Alterando a histórica
Escolhido pela imprensa golpista para ser “o candidato da esquerda”, o dirigente da FPSM reconta a história ao seu modo para se apresentar como líder da luta contra o golpe
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AJUSTES
Protesto organizado pela organização liderada por Boulos "contra os ajustes de DIlma" | Foto: Reprodução

A foto acima foi publicada no twitter do PSOL como uma resposta à uma crítica de setores da direita de que “vocês só vão pra rua agora para desestabilizar o Bolsonaro, na época do PT vocês não criticavam os cortes”. Prontamente, os responsáveis pela página reproduziram a foto acima (que reproduzimos abaixo, com a mensagem em destaque:

A verdade: manifestações gigantes da frente Povo Sem Medo em 2015 contra o ajuste fiscal e os cortes do governo Dilma.

A “verdade” divulgada pelo próprio PSOL é esclarecedora. Em 2015, quando a direita golpista se organizava – sob a coordenação do imperialismo (como já ficou amplamente comprovado) para dar o golpe de Estado e derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), dirigido pelo atual candidato à prefeito de São Contra a crise: a saída é pela esquerda - Jornalistas Livres - MediumPaulo, pelo PSOL, Guilherme Boulos, se dedicava não a lutar contra o golpe, mas “contra os ajustes de Dilma” que pareceriam anos mais tarde com bondades, diante da verdadeira catástrofe promovida pelos golpistas contra o povo brasileiro.

Para quem participou ativamente da luta daquele período, principalmente contra o golpe, isso não se trata de uma novidade.

É conhecido de todo o ativismo que Boulos e setores do PSOL, que já haviam colaborado com a direita por meio da Onde ficou a defesa dos "hospitais padrão FIFA" da época da Copa ...campanha “não vai ter Copa”, amplamente apoiada pela direita (que até levou Boulos para entrevistas na Globo) , diante do início da luta contra o golpe, liderada pela Central Única dos Trabalhadores, primeiro, e – depois – pela Frente Brasil Popular (criada como parte da luta contra o golpe), tratou de criar uma “frente própria” (fechada à participação de partidos de esquerda, tudo à gosto dos movimentos direitistas “sem partido” surgidos desde 2013) e impedir uma ampla unidade da esquerda na luta contra o golpe.

Sua frente, impunha condições para unificação e a convocação da participação nos atos dos integrantes do MTST, a principal delas foi, até meados de 2016, que a luta deveria ter como eixo a “luta contra os ajustes”.

Dirigentes e ativistas mais destacados se lembrarão e outros podem recorrer a documentos da época que mostram que poucos dias antes da condução coercitiva de Lula (4/3/2016) determinada pelo juiz fascista Sérgio Moro, tal frente impunha como condição para a convocação de um ato nacional em Brasília, que a palavra de ordem fosse “contra os ajustes” e não, “Não ao impeachment”, “Não ao golpe de Estado”, como defendido pelo PCO e outros setores, então minoritários no movimento.

Essa história está sendo agora (e há algum tempo) recortada por Boulos e por alguns dos seus aliados mais próximos, alguns dos quais participaram diretamente da campanha “Fora Dilma”, como toda uma ala do PSOL oriunda do PSTU, que clamava aos quatro cantos que “não havia perigo de golpe”, porque o “imperialismo não quer o golpe”.

Em entrevista à TV247 no último 22, por exemplo, discursa, já como candidato escolhido pela imprensa golpista para ser “o candidato da esquerda”. nas eleições, numa reprodução (sem saias) das úteis candidaturas direitistas “da esquerda” de Heloisa Helena (2006, pelo PSOL) e Marina Silva (2010 e 2014, pelo PV e Rede/PSB):

“Tenho muito orgulho de ter participado delas (as lutas). Assim como tenho orgulho de ter estado, no ano seguinte, na linha de frente na luta contra o golpe, mesmo tendo diferenças com o governo Dilma, que tinha botado o Joaquim Levy para fazer ajuste fiscal, acho que muita gente se lembra disso. Assim como tenho orgulho de, na sequência, ter estado na linha de frente, mais do que muita gente que hoje tagarela aqui hoje na rede social, lá no Sindicato dos Metalúrgicos contra a prisão do Lula. Vocês se lembram disso, quem é que estava lá: o Povo Sem Medo, o MTST, a gente, o PSOL, que esteve em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos mesmo sendo pré-candidato à presidência da República pelo PSOL estive lá”.

 

Boulos esteve na “luta”, o problema é sempre de que lado da luta. Em 2014, do lado da política da direita que queria a derrota do Brasil na Copa e de Dilma nas eleições; em 2015/2015, na “luta” contra os ajustes e contra a luta contra o golpe.

Ah, mais sobra o caso de Lula, no Sindicato.

É verdade, Boulos e muitos outros dirigentes da esquerda estiveram com Lula, assim como também nós do PCO naquele dia fatídico da sua prisão; mas não com a política de impedir a sua prisão, como defendida por nós, em nossos cartazes e Página principal do acervo - Acervo do Diário Causa Operáriaintervenções, defendida e expressa em gritos de guerra por milhares de operários e explorados presentes: “Não se entrega!”.

Como muitos outros, inclusive dirigentes do PT, Boulos aceitou a orientação desastrosa dos advogados que a prisão de Lula seria quase um benefício, uma vez que ele logo seria solto (chegavam a falar em 10 dias) e, depois, que ele poderia ser candidato mesmo preso.

Como outros abutres da esquerda (Ciro Gomes/PDT, Manuela D’Ávila/PCdoB), Boulos ingressou no PSOL para ser candidato (filiou-se na semana em que seu nome foi aprovado) e procurou tirar proveito dessa situação, sem se somarem à campanha de denuncia da fraude que seriam as eleições sem Lula, como dizia um grito da esquerda naquele momento: “eleição sem Lula é fraude”.

“Foram à luta” para colher alguns votos e referendar o processo eleitoral fraudulento que levou à vitória de Bolsonaro e ao maior retrocesso da história do País.

Nas mobilizações pela liberdade de Lula, nos mutirões, na luta dos Comitês, nas caravanas cada vez mais abandonadas após as eleições não se viram também esse e outros “heróis” da luta, mas não faltaram visitas e fotos ao lado de Lula para reforçar a imagem eleitoral ao lado da maior liderança do País. No dia em que Lula foi solto, então, o espaço ao seu lado era disputado, inclusive por aqueles que como o deputado Marcelo Freixo, do partido de Boulos, diziam que “a luta pela liberdade de lula não unificava a esquerda”, quando isso servia para obter o apoio da direta nas eleições do Rio.

Boulos, defensor da frente ampla, da aliança com os golpistas de 2016, dos criminosos da operação lava jato e dos ataques aos trabalhadores no Congresso, como o PSDB, PSD, DEM e outros, agora quer “contar a estória” de outra forma, como ela nunca aconteceu.

 

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