Polarização política
A “Frente Ampla” busca sufocar a polarização política no país, tentando evitar o choque das massas populares com o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro e dos golpistas
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FHC, Ciro Gomes e Marina Silva - Unidade nacional em defesa da democracia? | Foto: (Twitter/Reprodução)

O canal por assinatura Globo News, pertencente à emissora pai e mãe do golpe de Estado de 2016, da família Marinho (Organizações Globo) levou ao ar no último domingo, dia 07, a realização de um debate virtual onde figuravam como convidados o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-presidenciáveis Ciro Gomes e Marina Silva. O debate foi conduzido e mediado pela jornalista Miriam Leitão, expoente global do antipetismo, eficiente propagadora de mentiras e inverdades, alinhada, em todos os sentidos, com o reacionarismo direitista dos seus patrões.

Toda a entrevista esteve centrada em torno às críticas que hoje os “democratas” de ocasião fazem ao combalido e náufrago governo Bolsonaro, amplamente repudiado por parcelas cada vez maiores da sociedade. particularmente pelas massas populares e a população pobre e explorada do país, os que mais sofrem e sentem na pele os efeitos da politica genocida e de ataque dos golpistas contra suas condições de vida.

O espetáculo global nada mais foi do que uma oportunidade da emissora golpista em dar voz aos representantes da chamada “Frente Ampla”, concertação política que reúne em seu espectro elementos do mais fino talhe golpista, muitos deles inimigos notórios e declarados dos trabalhadores, algozes das massas populares, articuladores do golpe de Estado que derrubou o governo eleito em 2014, como o ex-presidente FHC e a própria ex-petista Marina Silva, uma das lideranças golpistas mais ativas nos ataques ao governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. Quanto a Ciro Gomes, o oportunista e direitista camaleão da política nacional, seu esporte predileto, já há algum tempo, é atacar e difamar o ex-presidente Lula, buscando com isso atrair a atenção e o voto de uma parcela de eleitorado de esquerda. Fazendo uso de sua habitual demagogia, Ciro disse que “uma eventual divergência dele com outros políticos” ‘fica guardada para a hora própria’. ‘Vamos defender a democracia’ (G1, 7/6).

Já a liderança tucana (FHC), que bateu asas para o ninho do golpe, declarou que “é necessário (uma união), é urgente que se faça isso. Não guardo rancor de ninguém, temos de olhar para frente, para o país” (idem, 7/6). Cinismo e desfaçatez maior não poderia haver. O ex-presidente FHC e seus pares do PSDB despejaram uma avalanche de calúnias contra os ex-presidentes petistas, Lula e Dilma, não só colaborando, como atuando como partícipes diretos da articulação golpista que, nas eleições de 2018, resultou na ascensão do governo fascistóide, de extrema direita, com a eleição (fraudulenta) do ex-capitão do Exército.

A operação que setores da direita e centro-direita burguesa tentam levar adiante neste momento, através da “Frente Ampla”, nada mais é do que a tentativa de juntar os cacos estilhaçados de 2018, onde a tradicional representação política da burguesia (DEM, PMDB, PSDB) foram destroçados pelo avanço da extrema direita, apoiado, de forma consciente ou não, pelos debatedores de domingo na Globo News.

Tudo que se quer evitar, com a chamada “Frente Ampla”, é a diminuição da temperatura política, o sufocamento da luta de classes no país, muito particularmente neste momento, quando as massas populares e os trabalhadores voltam a ocupar as ruas e praças de  todas as regiões, exigindo o fim do governo fascista, de extrema direita. Neste sentido, é mais do que óbvio o papel que cumpre a “Frente Ampla” e seus articuladores, que não é outro senão impedir o desenvolvimento da polarização entre a ofensiva popular das massas e o governo Bolsonaro, que hoje nada mais é do que um cadáver insepulto, apodrecido, apoiado por setores cada vez mais raquíticos e bizarros da sociedade, os elementos mais desqualificados, a escória social de extrema direita.

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