sábado e domingo, caso não chegue o oxigênio. “A demanda atual é de 150 cilindros por dia. Metade disso está sendo usada hoje (sábado), o resto está vazio”.

Dos 63 municípios do interior do estado do Amazonas, apenas 11 têm hospitais, sendo que nenhum deles tem leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Os outros só contam com postos de saúde. Segundo a promotora Lilian Almeida, de Manacapuru, município a 100 quilômetros de Manaus, todas as promotorias das comarcas do interior estão entrando com ações, alegando ser urgente que parte das doações ou compra de oxigênio do governo do estado seja para o interior. Em Parintins, município a 466 quilômetros de Manaus, a situação é parecida. Na sexta-feira (15), o prefeito da cidade anunciou que na segunda-feira (18) devem começar a chegar equipamentos da Alemanha comprados pela prefeitura para o único hospital público da cidade, Jofre Cohen. Hospital, onde só há oxigênio para os 80 pacientes internados até mais dois dias.

O total despreparo do governo do estado amazonense em lidar com a pandemia, não é uma exclusividade do atual governador bolsonarista, a barbárie no Amazonas também foi causada pelos “civilizados”. Quando a pandemia do coronavírus chegou, a situação do sistema de saúde no estado, já estava em colapso, devido anos de política neoliberal da direita tradicional. Que com suas políticas de austeridade e privatizações, levaram ao sucateamento da saúde e das políticas sociais, determinantes para a situação atual do Amazonas. Grande parte do sistema de saúde do estado do Amazonas hoje já está privatizado. Além disso, em Manaus, por exemplo, o abastecimento de água é gerido pelo setor privado há 20 anos, sendo que apenas 12,4% da população da cidade tem acesso a tratamento de esgoto. Dessa forma, o estado do Amazonas, é um reflexo do que pode vir a acontecer em outros estados mais pobres do Brasil.

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