Para onde caminha a esquerda?
O PCdoB entra em desespero diante da negação de Lula em assinar o manifesto amarelo “Estamos Juntos”
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
pt
Lula, Dilma e Gleisi. Três ausências marcantes entre os assinantes do manifesto amarelo | Foto: Ricardo Stuckert/PT

O afã do PCdoB em sua campanha em defesa da Frente Ampla, está levando o Partido às raias do desespero. Em  sua coluna no sítio Brasil 247, publicada nesta sexta-feira (5), Ricardo Cappelli, ex-presidente da UNE e atual secretário da representação do governo do Maranhão em Brasília, sob o título “Lula que não muda, não muda a maré”, faz um apelo queixoso diante da posição de Lula em não assinar o manifesto amarelo, em defesa da Frente Ampla.

“Por que Lula está criticando os manifestos amplos contra o fascismo? Qual o motivo de insistir na demarcação de um campo, pagando o preço do isolamento? Ele não sabe o que faz?”

Independentemente de quais sejam as considerações do Partido do Trabalhadores e de Lula a respeito – aliás, algumas o ex-presidente e outros dirigentes, entre eles a deputada e presidenta do Partido, Gleisi Hoffmann, já explicitaram com muita propriedade – o debate em questão é fundamental, porque diz respeito à evolução da luta de classes no Brasil.

Primeiro, o manifesto amarelo, também conhecido como “Todos juntos” e outras manifestações como o “Somos 70%”, representam alguma luta contra o fascismo ou se trata de uma política para restabelecer o controle da direita sobre o regime político golpista? A afirmação do “chefe” de Cappelli, Flávio Dino, em recente debate promovido pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de que  “a esquerda pode ter que abrir mão da hegemonia”, não dá margem a dúvidas. Ou seja, uma frente não contra o fascismo, mas eleitoral. Em que a esquerda será utilizada para reciclar a direita golpista – PSDB, DEM, PMDB. Para reabilitar, dos fundos das catacumbas, políticos que foram defenestrados pelo povo.

Segundo, a luta contra o fascismo, seja em qualquer lugar do mundo, nunca obteve a vitória pela via eleitoral. Um exemplo clássico foi a Alemanha. Hitler foi derrotado nas eleições para presidente em 1932. A Social-Democracia alemã acreditou que teria sete anos de paz para derrotar o nazismo. Vã ilusão. Na Itália, na Espanha, no Chile de Allende, aconteceram fenômenos parecidos, apenas para ficar em alguns exemplos.

Terceiro, quem está se isolando? Lula ou o PCdoB, que é protagonista de um manifesto que sequer cita Bolsonaro uma única vez, quem dirá defender a sua derrubada? Lula seria um arrogante por não estar com a direita golpista, como está o PCdoB? No entanto, as massas não estão com os políticos burgueses da frente ampla.

As massas não reconhecem Fernando Henrique Cardoso, Luciano Huck, Sarney Filho e muitos outros políticos da burguesia que ainda não assinaram o manifesto por uma questão tática. Como bem advoga o PCdoB, a frente ampla tem por objetivo ser “amplíssima”, ou seja, com a participação dos notórios golpistas, muitos ainda defendendo o governo Bolsonaro ou fazendo oposição de “mentirinha”, como Rodrigo Maia, Ciro Gomes, além da “nata” dos políticos dos partidos golpistas, com todo o movimento secundado pelo grande imprensa “fake news”, a maior propagandista do golpe de 2016.

Mas no cálculo ou no desespero, para Cappelli, quem está isolado é Lula e não o PCdoB e a burguesia. Isso quando o povo dá claras demonstrações de que cada vez mais vai estar nas ruas, aí sim, para derrotar o fascismo, a começar por colocar para fora Jair Bolsonaro.

Capelli usa Nicolau II e Constatino XI para corroborar com sua política, mas parece que nada aprendeu com a história recente do País. Lula e o PT foram protagonistas de um governo de frente ampla no Brasil. Qual o resultado? No momento em que o imperialismo resolveu dar um basta na política de aliança com a esquerda, a burguesia tupiniquim e as instituições nacionais, as Forças Armadas, o STF, o Congresso Nacional, simplesmente passaram por cima desse governo. Os aliados de antanho, bandearam-se todos para o campo do golpe. Lula e o PT ficaram isolados. É muito possível que Lula tenha refletido muito durante o longo período na cadeia sobre a traição patrocinada pelos políticos que o PCdoB trata como “democratas”.

Quarto, os frente amplistas de direita são os responsáveis por Bolsonaro ter chegado ao poder. Ou seja, Bolsonaro é cria da direita e dos meios de comunicação que, para levar o golpe à frente, promoveram umas das campanhas mais sujas já vistas neste País. Inclusive com a cassação da candidatura de Lula. Até hoje, políticos como Ciro Gomes, arrotam aos quatro ventos que Lula é chefe de uma quadrilha que assaltou o País. Aliás, uma burguesia e seus políticos, que têm um cão que ladra como Ciro Gomes, podem até se dar o direito de tentar encobrir seu passado recente e agora se travestir de “democrática”.

Mais na frente, Cappelli ainda sublinha : “O PT é o maior partido do Brasil. Chegou ao poder vencendo quatro eleições nacionais consecutivas.  Uma verdadeira epopeia.  Mas ventos são ventos. E é justamente a mudança deles que torna a história tão interessante”. Sem dúvida, independentemente de quem goste ou não, o PT de Lula é hegemônico na esquerda. Esse fato só pode ser superado pela luta de classes, não com a política de abutres, como ocorreu nas eleições de 2018 com a candidatura do próprio Lula. Menos ainda, de um ponto de vista da evolução dessa luta, com a subordinação do Partido, segundo defende Capelli com a “mudança dos ventos”, diante da burguesia golpista. Salvo na condição de um suicídio consciente de Lula e de toda a base partidária que o apoia.

Finalmente, é notório que o desespero do PCdoB expresso na coluna de Ricardo Cappelli é que no Brasil a política de frente ampla não vai para frente sem o aval do PT e, principalmente, de Lula. O que Cappelli não enxerga é que Lula tem uma história. Mal ou bem, dependendo do ponto de vista, é a maior liderança política que a esquerda já produziu no País. Colocar a sua autoridade em jogo, em um momento que a luta de classes no Brasil se eleva a temperaturas altíssimas, numa barca furada da frente ampla é corroborar com a destruição do próprio Partido.

Lula e o PT têm muito a perder aderindo à frente ampla. Já o PCdoB, é uma mera superestrutura partidária, com algum controle muito superficial sobre alguns movimentos populares. É justamente por ser um partido sem real penetração nas organizações de massas, portanto um partido eminentemente eleitoral, é que se transformou com muita facilidade numa correia de transmissão da política da direita golpista. E essa não é a primeira vez, mas isso é uma outra história.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas