“Assembleia Constituinte!”
Classe operária e juventude peruanas saem às ruas contra o golpe e a dominação imperialista
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Protesto no centro de Lima, em 17 de novembro | Foto: Samantha Hare

A tendência da população na América Latina é, definitivamente, a mobilização. Desde o ano passado temos visto grandes revoltas no Equador, Haiti, Bolívia e Chile. A novidade agora é o Peru.

Em uma ação que pegou de surpresa todos os analistas e mesmo a esquerda foi o gigantesco levante popular contra o golpe recém-implementado no país. No início deste mês, o presidente Martín Vizcarra foi vítima de um impeachment fraudulento. Mesmo sendo um burocrata direitista e neoliberal, ele tinha um grande apoio popular desorganizado.

Na verdade, a insurreição que tomou lugar no Peru tem antecedentes na própria crise política que o país vive nos últimos anos.

Após a ditadura de características fascistas de Alberto Fujimori (1990-2000), a política do país teve uma certa estabilidade. O sucederam Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynsky (2016-2018).

A desestabilização golpista começou em 2015, no mandato de Humala. Este foi um dos presidentes da chamada “onda progressista” no continente, um militar de esquerda que chegou a ser comparado com o general Velasco Alvarado e fundador do Partido Nacionalista Peruano.

Humala teve 65% de aprovação no início de seu mandato, mas desapontou completamente a base social popular ao fazer uma política extremamente moderada e direitista. Saiu do governo com 13% de aprovação.

Mas isso se deveu também à política golpista que o imperialismo começou a implementar no Peru, após tê-la iniciado na América Latina com o golpe em Honduras em 2009 a partir da crise capitalista de 2008.

A campanha contra a corrupção foi levada a cabo quando o congresso criou a primeira Comissão Lava Jato, logo depois sendo criada uma segunda comissão, para investigar contratos em obras da Odebrecht que foram parte do crescimento da economia no período anterior. Essa comissão foi criada pelos departamentos de Justiça e de Tesouro dos EUA e teve o envolvimento do Ministério Público do Brasil.

Ela foi um pilar fundamental da trama golpista do imperialismo contra seus inimigos internos, mesmo que eles tivessem prestado grandes serviços a ele em tempos passados. Fez com que Kuczynsky renunciasse à presidência em meio a um processo de impeachment (cumpre prisão domiciliar até hoje). Fez com que Humala fosse preso junto com sua esposa e que sofram processos judiciais até a atualidade. Levou Alan García ao suicídio e Toledo à fuga do país, sendo preso nos EUA e aguardando extradição.

Vice de Kuczynsky, Vizcarra assumiu em 2018 e teve um sério embate com o congresso. Dissolveu o parlamento em 2019, que tentou derrubá-lo. Em 2020 foi eleito um novo congresso, que depurou a oposição fujimorista mas que também deixou o presidente da República sem base de apoio.

Agora, Vizcarra finalmente foi derrubado, acusado de ter recebido propina antes de ocupar a presidência, sob a desculpa esdrúxula de “incapacidade moral permanente”.

Com sua queda, assumiu Manuel Merino, um aliado do fujimorismo. Foi então que a população se levantou, cansada da onda de golpes e ataques da direita e do imperialismo. O povo, erguendo-se contra o golpe, derrubou Merino. No entanto, o congresso empossou em seu lugar um ex-funcionário do Banco Mundial e, embora idoso, um homem novo na política institucional: Francisco Sagasti, um representante do “centrão” peruano, neoliberal e pró-imperialista.

Os protestos não cessaram e as forças de repressão assassinaram ao menos três manifestantes além de desaparecer com mais de 40 pessoas durante os atos.

O povo peruano, no entanto, não retrocedeu. Aos gritos de “Fora Merino”, primeiramente, de “Abaixo o golpe” e, agora, exigindo uma Assembleia Constituinte, há um indício de que a situação pode degringolar para uma crise de características revolucionários, como vimos no Chile.

Uma parte da esquerda peruana, como a Frente Ampla, quer manobrar com a criação de uma Constituinte à chilena, ou seja, uma constituinte que estrangule a mobilização das massas e canalize o descontentamento popular para a via institucional, enterrando completamente as aspirações de verdadeiras mudanças dos peruanos. Um dos mais tradicionais partidos do nacionalismo latino-americano, o APRA, está integrado até a medula ao regime político apodrecido que o povo tenta derrubar.

Enquanto isso, o Sendero Luminoso foi quase varrido do mapa pela repressão da ditadura fujimorista e está completamente isolado das massas e da esquerda. A esquerda em geral, por sua vez, é praticamente nula no Peru, há muitos anos. O povo está nas ruas expressando, também, a crise de direções da esquerda, em um levante espontâneo. É preciso ignorar as manobras que a esquerda institucional e setores da burguesia começam a esboçar, de chamar uma Constituinte fajuta, para organizar as forças populares e exigir uma verdadeira Assembleia Constituinte sem os partidos do regime, controlada pelas organizações dos trabalhadores, que modifique de fato e profundamente o regime político existente.

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