O povo ainda mais em risco
Além da pandemia do Coronavírus, o Brasil está em uma época de maior circulação de vírus respiratórios, que podem ocasionar a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
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Movimento do comércio popular na 25 de Março no mês do Natal.Foto Rovena Rosa/Agência Brasil
Retomada de atividades em pico da pandemia e de incidência da SRAG pode deixar a situação pior. | Rovena Rosa/Agência Brasil

Quando a pandemia do novo Coronavírus chegou ao Brasil, apesar de ser uma doença desconhecida, já se tinha conhecimento de que se tratava de um vírus que ataca principalmente o sistema respiratório, causando síndromes respiratórias graves, em que o uso de respiradores em pacientes em estado mais crítico é indispensável. Por se tratar de um vírus, o contágio é algo que acontece rapidamente, seja em contato direto ou até mesmo pelo ar. Com isso, numa tentativa de conter a rápida transmissão e assim evitar um colapso no sistema de saúde, a política e o discurso do isolamento social e das quarentenas foram amplamente adotados e divulgados por governadores e prefeitos no Brasil. Porém, a cada semana que passa, vemos que tudo não passou de demagogia e de uma medida emergencial de tentar esconder o despreparo do Estado brasileiro diante de algo tão grave.

Primeiramente, a política divulgada por políticos e pela imprensa burguesa não passou de uma grande mentira; afinal, por mais que houvesse o apelo, o governo não deu condição alguma para que todos realmente pudessem ficar em casa, e uma grande parcela dos trabalhadores continuou sendo obrigada a se expor ao vírus e continuar nos seus postos de trabalho enfrentando transportes públicos lotados e, em vários casos, condições desfavoráveis de proteção enquanto trabalha. Com uma política ineficaz e a pressão econômica, o Brasil ganhou mais uma prova de que os trabalhadores estão sendo jogados em uma situação de perigo total.

Vários Estados brasileiros estão retomando as atividades econômicas por completo em meio a um período em que o País, a cada dia, bate recordes de novos infectados e de mortes, e, além do Coronavírus, está sendo ignorado também outro problema: o Brasil está em uma época de maior circulação de vírus respiratórios, que podem ocasionar a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo as séries históricas da Fiocruz. Foram avaliados dados de anos considerados “normais” (2010 a 2015 e também 2017) e foi constatado que a incidência desses vírus respiratórios acontece agora na maior parte do País.

Para a avaliação desses dados, o país é dividido em regionais, Norte, Sul, Leste e Central, e as causas para a maior circulação dos vírus são diferentes. A regional Leste, por exemplo, composta pelos Estados de Pernambuco, Sergipe, Bahia, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará  Espírito Santo e Rio de Janeiro tem a maior incidência de SRGA, a qual se dá pelo aumento das chuvas, e ocorre no período entre final de abril e meados de julho. Ou seja, a região está no meio da época de maior incidência. A regional Sul, que engloba os Estados do Sul e Sudeste, está no começo do pico de incidências de SRGA, que começa no final de maio e vai até agosto e está relacionada com a baixa das temperaturas. Na regional Central, que é formada pelos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Piauí, Maranhão e Distrito Federal, o pico ainda não começou e pode variar entre final de março e meados de julho. E na regional Norte, formada pelos Estados do Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima, Amapá e Pará talvez essa seja a única regional que já passou pelo pico, que ocorre entre o início de maio e o começo de junho.

Se a pandemia já preocupa, o pico de outros vírus que causam os mesmos problemas respiratórios pode significar uma piora nos quadros de mortes e doentes com a reabertura das atividades e a retomada econômica. Apesar de todos os dados dispostos para governos e prefeituras, tanto da pandemia quanto da maior incidência de SRGA, não há nenhum esforço para que o quadro não piore. Muito pelo contrário, a maioria dos Estados aqui citados, e que estão passando pelo pico de infecções, estão aplicando políticas cada vez mais flexíveis para retomada de atividades e, assim, colocando ainda mais pessoas em exposição ao vírus, como por exemplo, o Paraná, São Paulo, Santa Catarina. A maioria dos estados brasileiros está planejando o fim de um isolamento social que sequer existiu e somente foi usado de forma demagógica pelos governos. Afinal, se a sua aplicação seria uma forma de conter contágios e vítimas fatais, não seria no pico de infecções a hora certa de acabar com a política.

Essa reabertura econômica no pico de outras infecções além do coronavírus pode acarretar em ainda mais problemas para os trabalhadores. Hospitais que já estão lotados tendem a entrar em colapso e o povo poderá ficar sem atendimento, sem remédio, sem respirador, sem condições de sobreviver, se a doença evoluir para um quadro mais crítico. E essa irresponsabilidade do Estado não é falta de planejamento, mas sim porque o Estado burguês trabalha única e exclusivamente pelos interesses burgueses, onde a Economia é colocada acima da vida dos trabalhadores e os mesmos precisam sujeitar-se a essas políticas genocidas, ficando no impasse entre correr o risco de morrer pelo vírus ou ficar sem emprego e morrer de fome, já que o Estado não consegue atender as necessidades dos trabalhadores em nenhuma das situações.

Diante de um quadro tão absurdo e injusto com os trabalhadores, é necessário uma mobilização popular para a derrubada dos governos que não respeitam e nem preservam a vida do proletariado. O povo deve sair às ruas e lutar por condições dignas para preservar suas vidas. Somente com a derrubada de governos burgueses, os trabalhadores terão condições de viverem em uma sociedade mais justa e igualitária, através do Estado operário.

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