Liberdade de expressão
Esquerda é a favor do Fica Bolsonaro e da censura
De homofóbico a bolsonarista. porque o PCO passou a ser alvo das mais diversas calúnias e acusações
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Liberdade de expressão
Esquerda é a favor do Fica Bolsonaro e da censura
De homofóbico a bolsonarista. porque o PCO passou a ser alvo das mais diversas calúnias e acusações
Eric Drooker: www.drooker.com
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Eric Drooker: www.drooker.com

Após a publicação do artigo “Homofobia: novo pretexto moral para atacar o futebol”, sobre o ocorrido no jogo Vasco e São Paulo no último dia 25, publicado no Diário da Causa Operária (DCO) no último dia 29, o Partido da Causa Operária (PCO) passou a ser alvo das mais diversas calúnias e acusações, com parcela da esquerda acusando o partido de ser homofóbico e bolsonarista.

Um dos casos desse ataque foi o do jornalista e ativista William De Lucca, que publicou em sua conta no twitter:

As vezes, o PCO passa de um conglomerado engraçado de gente extremista pra um conglomerado de gente intolerante que se enfileiram com toda sorte de fascista. Um texto rasteiro, homofóbico, canalha.”

“PCO extremista e intolerante”?

Defender a destruição total do Capitalismo e seu regime de exploração do homem pelo homem é ser extremista? Então o PCO é extremista. Defender a liberdade de expressão é ser intolerante? Diga-se de passagem que essa é uma reivindicação do regime democrático burguês. Remonta à revolução Francesa de 1789!

O PCO é o único partido que sempre se posiciona contra a censura, enquanto a esquerda costuma defendê-la com pretextos “nobres”. A proibição de cantos homofóbicas nos estádios é censura que vai servir para o regime censurar qualquer manifestação das torcidas, que forem de encontro aos interesses desse mesmo regime político. Isso é uma ditadura.

O PCO costuma ser atacado por setores da esquerda que fazem coro com a direita, que tem por objetivo enquadrar seus inimigos de classe com o aumento da repressão por parte do Estado com a aprovação de leis cada vez mais repressivas e o cerceamento dos já precários direitos democráticos. O que fica claro é que um determinado setor da esquerda está à reboque do imperialismo. Vários agrupamentos políticos de esquerda defenderam o golpe de Estado de 2016, defenderam a prisão de Lula,  fazem frente com o imperialismo contra a Venezuela, estão juntos com imperialismo sobre a questão da Amazônia, supostamente para se opor ao bolsonarismo.

“Enfileirados com fascistas”?

Ser contra as sanções esportivas sobre a homofobia nos estádios significa se enfileirar com fascistas? Ridículo!

Quem defende as sanções? É a máfia da CBF que quer tirar o maior bem cultural brasileiro das mãos do seu povo. É a rede Globo e todo o monopólio das comunicações no País. Esse antro de verdugos do imperialismo, todos responsáveis pela eleição do fascista Bolsonaro.

O PCO é o único partido que chama o Fora Bolsonaro, que nunca reconheceu o governo da extrema direita como legítimo, o único partido que impulsiona essa mobilização nas ruas, que reage à altura as agressões dos bolsonaristas contra a esquerda. Já o setor da esquerda que apoia a censura é o setor que defende o fica Bolsonaro até 2022. É o setor que não entende a liberdade de expressão como um direito democrático elementar, o que requer necessariamente ser contra o aumento do poder repressivo do Estado capitalista (STF, STJD) e de seus apêndices no mercado (FIFA, CBF e afins).

No que diz respeito à homofobia, o PCO é o único partido a fazer campanha aberta e fazer ele mesmo todo esforço para a constituição de comitês de autodefesa contra a extrema direita, pois só organizados os setores oprimidos podem se defender dos opressores. Não há como o Estado combater aquilo que faz parte de seu propósito de existência: a opressão.

Já os bolsonaristas, não apenas não apoiam a liberdade de expressão (vide processos e perserguição contra o PCO e contra a esquerda em geral), como defendem o aumento do poder repressivo do Estado nas mais diversas áreas (como a repressão brutal contra as torcidas organizadas). Os bolsonaristas tem usado o Estado para aumentar a repressão contra a população, basta ver o caso do Rio de Janeiro, onde o governador fascista Witzel atira na população de helicóptero e comemora quando a polícia militar assassina cidadãos.

O que ocorre no caso das torcidas é que a esquerda que, supostamente se coloca contra Witzel e Bolsonaro, quer se enfileirar com eles na tentativa de usar esse mesmo Estado burguês na ilusão de que está defendendo o movimento LGBT.

Os elementos que atacaram o PCO devem refletir quem tem mais controle sobre o Estado neste momento: a esquerda ou a extrema direita.

“Texto rasteiro, homofóbico e canalha”?

O teor emocional da escrita mostra que as calúnias e críticas não tem base racional e consequente do ponto de vista político. O autor não faz qualquer esforço para discutir o problema central em questão (liberdade de expressão vs aumento da repressão), apenas procura desmerecer a posição política do partido levantando pseudo semelhanças entre o PCO e os bolsonaristas. Uma incoerência, uma vez que De Lucca faz parte do movimento LGBT, um dos setores mais oprimidos pelo Estado e que seriam mais prejudicados pelo aumento da repressão. Neste sentido, vale conferir a posição de outro jornalista integrante do movimento LGBT, que é contra o aumento da repressão estatal à homofobia: Glenn Greenwald.

O importante deste debate é que a polêmica permite às pessoas que estão acompanhando a reflexão sobre temas fundamentais da política, como liberdade de expressão, educação política, o caráter de classe do Estado capitalista, entre outros. Ou seja, as pessoas  se veem confrontadas com as posições políticas que verdadeiramente representam os seus interesses de classe.

A publicação de De Lucca foi respondida por dezenas de comentários, como por ex.

do ex-deputado Jean Wyllys:

A homofobia é ubíqua. Detalho esse aspecto em meu novo livro. E quando praticada por gente autoproclamada ‘de esquerda’ ela não deixa de ser abjeta e letal.”

Cara, eu concordo. Acho que vai se dar poder de interferência a quem não está nem aí para a homofobia e de usar esse poder para atender interesses que não os do futebol e muito menos os dos LGBTs, com pouca eficácia. Pfv, não briguem comigo. Apenas me expliquem pq estou errada.” (Jamais vão impedir a chegada da primavera)

Eu creio que não deve ser subestimada essa preocupação.” (Glauco Eggers)

O @PCO29 não se decide. Lei anti-homofobia pra eles é uma armadilha do judiciário burguês pra prender proletários. Mas lei de liberação de armas pelo mesmo judiciário eles não acham uma armadilha contra os proletários que não terão dinheiro pra comprar.” (Gerardo Neto)

As leis podem expressar diversos interesses presentes na sociedade. Leis que garantiram Educação e Saúde ao povo, por ex., foram e são uma expressão do interesse popular, uma conquista dos trabalhadores na defesa de seus interesses. Já leis que aumentaram o poder repressivo do Estado (responsável por manter a opressão contra o povo) não são manifestações do interesse popular, mas sim de interesses alheios aos povo (burguesia e pequena burguesia). O armamento é um direito democrático, uma lei que garantisse o direito ao armamento se encaixaria na 1ª categoria, uma vez que um povo armado tem a possibilidade de se defender, diferente de um povo desarmado, sobre quem se impõe viver a mercê do Estado. Já uma lei como a da ficha limpa, por ex., encaixa-se na 2ª categoria, das leis que servem para aumentar a repressão contra o povo (contribuiu para que o povo fosse impedido de votar no seu candidato: Lula) e que portanto tendem a se voltar contra seus interesses.

Para quem quer entender melhor o caso da censura no futebol, o DCO publicou matéria no dia 22 de agosto denunciando a tentativa de controle externo do esporte em utilizar uma suposta “luta contra a homofobia” como pretexto para atacar a livre manifestação dos torcedores.

Veja um trecho:

A luta contra a homofobia nos estádios, levada a cabo por entidades que não têm absolutamente nada a contribuir com essa luta, é mais um pretexto — moralmente elevado — para reprimir a livre manifestação dos torcedores, para ferir a sua liberdade de expressão, e nada mais. Medidas dessa natureza, de caráter repressivo e punitivista, não chegam nem perto de tocar nas raízes que determinam a opressão dos setores LGBTs. Ao contrário, elas só contribuem para fortalecer os mecanismos de repressão, violência e controle que as classes dominantes usam contra os pobres, negros e explorados em geral.”