Interesses imperialistas
O senador e autor do projeto da privatização da água, Tasso Jereissati (PSDB/CE) é sócio de uma das maiores empresas produtoras de Coca Cola do mundo.
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A quem realmente interessa a privatização da água no Brasil? | Foto: Reprodução

A água, assim como outros recursos naturais, é objeto de grande desejo e de dominação por parte das grandes empresas imperialistas no mundo. A crise hídrica atinge todos os países do planeta, inclusive países mais desenvolvidos como na Europa e os Estados Unidos, causados por diversos fatores como o consumo excessivo e contaminação de nascentes feitos pelas grandes empresas, além das questões geográficas. Neste grande jogo de interesses, os maiores prejudicados são os trabalhadores mais pobres, que enfrentam problemas de acesso á água potável e saneamento básico em todas as regiões do mundo.

A pauta da questão da água voltou a ser o centro das atenções no Brasil na última quarta-feira (24), quando o senado brasileiro aprovou o projeto de lei do saneamento básico (PL4162/19, do Poder Executivo), que tem como autor o senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), chamado de “Senador Coca Cola”, pois “coincidentemente” é um dos sócios do Grupo Jereissati, que comanda a Calila Participações, a única acionista brasileira da Solar, uma das 20 maiores fabricantes de Coca Cola no mundo. Antes de entrarmos no que isso realmente significa, é preciso se atentar a alguns pontos do projeto aprovado na noite de quarta. O projeto trata da Política Federal de Saneamento Básico e cria o Comitê Interministerial de Saneamento Básico. Entre os pontos aprovados, define-se o prazo de um ano para que as empresas estatais de água e esgoto antecipem suas renovações de contratos com os municípios, ou seja, nesse período as empresas poderão renovar os “contratos de programa”, que são firmados com as prefeituras sem licitação, afinal as empresas são pertencentes ao Estado. Segundo o relator, essa seria uma forma de valorizar os aditivos dessas empresas para que futuramente sejam privatizadas por um valor mais alto. Mas esse ainda não é ponto mais polêmico, o interesse em entregar o saneamento básico nas mãos da iniciativa privada fica claro no item que veda esses chamados “contratos de programa” para a prestação dos serviços. Se não houver estes contratos, provavelmente a maioria dos municípios não terá condições estruturais para desenvolver o atendimento à população, obrigando assim a contratação de empresas privadas para o serviço.

Mas o que isso tem a ver com a Coca Cola? Bom, grandes empresas de bebidas e alimentos são grandes interessadas na privatização da água no mundo, pois estas empresas geralmente gastam grandes contingentes do líquido para a produção, e para isso recebem descontos dessas empresas de saneamento básico. Estima-se que com as privatizações, o desconto seria ainda maior. Este não é o primeiro caso que a Coca Cola está envolvida com a privatização do serviço de água e saneamento básico, e a empresa está envolvida também em episódios constantes de crises hídricas onde suas empresas se instalam, como foi o caso da secagem das nascentes em Itabirito, na região metropolitana de Belo Horizonte, além de casos internacionais como regiões do México em que por causa do consumo desenfreado levou-se ao racionamento e as populações dispõem de água potável em certos dias e horários da semana, o que aumentou também o consumo da própria Coca Cola, que é vendida mais barata e é algo mais acessível do que a própria água potável.

O episódio da privatização da água no Brasil não é exclusivo dos interesses da Coca Cola, mas também de grandes empresas de alimentos e bebidas, como a Ambev, e não é uma questão apenas comercial, mas também política, e nela encontramos a grande maioria dos integrantes da famosa Frente Ampla contra o governo Bolsonaro. Para começar, o próprio relator do projeto, que é filiado ao PSDB, que ultimamente apareceu como um partido super democrata e a favor dos brasileiros, onde até mesmo o ex presidente Fernando Henrique Cardoso, que era do partido, foi convidado para as festividades do 1° de maio, como se todo o passado do PSDB de privatizações e de políticas prejudiciais aos trabalhadores tivessem sido esquecidas. Além disso, o projeto em questão não é novo, ele é uma continuação da Medida Provisória (MP) 844, de Michel Temer (outro que segundo defensores da Frente Ampla também estaria do lado oposto a Bolsonaro), que forçava os municípios a fazerem as concessões, mas que não foi aprovada. Depois do episódio, Temer editou a MP 868 que tratava do mesmo assunto, mas que perdeu a validade e assim Jereissati encaminhou o projeto de lei, em março deste ano. Se levarmos em conta a votação que aconteceu, a farsa da Frente Ampla fica completa. Foram 63 votos a favor e 13 contra, entre os votos a favor dessa política completamente nociva aos trabalhadores está o Senador e “antifascista da retroescavadeira” Cid Gomes (PDT/CE).

O projeto se mostra ambicioso e que envolve grandes interesses imperialistas e burgueses ao vermos a velocidade com que o mesmo foi votado, além da grande adesão daqueles que votaram pelo projeto, mostrando mais uma vez como a Frente Ampla com setores direitistas é um verdadeiro tiro no pé, pois ao se declararem críticos a Bolsonaro eles são direcionados apenas ao presidente golpista, mas não as políticas que prejudicam os trabalhadores que Bolsonaro e sua equipe econômica aprovam, como as privatizações de grandes empresas estatais, entregando o Brasil ao capital estrangeiro e ao imperialismo. Outro setor que estaria do lado oposto a Bolsonaro e que estaria defendendo uma Frente Ampla é a grande mídia burguesa, mas já foram ao ar as propagandas a favor da privatização da água nos jornais e outros veículos de comunicação.

A privatização da água no Brasil pode significar aumento de custos para os trabalhadores, queda de qualidade no serviço além de problemas com crises hídricas. Neste momento, é necessário que seja construída uma frente única de luta, que seja estruturada entre partidos e organizações que defendem a classe operária e os trabalhadores e seus interesses. É preciso sair ás ruas contra a privatização da água e contra tudo aquilo que ameaça a vida da classe operária.

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