Não havia melhor país no mundo para ocorrer o oitavo Fórum Mundial da Água, realizado em Brasília. Foi a primeira vez que esse evento ocorreu no Hemisfério Sul do planeta, em um país que detém 12% da água potável do globo terrestre, além de estar sob o domínio de um golpe de estado apadrinhado pelo imperialismo. Por óbvio, os capitalistas ficaram ouriçados.

Grandes empresas multinacionais, como a Nestlé, a Ambev e a Coca-Cola, patrocinaram o evento no intuito de promoverem seus interesses comerciais, em especial porque possuem a propriedade de diversas fontes de água pelo país.

Como era de se esperar, os debates giraram em torno de alternativas para se financiar o abastecimento hídrico, leia-se: privatizações no setor hídrico. A compra de companhias públicas de abastecimento de água também entrou na mira.

Em que pese quase metade da população brasileira não ter acesso a esse bem essencial, os capitalistas discutem formas de possuírem para si as fontes de água potável. A enorme contradição entre os chamados “sem-água” e o grande potencial hídrico do país, diante desse balcão de negócios do fórum, nos leva à revolta contra essa corja de gananciosos.

Esse tipo de discussão privatista, contrária aos interesses do povo, só poderia estar ocorrendo num país que vive sob o manto de um golpe de estado. Enquanto a maior parte dos países segue a tendência de estatização dos mananciais hídricos, a teor de estudos do Transnational Institute (TNI), organismo internacional de pesquisa e financiamento, o Brasil discute formas de privatizar suas fontes e mananciais hídricos.

No Senado Federal tramita o PLS 495/2017, que cria o denominado “mercado privado da água”, destinado a favorecer quem puder comprar. É a privatização de um bem essencial sem qualquer cerimônia.

Enfim, a classe trabalhadora não pode aceitar mais uma faceta horrenda dos golpistas. Só a luta contra o golpe, que nesse momento adquiriu a vertente na luta contra a prisão de Lula, será capaz de reverter o terror capitalista imposto contra a população.

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