Aliança com golpistas
Apesar do nome, é uma iniciativa da direita em reunir setores da esquerda para a reconstrução de um centro político que sustente o governo Bolsonaro até 2022
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Direitos Já
Evento de lançamento aconteceu na noite do dia 2/08, no teatro TUCA, da PUC-SP |

No último dia 2, ocorreu o evento “Direitos Já” – Fórum Pela Democracia”, no teatro TUCA da PUC-SP. Apesar do nome, o evento é uma iniciativa da direita e busca reunir setores da esquerda para a reconstrução de um centro político que sustente o governo Bolsonaro, através de uma oposição parlamentar numa “maratona até 2022”.

A prova disso é o evento ter reunido 16 partidos políticos, incluindo os principais partidos golpistas (como o PSDB, DEM, MDB, NOVO, etc) e partidos ditos de “centro esquerda” (PDT, PSB, etc) que mantém profundas alianças com os golpistas e apoiaram parcialmente o impeachment. Dos partidos de esquerda, o mais engajado nesta política de “frente ampla” é o PCdoB. Apesar de setores do PT (Haddad) e do PSOL (Boulos) terem participado das reuniões iniciais, a pressão interna que sofreram fez com que não fossem neste evento, apesar de terem confirmado presença.

Políticos chave da famosa ideia de “virar a página do golpe”, como Ciro Gomes (PDT) e Flávio Dino (PCdoB), também estiveram presentes, assim como Fernando Henrique Cardoso (FHC), Alckmin e Aécio mandaram vídeos saldando o evento. O que mostra toda a manobra da direita na reconstrução do centrão, esfacelado pela polarização entre a extrema a direita e os trabalhadores e suas organizações.

O presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Iago Montalvão, também participou. Não por acaso, uma vez que a UNE, desde que Montalvão assumiu, passou a ser uma importante organização na frente ampla, inclusive chamando os estudantes a vestirem o verde e amarelo nos atos, como no último dia 7 do grito dos excluídos (que fracassou devido a Bolsonaro também ter chamado as pessoas a irem com as cores da bandeira).

Esquerdistas, democratas e golpistas abraçados num gesto obsceno de cinismo político, escondidos atrás da ideia de “luta contra a barbárie”, podem confundir os desavisados. No entanto, não passa de uma armadilha para arrastar um setor da esquerda e utilizar sua base social para a recuperação do centro. Vale lembrar que, quando essa centro direita (MDB, PSDB, DEM) derrubou o PT, não foi necessária nenhuma frente ampla por “direitos”. Nem PSDB, nem MDB chamaram uma frente ampla para barrar a derrubada de Dilma, pelo contrário, foram eles os mais árduos articuladores da derrubada do governo do PT e da perseguição a Lula e os demais dirigentes do partido.

A participação dos golpistas, da esquerda que quer virar a página do golpe, a proibição de estudantes e pessoas em geral entrarem no evento e a censura prévia contra palavras de ordem, como a defesa da liberdade de Lula (Lula Livre), dão uma boa noção de que essa frente não é para a defesa de nenhum direito democrático, muito menos para a luta contra o governo Bolsonaro, mas sim para recompor o centro político sob a política de “colocar Bolsonaro na linha”, ou seja, de fazê-lo aplicar a política do imperialismo de forma a polarizar o país o menos possível.

Outro argumento falso, que tem servido para a propaganda da frente ampla com os golpistas é que seria necessário “Engolir alguns nomes de centro-direita …um preço razoável a se pagar pela defesa da civilização… Não se trata mais de esquerda x direita, mas de civilização x barbárie.” (disse João Filho, em matéria do Intercept). O que estes defensores omitem é que o PSDB, MDB, DEM e afins não são a civilização, uma vez que seus governos, sobretudo os do PSDB, têm uma política muito semelhante a de Bolsonaro, com devastação dos direitos sociais e repressão altíssima.

Portanto, aliar-se com esses bandoleiros políticos do “Direitos Já”, é uma política bandoleira, que corresponde a uma ideologia bandoleira, uma vez que seria uma forma de colocar focinheira na esquerda para que não houvesse nenhuma luta. Não é hora da frente ampla, mas sim de frente única das organizações dos trabalhadores pelo fora Bolsonaro e pela liberdade de Lula. Essa é a única forma de mobilizar a base da esquerda sem paralisá-la com acordos com a direita.

Mais um indício da fraude, retirado da página inicial do site do movimento:

“Somos muitos, um grupo suprapartidário, com pessoas de diversos partidos e diferentes ideologias, buscando o debate democrático e a garantia dos direitos civis.”

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