Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
i
|

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) emitiu nesta segunda-feira (19) uma recomendação, endereçada a clubes e federações, determinando que “os árbitros, auxiliares e delegados das partidas relatem na súmula e/ou documentos oficiais dos jogos a ocorrência de manifestações preconceituosas e de injúria em decorrência de opção sexual por torcedores ou partícipes das competições”.

Com essa medida, o órgão indica que atitudes homofóbicas em estádios, como o costumeiro grito de “bicha” nos tiros de meta, são passíveis de punição e podem acarretar aos clubes a perda de três pontos nas competições.

Essa determinação da justiça desportiva brasileira vem na esteira da recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, e da política posta em prática nos últimos anos pela FIFA, que tem incentivado seus filiados a punirem manifestações de preconceito. A própria CBF (Confederação Brasileira de Futebol), diga-se de passagem, já foi multada cinco vezes por conta de gritos homofóbicos em jogos da seleção brasileira no Brasil.

A luta contra a homofobia nos estádios, levada a cabo por entidades que não têm absolutamente nada a contribuir com essa luta, é mais um pretexto — moralmente elevado — para reprimir a livre manifestação dos torcedores, para ferir a sua liberdade de expressão, e nada mais. Medidas dessa natureza, de caráter repressivo e punitivista, não chegam nem perto de tocar nas raízes que determinam a opressão dos setores LGBTs. Ao contrário, elas só contribuem para fortalecer os mecanismos de repressão, violência e controle que as classes dominantes usam contra os pobres, negros e explorados em geral.

Além disso, a possibilidade de punição aos clubes é de uma arbitrariedade sem tamanho. Como responsabilizar associações esportivas pelo que é dito por suas torcidas, que são muitas vezes integradas por milhões pessoas, de diferentes origens e tendências? Como saber se o “comportamento ilícito” é de autoria de torcedores de um time A ou B, já que não é raro a mistura e a infiltração no seio de torcidas adversárias. Exige-se dos clubes algo que eles não podem cumprir, atribuindo-lhes um papel que lhe é impossível exercer: controlar os pensamentos e as formas de expressão de seus torcedores.

Depois da perseguição às torcidas organizadas, depois do aumento (sempre crescente) da repressão policial, depois da proibição das bandeiras e instrumentos musicais, depois da imposição da denominada “torcida única”, depois da introdução do árbitro de vídeo (VAR) nos jogos, temos a abertura de mais um campo para a intervenção externa — a cargo das confederações, federações, comissões de arbitragem, tribunais desportivos etc. — no futebol e mais uma frente de ataque contra os direitos democráticos dos torcedores.

É preciso ter em mente que a censura, as punições de todo tipo, a criminalização de certas condutas, o encarceramento em massa e a repressão policial não constituem caminhos capazes de levar a luta contra a opressão dos LGBTs à vitória. Somente a auto-organização, a formação de comitês de autodefesa, a luta contra a direita e a extrema-direita e, portanto, contra o governo Bolsonaro, podem fazer a luta dos LGBTs e dos setores oprimidos em geral avançar.

 

 

 

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas