HAMBURGUER_1
SHARE

São Paulo: vermelho marcou presença em ato por “Fora Bolsonaro”

Anterior
Próximo

Castillo x Keiko Fujimori

Peru: burguesia aposta no fascismo para evitar esquerda no poder

Eleição polarizada no país andino, um sintoma da situação continental

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Peru polarizado entre a esquerda e o fascismo – Foto: Geraint Rowland/Néstor Soto Maldonado

Publicidade

No Peru, pesquisa realizada pela Datum Internacional a menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 6 de junho, mostra o candidato de esquerda Pedro Castillo como o favorito do eleitorado peruano, com 45% das intenções de voto. Por sua vez, Keiko Fujimori, filha do ditador fascista Alberto Fujimori que governou o país de 1990 a 2000, tem 40%.

Golpe seguido de fascismo: a semelhança com o Brasil de 2018

A situação política no Peru é muito parecida com a do Brasil de 2018, o país andino sofreu um golpe de Estado que derrubou o presidente Martín Vizcarra em 2020 sob a alegação de corrupção, sendo retirado do cargo sem que investigações conclusivas tenham sido feitas e enquanto ainda tramitava um processo judicial no Tribunal Constitucional do país.

Após o golpe seguiu-se uma série de manifestações violentas que levaram a uma forte tendência popular à esquerda e a rejeição completa de qualquer candidatura da direita tradicional. Sem conseguir tornar viável um político burguês tradicional, a burguesia peruana decidiu apoiar massivamente a candidata de extrema direita. A campanha dos capitalistas peruanos e do imperialismo visa evitar a todo custo uma vitória da esquerda. Para isso, usam seu aparato de imprensa e poder econômico para eleger Keiko Fujimori e fomentar uma campanha de incriminação da esquerda, do socialismo e do comunismo, acusando o moderado Castillo de ter vínculos com o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso e de querer transformar o Peru em uma Venezuela.

Burguesia e imperialismo rechaçam a esquerda, mesmo que moderada

Apesar de Castillo ser um político extremamente moderado, tanto a burguesia quanto o imperialismo temem a sua eleição, uma vez que o Peru vive uma crise política e social gigantescas com potencial para levar a uma radicalização na mobilização das massas. As manifestações que tomaram conta do Peru no final de 2020 acabaram sendo canalizadas para a candidatura de Castillo. Keiko Fujimori, assim como Bolsonaro no Brasil, não seria a primeira escolha da burguesia, contudo diante da falência do regime político ela foi a única opção com chances de derrotar Castillo.

Uma forte indicação de que o imperialismo fez sua escolha pela extrema-direita vem do posicionamento de um de seus expoentes mais fieis no país, o escritor Mario Vargas Llosa, ganhador do prêmio Nobel de literatura em 2010, que há anos deixou de ser um simples escritor para se transformar em um importante articulador da direita tradicional peruana e do imperialismo na América Latina. Apesar de ser declaradamente antifujimorista, Llosa afirmou que Castillo pretende criar uma “sociedade comunista” e que apenas a filha do ex-ditador Alberto Fujimori pode salvar o Peru de uma “tragédia”. Declarando voto na candidata fascista, o escritor disse que Keiko seria para ele o “mal menor”.

Mentiras e chantagem, as armas da direita

A tentativa de vinculação de Castillo a uma esquerda radical também é muito arbitrária. Castillo é tido como um conservador nos costumes, ele é contrário à legalização do aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo. Também se opõe ao enfoque de gênero no currículo escolar, seja lá o que isso signifique.

No último dia 23 de maio, ocorreu um ataque em um bar na região do Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro, no centro do país, que a imprensa burguesa rapidamente atribuiu ao Sendero Luminoso, grupo de orientação maoista surgido nos anos 1960. Segundo a polícia peruana, foram encontrados perto das vítimas folhetos identificados como do “Militarizado Partido Comunista del Perú”, que reúne os militantes do Sendero Luminoso.

O ataque veio em momento oportuno para reforçar o clima antiesquerdista promovido pelas forças de direita, justamente dias antes da eleição. A campanha de Keiko conta com o empenho da impressa em pintar Castillo como um elemento radical, e martelar dia e noite a campanha contra o Sendero Luminoso, como fez a Globo no Brasil na ocasião do golpe de 2016 com sua campanha sobre a microcefalia, a dengue e “caos” na saúde.

Ninguém assumiu a autoria do ataque até o momento, o que lembra muito o episódio do sequestro do empresário Abílio Diniz no Brasil em 1989, quando a imprensa afirmou que material de propaganda política do PT teria sido encontrado junto com os sequestradores. Na ocasião, o delegado Romeu Tuma assegurou que os sequestradores seriam terroristas e integrariam duas organizações de extrema esquerda no Chile – Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) e Organização de Resistência Armada (Ora) e que em poder dos que foram presos foi apreendido material de propaganda política do PT. Mais tarde tudo foi desmentido, mas aí a mentira já havia cumprido o seu papel eleitoral contra a candidatura de Lula.

Uma lição a ser aprendida

O que ocorreu no Brasil em 2018 e que agora se repete no Peru mostra que para evitar que a esquerda volte ao poder e para manter um regime favorável à exploração golpista, o imperialismo não vê problemas em apoiar fascistas e ditadores, desde que seja um ditador amigo. Mais uma vez, os fatos mostram que não existe o burguês do bem, Biden assim como Trump, ou pior ainda que este, é um imperialista e antidemocrático, que apoia o fascismo no Peru hoje e não verá problema em apoiar mais uma vez o fascismo no Brasil em 2022.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

A você que chegou até aqui,

agradecemos muito por depositar sua confiança no nosso jornalismo e aproveitamos para fazer um pequeno pedido.

O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

Diferentemente de outros portais, mesmo os progressistas, você não verá anúncios pagos aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos de maneira intransigente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Trabalhamos dia e noite para que o DCO cresça, se desenvolva e seja lido pelas amplas massas da população. A independência em relação à burguesia é condição para o sucesso desta empreitada. Mas o apoio financeiro daqueles que entendem a necessidade de uma imprensa vermelha, revolucionária e operária, também o é.  

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com valores a partir R$ 20,00. Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.