São os bolsonaristas e sua política que alimentam o crime organizado

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A miséria é a mãe da violência. O desespero, a fome, a falta de perspectiva de vida, a falta de formação mínima levam as pessoas a encontrar soluções onde elas se apresentam: nos serviços a chefes locais do crime, no roubo do próprio vizinho vulnerável, no assalto quando há oportunidade. A violência é uma das expressões da luta de classes, e também aumenta quando ela se intensifica. As políticas propostas por Jair Bolsonaro e pelos militares em geral são relacionadas a grandes grupos imperialistas. Elas ampliarão a miséria no Brasil e consequentemente a violência – em todos os sentidos.

A burguesia sempre deturpa a leitura da realidade, colocando as ideias dominantes a seu favor. Em sua versão distorcida dos fatos a criminalidade é atribuída a questões culturais, à raça negra, as drogas ou – em sua versão “pacifista” à legalização do porte de armas. São problemas superestruturais, evidentemente. Na realidade, em países onde há menor índice de desigualdade, e maior renda per capita, há menor criminalidade. Quanto menos intensa a luta de classes, menor a violência.

A política educacional de Bolsonaro restringirá ainda mais o acesso à alfabetização – como ocorreu na ditadura. A política de saúde pública de Bolsonaro entregará as vidas da população aos predatórios planos privados – como já iniciado no governo Temer. A política de segurança pública de Bolsonaro promete armar ainda mais a polícia e o Exército, tratando as comunidades mais pobres com mão de ferro – essas ainda proibidas de se armar. A política econômica de Bolsonaro tem por base a destruição do Estado brasileiro e a entrega total de nosso patrimônio ao estrangeiro. A política geral de Bolsonaro aumentará a miséria e intensificará a luta de classes. E sua promessa é reprimir com chumbo a revolta popular.

O crime organizado, por sua vez, nada mais é do que um dos meios pelos quais a violência se expressa. Por depender de estruturas de transporte e de meios de armamento pesado, normalmente é o mais relacionado com as forças de segurança corruptas. O crime organizado está umbilicalmente ligado à compra de setores inteiros da Polícia Militar, ao tráfico e desvio de armas por elementos das Forças Armadas.

O grupo de militares a que Bolsonaro se filia é justamente aquele ligado a esse tipo de prática. Era a chamada “linha dura” do Exército, que organizava grupos de extermínio como a Operação Bandeirante (Oban), encarregada de torturar e matar presos políticos durante a ditadura militar, à margem do próprio sistema repressivo. À medida em que, por força da pressão popular, a ditadura arrefecia, tais grupos se organizaram nos Esquadrões da morte: matadores de aluguel que circularam nas periferias das grandes metrópoles e estiveram na origem de esquemas de jogo o bicho, do tráfico de drogas, da extorsão generalizada. Enfim: são a espinha dorsal do crime organizado no Brasil tal como se estruturou ao longo da década de 1980.

Quanto mais estruturadas as forças de repressão do Estado, mais crescem esses bandos, encarregados de exterminar a população pobre e mantê-la sob controle. Uma comprovação recente disso foi o significativo aumento no número de homicídios no Rio de Janeiro após a intervenção militar naquele Estado. Um eventual governo de Bolsonaro – ou pior, uma intervenção militar – levaria essa condição a todo o país, tanto pelo aumento da miséria quanto pela disseminação da violência das forças de repressão. Ao contrário do que pregam, os bolsonaristas e sua política são os verdadeiros fomentadores do crime organizado no Brasil.