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Candidato do PCO: “o Brasil precisa enriquecer urânio”

Roberto França, candidato do PCO ao Senado no Paraná, comenta sobre a intervenção do imperialismo na América Latina, bem como sobre a situação do Andes

Acompanhe entrevista exclusive ao Diário Causa Operária – Foto: Reprodução

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Em mais um episódio da série de entrevistas relativas às eleições de 2022, o Diário Causa Operária entrevistou Roberto França, pré-candidato ao Senado pelo Partido da Causa Operária (PCO) no Paraná. Professor e especialista em política internacional, Roberto fala um pouco sobre a situação do imperialismo na América Latina, bem como sobre a luta política dentro do Andes, o sindicato dos trabalhadores do ensino superior.

Confira a entrevista logo abaixo. Ao final, você pode assistir a entrevista na íntegra publicada no YouTube.

Diário Causa Operária: para começar, pode nos contar um pouco sobre sua história, tanto pessoal, quanto política?

Roberto França: minha vida política começa com meu ingresso na universidade. Entrei em 1998 para fazer o curso de geografia, curso de licenciatura. Eu queria dar aula, e encontrei na geografia a melhor carreira para ser professor. Depois que eu entrei na universidade, encontrei o movimento estudantil. No movimento estudantil, tive uma participação ali no centro acadêmico, participei dentro de conselho de curso, diretório acadêmico, sem nenhuma ideologia muito definida, mas já entrando em contato com os partidos.

Em 2004, passei no concurso público para lecionar na rede estadual de ensino e já era sindicalizado. Em 2016, prestei concurso para ser professor universitário no Paraná, e ali eu tive contato com o Andes. Na época, o Andes era um sindicato que não tinha uma Central Sindical, tinha se desfiliado da CUT. Em 2012, entrei na Universidade Federal da Integração Latino-americana, também entrando no sindicato.

Eu entrei no PCO em 2020. A pandemia e a paralisia sindical me levaram ao PCO, o único partido que saiu às ruas. Por isso, eu ingressei no Partido.

DCO: Nós vemos que, nesse século, o imperialismo tomou como estratégia para a América Latina a aplicação de golpes de estado em vários países da região. Vimos, aqui no Brasil, o auge disso com o julgamento do Mensalão e a Operação Lava Jato. Como você avalia a interferência do imperialismo na América Latina, principalmente em relação à política e economia brasileiras?

RF: O Brasil é um país com uma forte presença cultural norte-americana. A forma de entretenimento, os filmes que são veiculados, a presença massiva de conteúdos dos Estados Unidos na academia etc. Isso acaba afetando a vida política brasileira – a vida cultural e social se articulam com a vida política – e isso faz com que nós tenhamos uma esquerda que, ao invés de ser vanguarda, é contaminada por essa força norte-americana, fazendo com que haja uma paralisia, uma dificuldade de enxergar aquilo que é muito óbvio, como por exemplo a presença da CIA no Brasil.

Quando chega em 2009, começa o processo golpista na América Latina e a esquerda simplesmente não consegue enxergar isso. É uma situação que logo chega no Brasil, o Mensalão foi uma forma muito clara e explícita de intervenção. Nesse sentido, hoje, estamos vendo uma quarta onda de golpes de estado aqui.

DCO: Como você enxerga o papel do Brasil na questão da luta contra o golpe, da luta contra o imperialismo?

RF: O Brasil é um país gigantesco, é o maior país da América do Sul. Por sua condição territorial, pelas suas riquezas naturais, por ter a maior parte da Amazônia e por ter a maior riqueza dentro desse continente, o Brasil tem por obrigação ter uma esquerda que visualize o nacionalismo como uma forma de defesa dos países atrasados e, assim, por consequência, leve adiante essas potencialidades do cone sul.

Nesse sentido, é preciso voltar a ter uma conversa séria com a Venezuela para que possamos ter um acordo de livre comércio de petróleo da América Latina; um sistema de gasodutos e oleodutos que faça com que tenhamos uma Independência e uma soberania energética, entre outros projetos que realmente desenvolvam o País. Para isso, precisamos de uma esquerda que não seja entreguista, e o que nós temos é uma esquerda que está entregando o patrimônio nacional, que está internacionalizando Amazônia e está levando o Brasil e toda a América Latina para ser fatiada para o bem do imperialismo.

É preciso levar adiante um plano de soberania do continente, estruturar um conselho de defesa de integração da América do Sul e fazer acordos que nos levem, de fato, a uma soberania.

DCO: Você comentou sobre a questão da infiltração da CIA no Brasil. O DCO denunciou todo o papel que a esquerda pequeno-burguesa tem nesse sentido, principalmente por meio das ONGs, organizações que são claramente importadas para o Brasil. O que você pode falar sobre isso?

RF: A esquerda brasileira vive da fantasia. Ela tem uma uma visão mitológica da pobreza, da questão indígena, da questão do campesinato, tudo ela transforma em poesia. A gente tem um problema com isso porque organizações como a APIB, da Sônia Guajajara, têm cumprido um papel preponderante na questão do imperialismo [no Brasil], eu diria até maior do que a própria direita com as suas ONGs.

A direita, por meio das suas organizações como a Globo, alicia a esquerda, atraindo-a para lutas muito superficiais, como uma luta por um falso protagonismo dos negros, das mulheres, dos indígenas etc. Basta pegarmos o caso do Instituto Marielle Franco: quem controla é o Paulo Guedes, quem controla é o grupo da Open Society. Em outras palavras, são grupos que não têm nada de esquerda.

Um dos fatos mais negativos para a nossa luta é uma representante que se diz de esquerda falar com o John Kerry para fazer uma intervenção na Amazônia. É lastimável, porque a gente precisa de energia em abundância, a gente precisa ter urgentemente usinas nucleares, o Brasil precisa enriquecer urânio para fins, se necessário, até mesmo de defesa. E essas organizações atuam contra.

DCO: Você comentou mais cedo que é professor. O que você pode nos falar sobre o estado atual da mobilização dos professores nas universidades e como o PCO vai se organizar, ou está se organizando, para intervir nessa situação, principalmente agora com a campanha eleitoral?

RF: Em pouco tempo, nós conseguimos fazer um boletim para o congresso do Andes, que é o maior Sindicato de professores de ensino superior. Atualmente, ele é controlado por uma organização – que eu vou chamar assim, não vou chamar de central – a CSP-Conlutas. Ao contrário do que o nome diz, é uma organização sem lutas, uma organização pelega a favor dos capitalistas. A Conlutas tem um domínio muito forte sobre o Andes, eles até declararam neutralidade eleitoral enquanto um grupo de oposição pediu que saíssemos com a campanha do Lula Presidente, para que pudéssemos organizar a luta sindical.

O PCO fez uma campanha, fez boletim, denunciando o papel da Conlutas. Somos um grupo ainda pequeno, mas nós estamos buscando uma articulação com o maior grupo de oposição dentro do Andes que é o Renova, que é predominantemente do PT. É uma luta ainda embrionária, mas já é um movimento que nós consideramos importantes.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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