Por que Boulos não quer Moro?
Depois de aceitar Temer, FHC, Sarney e até general que comandou a intervenção militar no Rio (quando morreu a vereadora Marielle), Boulos protesta pelo convite ao ex-ministro
frente ampla
Integrantes da frente ampla confirmados para o ato de hoje | Foto: Internet

Em meio aos preparativos para o ato virtual da chamada frente ampla, denominado “III Ato Direitos Já“, previsto para acontecer hoje e tendo como objetivos declarados a “defesa da democracia, da vida e da proteção social”, a imprensa burguesa e também de alguns setores da esquerda, anunciou uma crise que teria sido provocada pelo convite ao ex-juiz fascista e ex-ministro da Justiça do governo ilegítimo de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro.

Diversos órgãos da imprensa golpista, repercutiram que “a possibilidade de Sergio Moro participar do comício virtual pela democracia organizado pelo Direitos Já rachou o movimento. O convite foi proposto pelo deputado José Nelto (Podemos-GO). A reação de políticos de centro-esquerda foi imediata”.

Dentre os políticos de “centro-esquerda” que se colocaram contra o convite, foi destacado o caso do ex-“comunista”, do PCdoB, ex-“socialista, do PSB, e hoje golpista do Solidariedade (presidido pelo deputado Paulinho da Força), o ex-ministro e ex-deputado federal Aldo Rebelo, que afirmou: “Avisem quando estiver para acontecer”.

Outro destaque foi dado ao ex-candidato a Presidente pelo PSOL (ao qual se filiou após ser indicado candidato) e atual pré-candidato à prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos, que teria afirmado:  “se ele entrar por uma porta, eu saio por outra”.

A possível e aparente indignação desses senhores (e por certo de outros) que, supostamente, querem impor um limite ao caráter super amplo da chamada frente ampla, levanta a dúvida a cerca de porque tamanha indignação com o ex-ministro. Por que não teriam “estômago” para “engolir” a presença do ex-juiz?

Democratas” convidados para o ato

Seria fácil e desejável para alguns encontrar uma resposta de aparência esquerdista para tal pergunta. Por exemplo, que Boulos e outros rejeitam Moro porque ele comandou a operação golpista e fraudulenta que foi decisiva par levar ao golpe de Estado e colocar na cadeia, por 580 dias a maior liderança popular do País, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas neste caso, seria preciso explicar porque a mesma indignação não se apresentou quando a frente anunciou o convite golpistas de maiores envergadura do que o ex-ministro como, por exemplo, os ex-presidentes da República e presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, que comandou a operação golpista no Congresso Nacional e fora dele, ao lado de outro “convidado de honra” , o ex-presidente do MDB e ex-vice-presidente da República, senhor “Fora Temer”, ele mesmo o presidente golpista que assumiu o comando do Planalto como resultado do golpe do qual Moro foi apenas um dos operadores.

Se examinarmos ainda mais detidamente a lista de convidados/confirmados para tal ato “em defesa da democracia”, encontraremos ainda outros fervorosos “combatentes. da democracia” que em nada ficam a ver ao ex-ministro de Bolsonaro, como os representantes do maior partido golpista do País, o Partido da Imprensa Golpista (PIG), representado no ato por uma de suas alas mais reacionárias, a Rede Globo que estará representada por figuras como Luciano Huck, Miriam Leitão e Fernando Gabeira. O fato de ser ex-ministro de um governo golpista e responsável para dura repressão contra a esquerda e o povo, parece também não ser problema para esses senhores. A esquerda divulgou que está confirmado, por exemplo, o general Santos Cruz, ex-ministro do governo Temer, responsável pela intervenção militar no Rio de Janeiro, quando mataram a vereadora Marielle Franco (do mesmo partido ao qual Boulos se filiou para ser candidato) e ex-comandante das tropas de invasão do Haiti.

O “indignado” Boulos e outros “centro-esquerdistas” e quem sabe até “esquerdistas” parecem aceitar sentar-se à mesa com todos esses e muitos outro  senhores, responsáveis pelo estupro do resquício de democracia que existia no regime nada democrático anterior ao golpe de Estado, de partidos que que estão à frente de governos que estão levando adiante o genocídio contra o povo na atual pandemia, colocando em prática a política criminosa de Bolsonaro e de todo o imperialismo de deixar o povo morrer e “socorrer” os bancos (como da senhora Maria Alice Setubal, do Itaú/Unibanco; também convidada pela frente ampla). Por que então se indignar contra a presença de Moro?

Se aceitam “Lucifer”, “Belzebu” e outros “senhores das trevas”, supostamente para “defender a democracia” que eles estupraram e os “direitos” do povo que eles rasgaram (ou não foi no governo Temer que que aprovou a “reforma” trabalhista e não foi com o voto da maioria dos 18 partidos que estarão presentes que foi aprovada a “reforma da Previdência?), por que então não aceitar a presença do “pobre” diabo, que acaba de desembarcar do Governo Bolsonaro?

Logicamente que os próprios “indignados”, quem sabe, poderiam responder melhor a tal indagação?

Alguns dirão que Sérgio Moro precisa passar por uma “quarentena” (para usar uma palavra da moda enter a esquerda), pois faz pouco tempo que se retirou do governo de Bolsonaro, do qual foi o principal eleitor, ao tirar das eleições o candidato em que a maioria do povo queria votar.

Mais uma possível resposta, muito possível, pode ser encontrada não no “estômago” da esquerda burguesa e pequeno burguesa que net pra a frente ampla com os golpistas, mas em uma recente pesquisa eleitoral (tão ou mais fraudulenta do que quase todas as pesquisas realizadas e patrocinadas pela burguesia) que aponta que “o ex-ministro da Justiça Sergio Moro é hoje o principal adversário de Jair Bolsonaro na corrida presidencial de 2022”. Divulgada pela Revista Veja, a pesquisa (de forma semelhante a outras) aponta que “Moro aparece com 19% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem 22%”.  Outros confirmados para o ato e possíveis candidatos em 2022, também surgem na pesquisa, são eles Fernando Haddad, da direita do PT que defende a frente ampla, com 13%; Ciro (“Lula tá preso babaca”) Gomes, do PDT, com 12%;  o tucano-global Luciano Huck (5%) e o próprio Guilherme Boulos (3%).

Como se vê, a disputa para ser o candidato presidencial ou quem sabe a vice da frente ampla, está “lotado” e parece que a presença de Moro incomodaria alguns dos seus possíveis concorrentes. Além disso, depois de não convidar Lula (que junto com a presidência e maioria do PT, vem se opondo à frente que não defende sequer o impeachment de Bolsonaro e cujos integrantes são em sua maioria contrários aos direitos dos trabalhadores), a frente ficaria explicitamente mal vista junto a setores da base da esquerda e Dao vasto eleitorado de esquerda que pretende atrair (em um estelionato) se trouxesse diretamente para o palco virtual o carrasco do ex-presidente.

Além de defender seus próprios e mesquinhos interesses na corrida eleitoral (inclusive deste ano), o “psolista” Boulos (sabe-se lá até quando?) vem se destacando em ser o ventríloquo que defende a politica direitista da frente ampla com um tom esquerdista à politica de setores da direita. Como no caso de buscar dividir o movimento de luta contra a direita nas ruas, fazendo acordos com o judiciário e a Polícia do governador João Dória (do aliado da frente ampla, o PSBD) para tirar os manifestantes da Avenida Paulista (7/6) e “dividir” as ruas com os fascistas (“meio a meio), não é, portanto, de se estranhar que seja o “porta-voz” do “fora Moro” (que satisfaz à maioria dos seus aliados direitistas, embora haja “moristas”na frente), em um movimento que não defende o “Fora Bolsonaro”.

Sérgio Moro, foi fundamental no golpe contra Dilma, Lula, a esquerda e todo o povo brasileiro;  é “parceiro” da frente ampla que, como ele, quer deixar Bolsonaro e impor limites ao seu governo e quem sabe derrotá-lo em 2022, depois de ter deixado um rastro de milhões de mortos na pandemia, de fome e miséria (no maior retrocesso da historia do País) mas, esperam eles, depois de ter salvo os bancos, grandes monopólios e suas máfias políticas… mas não é bem visto, “queima o filme” se for ao ato dessa sexta.

Alguém precisa dizer isso. Boulos e alguns esquerdistas coadjuvantes da direita golpista na frentes ampla, estão aí para fazer esse serviço. A direita agradece!

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