A serviço da frente amplíssima
Em entrevista ao Roda Viva nesta segunda (8), o governador do Ceará deixa claro o propósito da frente ampla: aproximar-se da direita e isolar esquerda/Lula
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Camilo Santana e Ciro Gomes | Foto: Reprodução
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Camilo Santana e Ciro Gomes | Foto: Reprodução

Nesta segunda (8), o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), concedeu a entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ligada aos tucanos em São Paulo. Santana falou sobre a situação do coronavírus e a violência no estado, mas o ponto alto da entrevista foram suas considerações sobre a posição da esquerda e de Lula diante da frente Ampla.

A linha da entrevista pode ser resumida por um trecho da fala do governador do Ceará:

“Esse não é o momento para discutir 2022. Esse é o momento para discutir o momento do Brasil. Quando falo em unir Ciro e Lula, é unir agora para discutir projetos para o país. Aquele que irá representar esse projeto se definirá no futuro. O importante é qual é o projeto de nação que nós queremos… Então todas essas pessoas, como Lula, como Ciro, como FHC, como a Marina, podem contribuir nesse projeto. Acho que é o momento de construir um projeto nacional para este país, independente de nomes, independente de partidos, defendendo a democracia neste país.”

Camilo Santana disse isso ao ser perguntado por uma das entrevistadores, que disse o seguinte:

“Ciro disse que há dois PT’s, o de gente decente, que inclui o senhor. E o lulopetismo corrupto. Em entrevistas o senhor já disse que o PT precisa se renovar, trazer novos nomes. Isso não vai contra a ideia de que o partido precisa se renovar?”

As falas do governador do Ceará, deixam claro, que ele, mais do que petista, é um homem de Ciro Gomes, a serviço da frente ampla e amplíssima, que inclui inclusive Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Uma das apresentadoras do programa, Vera Magalhães, disse o seguinte sobre a entrevista em sua coluna:

“As recentes bolas foras de Lula na tentativa de mostrar que é uma liderança de peso na pior crise política, econômica, de saúde e social que o Brasil enfrenta em anos já levam boa parte da nova geração não só de líderes petistas, mas de toda a esquerda, a demonstrar em público o incômodo com a forma autocentrada com que o condenado na Lava Jato conduz a sigla. No Roda Viva na segunda-feira, o governador do Ceará, Camilo Santana, fez algo que seria sacrilégio no partido até outro dia: disse com todas as letras que Lula está “equivocado” ao negar fazer parte de uma frente ampla pela democracia, e disse que o PT tem de fazer aliança em Fortaleza sem estar na cabeça da chapa, outra heresia. Não demorou a que Gleisi Hoffmann lançasse a candidatura de Lula em 2022, para mostrar que o establishment petista segue alheio à irrelevância da sigla também na oposição a Bolsonaro, depois de ser apeada do poder com Dilma Rousseff.”

Propagar este tipo de aliança, enquanto critica Lula por não aderir a ela, mostra ainda mais que o governador é um boneco de ventríloco da oligarquia dos Ferreira Gomes e reproduz, sem tirar nem por, a política da ala direita da frente ampla, que quer construir um projeto nacional sem o PT. Ou, um projeto em que o PT vá a reboque da direita.

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