Crise se aprofunda
Governo teme caminhoneiros e joga a conta sobre a população, finge taxar bancos e não garante preço dos combustíveis

Por: Redação do Diário Causa Operária

O anúncio da greve dos caminhoneiros mexeu com os planos do ministro da economia, Paulo Guedes, porque o presidente da República (fruto do golpe e da prisão de Lula) acabou reagindo para não deixar que começasse um efeito dominó em sua queda de popularidade, e isso afetasse neste momento qualquer chance de sua reeleição em 2022. Segundo analistas políticos burgueses, é a única coisa que ele pensa mais seriamente, na próxima eleição.

A saída do presidente da Petrobras e a nomeação de mais um general do Exército, sem qualquer experiência na área, acabou mostrando uma crise na condução da economia, colocando Bolsonaro aparentemente em conflito com os ultra-liberais, que querem privatizar tudo e qualquer coisa. Representando os ultra-liberais, o PSDB chegou a criticar o “intervencionismo desnecessário e condenável” na economia, nominando-o como “falso liberal”(UOL, 22/2/21). Com a indicação do general Silva e Luna, que foi ministro da Defesa do golpista Temer, os militares já controlam “mais de um terço das estatais federais com controle direto da União” (Folha de S.Paulo, 23/2/21).

A movimentação de troca da presidência da Petrobras foi meramente de cunho eleitoral. Bolsonaro chegou a roubar o lema o petróleo é nosso, pronunciado por Getúlio Vargas em 1954 na Bahia, para mostrar apoio aos caminhoneiros. A reação dos grandes investidores e rentistas foi a de mexer com a Bolsa de Valores, fazendo com que a venda de ações produzisse uma queda de 20% nas ações da Petrobras e uma correspondente perda de 100 bilhões de reais em uma semana. (Seu Dinheiro, 22/2/21).

O ministro da Economia, por seu turno, continuou a defender a política de privatização total e comparou a mexida na Petrobras a políticas adotadas na Venezuela e Argentina. Com isso, quis mostrar aos capitalistas que a intervenção do presidente da República não são favas contadas e que o entreguismo continuará. (Brasil 247, 2/3/21).

Para fingir reduzir o preço do diesel nas bombas, o governo baixou um decreto que “zerou” as alíquotas do PIS/Cofins sobre o diesel e o gás de cozinha (G1, 1/3/21). Para compensar essa perda de receita anunciou que aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida pelo setor financeiro. A alíquota atual é de 20% e o governo anunciou a pretenção de aumentar para 23%. Logo após o anúncio, as ações dos principais bancos registraram uma queda de 3%. (InfoMoney, 1/3/21)

Essa movimentação conseguiu, momentaneamente, arrefecer os ânimos dos caminhoneiros, mas a política de preços da Petrobras continua a mesma. Só em 2021 a empresa já majorou os preços 5 vezes. A ex-presidenta Dilma Rousseff afirmou que o “aumento dos combustíveis é extorsão do povo brasileiro” que ameaça a soberania nacional. (DCO, 1/3/21)

A Federação dos Bancos reagiu ao anúncio de aumento da CSLL dizendo que aceita essa medida, mas que ela tem que ser “temporária e circunstancial”, como afirmou o presidente da Febraban, Isaac Sidney. (Valor, 2/3/21). Os bancos foram o setor que mais ganhou com a pandemia, ganharam nas gigantescas diferenças entre as taxas de juros pagas e as cobradas, ganharam nas transferências diretas da União que foram acima de 1,2 trilhão de reais em março de 2020 (ACD, 1/7/20), ganharam tendo os empréstimos que fizeram a pequenas e médias empresas em 2020 sendo garantidos do Tesouro Nacional (isso se chama capitalismo sem risco, os lucros são apropriados pelos bancos e os prejuízos repassados a sociedade), conseguiram repassar ao Banco Central mais de R$ 970 bilhões em títulos podres, sem valor (RBA, 20/9/20) e continuam avançando sobre o orçamento da União e o Tesouro Nacional. Recentemente conseguiram passar no Congresso Nacional a lei da “independência” do Banco Central, que dá o controle aos agentes financeiros privados e protege os diretores de suas falcatruas (Brasil de Fato, 10/2/21).

O Brasil continua sendo um dos países com maior expropriação feita pelo capital financeiro. Isso é mostrado nos balanços que acusam gigantescos lucros recorrentes, mesmo em meio as crises financeiras mundiais, como na dependência brutal de toda economia aos bancos.

Em meio a essa aparente crise causada pela mudança da presidência da Petrobras, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou que a pretensa recuperação da economia, propagandeada pelo ministro da Economia e sua equipe de fake news na verdade não está existindo. “Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), 7 das 13 principais atividades da oferta e da demanda, incluindo o consumo das famílias, encerraram 2020 abaixo do patamar do final de março do ano passado”.

Praticamente todos os setores fecharam o ano com índices negativos. (G1, 2/3/21) Só em 2020, 75.000 estabelecimentos comerciais fecharam suas portas, sendo que 98,8% deles correspondem a micro e pequenas empresas que deixaram de existir e empregar. (DCO, 1/3/21). Esse é o resultado natural da política dos golpistas, que pretendem acabar com todo o patrimônio nacional e destruir a economia do Brasil.

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