Roberto França

Roberto França

Professor de Geopolítica da Universidade Federal da Integração Latino-Amerina - Unila. Militante do PCO, colunista e redator no Diário Causa Operária, redator no Jornal Causa Operária

Frente única com nazistas

PSTU e a frente única com os nazistas

Ao encontro dos batalhões "Slobozhanshchina", "Kharkovshchina-1" e "Kharkovshchina-2"

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PSTU em manifestção – Reprodução

O PSTU decidiu ir para o inferno em “grande estilo”, numa viagem por trens (comboio) desde Dijon, na França, até Carcóvia (Kharkiv, em russo; Ха́рків; em ucraniano), na Ucrânia – após a 4ª Reunião da Rede Solidaire. A Carcóvia é o atual alvo da operação russa de desnazificação e desmilitarização, a fim de lograr, definitivamente, a independência das Repúblicas de Lughansk e Donetsk, de maioria russa, localizadas no Donbass.

Com o desserviço do PSTU aos trabalhadores e à esquerda, o partido ratifica sua política golpista de frente única o imperialismo. Esse inusitado partido já fez frente única com bolsonaristas para derrubar Dilma Rousseff e até apoiam os gusanos em Cuba. Contudo, com essa viagem à Ucrânia chegaram ao cume da direitização e do peleguismo, ao fazer, in loco, uma frente com os nazistas na Ucrânia.

Atualmente, após a proibição do comunismo e da atuação de partidos de esquerda, todos os sindicatos estão entregues à direita. Portanto, a operação do PSTU é de alto risco diante dos nazistas, podendo ser uma viagem sem volta [Observação: não queremos que isso aconteça, mas a possibilidade é grande]. É estranho que um partido que vive no EaD e de notas de repúdio, queira ir às ruas ucranianas, supostamente para ajudar os “trabalhadores ucranianos”.

As informações constam no site do PSTU, partido que colaborou com o golpe de Estado no Brasil e o mantém com a política de capitulação, por intermédio de sua “central sindical”, a CSP-Conlutas. Terça-feira (19), A CSP refugou na greve da CSN e que não conseguiu construir nenhuma greve nas universidades durante o governo Bolsonaro.

Campanha do PSTU e Rede Solidaire/Labour Solidarity

De acordo com as informações da nota, trata-se de uma viagem filantrópica com uso de recursos da Rede Solidaire. O fato de irem promover a filantropia demonstra que as intenções do PSTU não é melhorar a vida do trabalhador ucraniano, mas apoiar o imperialismo por intermédio da confusão política.

A campanha do PSTU tem um título inusitado “Comboio Operário da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas para a Ucrânia”, e tem o objetivo de “fortalecer a resistência de classe” contra os russos. De acordo com a nota do PSTU, a iniciativa visa “levar nosso apoio de classe adiante, de maneira mais próxima e concreta, com representações das entidades que compõem a Rede, dentre elas, a CSP-Conlutas” (negritos nossos).

Considerando o PCO trabalha há quase 60 dias na cobertura da guerra (inclusive com correspondentes, os Cros. Rafael Dantas e Eduardo Vasco), podemos afirmar que o governo ucraniano impõe uma ditadura com o uso de batalhões nazistas, que sustentam militarmente o Estado. Esses batalhões, como o Azov e S14 (mais conhecido como C14), tem proeminência política no país, inclusive sobre a Rada, que mantém uma Constituição que proíbe o nazismo, mas que não se revela na prática.

A fonte dos recursos financeiros e bélicos aos batalhões nazistas são: o governo dos Estados Unidos; Canadá; Reino Unido; Austrália; Israel; Suécia; Finlândia; Noruega; União Europeia; OTAN e fundações imperialistas desses países (o famoso “sem fins lucrativos”), que dão suporte propagandístico à barbárie nazi. Em Carcóvia, para onde irá o PSTU, atuam três batalhões nazistas: “Slobozhanshchina” (uma polícia que tornou-se milícia), “Kharkovshchina1” e “Kharkovshchina2“, além dos famosos Azov e S14, entre outros. Também atua em Carcóvia, o Pravy Sektor, que possui batalhão próprio.

Todavia, para o PSTU, “a solidariedade ativa é necessária: Enquanto Central Sindical e Popular e cofundadora da Rede, nos somamos ao Comboio Operário acreditando que devemos encampar a luta de classe internacionalista, apoiando trabalhadoras e trabalhadores que enfrentam a dura ofensiva militar de Putin”. (grifos nossos) Além de apoiar o Joe Biden, veladamente, o PSTU levanta suas bandeiras. Seguem para análise:

Nossas bandeiras
Pela derrota militar de Putin na Ucrânia! Apoio à resistência armada e desarmada do povo ucraniano!
Pela autodeterminação do povo ucraniano e por uma Ucrânia livre das garras da Rússia, da OTAN e dos imperialistas estadunidenses e europeus! Por uma Ucrânia livre e soberana para a classe trabalhadora!
Fim da OTAN. Fora tropas e bases dos EUA nos países da Europa Ocidental e Oriental! Contra a ameaça nuclear! Defendemos o desarmamento nuclear em todo o mundo!
Solidariedade internacional com movimento antiguerra e pró-democracia na Rússia! Liberdade aos presos políticos antiguerra na Rússia!
Fim das dívidas externas e das garras do FMI!
Para uma recepção não discriminatória de todos os refugiados da Ucrânia e de outros lugares da África e da Ásia que também sofrem com conflitos criados pelos países imperialistas! (negritos nossos)

Vamos aos pontos críticos destacados em negrito:

  1. A derrota de Putin é a vitória de Biden, não citado no manifesto;
  2. A Ucrânia não está nas garras da Rússia, ao contrário. Os povos russos do Donbass estavam sofrendo genocídio há sete anos, desde do Euromaidan;
  3. O movimento pró-democracia é movimentado pelo softpower, especialmente a Rádio Liberty e tem entre as lideranças o agente do imperialismo, Alexey Navalny;
  4. O PSTU não precisa se preocupar com discriminação aos ucranianos, pois eles estão sendo bem cuidados pela Globo e imprensa imperialista.

Sobre os perigos que os defensores do imperialismo e do nazismo enfrentarão

A RT mostrou a situação enfrentada diante dos nazistas. Hoje, um arsenal foi controlado por especialistas das tropas de engenharia. De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia: “O arsenal tem uma área impressionante e um grande número de armazéns e hangares especiais com milhares de toneladas de munição de artilharia, munição para armas de defesa aérea e armas de pequeno porte”, divulgou em nota.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, as unidades das Forças Armadas da Ucrânia abandonaram o arsenal contendo:

  • quantidade de munição para artilharia de barril;
  • morteiros e múltiplos sistemas de foguetes de lançamento;
  • armas de defesa aérea;
  • munição para múltiplos sistemas de foguetes de lançamento com ogivas de cluster”;
  • nos hangares, além de munições soviéticas, minas e cartuchos de produção norte-americana, israelense e europeia.

O líder checheno Ramzan Kadyrov, divulgou que a cidade de Rubezhne, da República Popular de Lugansk, finalmente ficou sob o controle das tropas russas.

Só mesmo um partido insano como o PSTU para colocar militantes em tamanho risco de vida e biográfico por apoiar os nazistas, que não representam a classe trabalhadora, mas, o imperialismo, que utiliza a extrema-direita, que proibiu o comunismo, o uso da cor vermelha, o uso da língua russa e a de tudo o que é proveniente da Rússia, até mesmo aplicando “sanções” à Rússia desde o Euromaidan.

Cirúrgica: Operação russa na Ucrânia não evitou fratura exposta do imperialismo

O PSTU pode lamentar, pois a resistência ucraniana não existe. O que tem, de fato, é o Biden manipulando a Ucrânia juntamente com os nazistas.

A operação militar russa na Ucrânia levou o imperialismo à fratura exposta. A radiografia revelou, além de dilaceração, traumatismos em diversas regiões ucranianas. Essa situação colocou o imperialismo em desespero diante das vitórias russas. Diante do diagnóstico, qual é a nossa avaliação?

A campanha russa é irretocável. O confronto militar, a última ação diante da opressão imperialista, vem sendo executada com cumprimento de todos os objetivos propostos pelo Kremlin, quais sejam: 1) promover a soberania e independência dos povos russos das Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk; 2) atuar militarmente para a desnazificação das regiões do Donbass, cercanias da Crimeia e de Odessa (Nova Rússia); 3) Desmilitarização dos Batalhões Azov e C14 em toda a Nova Rússia; 4) por último, adjacente à desmilitarização, o desarmamento e desinstalação dos equipamentos logísticos, tais como bases militares, portos, aeródromos, aeroportos e bunkers.

A Rússia atacou seu vizinho após o fracasso da Ucrânia, em implementar os termos dos Acordos de Minsk, assinados em 2014. O Protocolo de Minsk, intermediado pela Alemanha e pela França, foi projetado para dar às regiões separatistas status especial dentro do Estado ucraniano, o que acabou não acontecendo, pois a Ucrânia, incitada pelo imperialismo, continuou a tentativa de retomada das repúblicas para impor seu regime nazista.

Diante da ameaça permanente de invasão do imperialismo em território russo, a ação militar na Ucrânia é um norte a ser seguido pelos países oprimidos, consequentemente aos operários de todo o mundo, pois não será por milagre ou espontaneísmo das massas, que o regime de opressão será derrubado, por isso os trabalhadores devem apoiar a Rússia. Os trabalhadores devem ter uma orientação clara de que o regime político é sustentado pelos Estados imperialistas, liderado pelos Estados Unidos.

A essa altura dos acontecimentos resta apenas um alvo da Rússia em Mariupol – a usina de Azovstal – onde militares ucranianos estão utilizando as estruturas de bunkers e caminhos subterrâneos construídos durante a URSS.

Os militares forçados a resistir na Usina, servem aos objetivos de Kiev de receber mais armamentos advindos dos países aliados da OTAN, além do recebimento de mais US$800 milhões dos Estados Unidos provavelmente à fundo perdido – em termos de guerra -, pois os militares ucranianos mais experientes e treinados já se renderam ou desertaram.

Isso coloca a iminência do desembarque de tropas da OTAN e de novas convocações à reservistas ucranianos, rasgando o artigo quinto da organização militar atlanticista, que diz: “As Partes concordam em que um ataque armado contra uma ou várias delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque a todas”.

A Ucrânia não pertence à OTAN e não pertencerá, assim como não fará parte da União Europeia, pois o país encontra-se em ruínas, tanto em suas infraestruturas no Leste do país, como na economia. A fome e a miséria toma quase todo o país e grande parte dos trabalhadores entram diariamente na fila de refugiados.

O imperialismo tem consciência da situação e avança em estratégia de guerra psicológica, organizando terroristas, legiões e sanções, que vêm sendo neutralizadas com relativa desenvoltura, diante da quantidade de ataques aos russos. A guerra assimétrica dos russos tem levado o efeito de desespero ao imperialismo, que já coloca o mundo à beira de uma debacle.

A precisão da operação também se manifesta pela visão do Kremlin, que afirma que não atacará a zona industrial dos territórios a serem libertos, preservando as forças produtivas para o povo da Nova Rússia. Provavelmente, o Kremlim vislumbra uma “primavera novorussa”, com diversas regiões se integrando às Repúblicas separatistas, ou mesmo proclamando independência.

Em Rozovka foi realizado um referendo pela integração da região, à República Popular de Donetsk, e, na região de Carcóvia, também está sendo proposto um referendo ou votação sobre o futuro da região. Por isso, o Kremlin e seu Ministério da Defesa, consideram ineficiente um ataque de grandes proporções, bem como tentar a captura de nazistas em bunkers. Essa conduta russa visa preservar as tropas russas e sufocar os nazistas a partir do cerco à zona industrial, evitando a morte de civis. A etapa final conta com ataques de mísseis e artilharia russas, que acertam, em média, mil alvos militares por dia, com poucas baixas civis e até mesmo militares.

A ação militar russa colocou todo o imperialismo rendido, demonstrando a decadência do regime político, pois a Rússia, oprimida por décadas, lançou-se ao campo de ataque, demonstrando aos trabalhadores, proximamente ao 1º de maio, que o ataque, em muitos casos, é a melhor defesa.

*A opinião dos colunistas não refletem necessariamente a opinião deste Diário

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