Parasitismo social
Capital financeiro promove maior saque do país em sua história

Por: Redação do Diário Causa Operária

Nesta quinta (25), o Banco Central divulgou que as pessoas físicas pagaram em média juros de 39,4% ao ano em janeiro, enquanto as empresas pagaram em média 15,2% ao ano. Isso sem falar no que é cobrado no cheque especial, que chegou a 119,6% ao ano e no rotativo do cartão de crédito, que chegou a 342,2% ao ano! Não tem país no mundo que cobre essas taxas. Enquanto a taxa básica de juros está em 2% ao ano, os bancos cobram taxas abusivas e roubam descaradamente de seus clientes alegando que é muito arriscado emprestar dinheiro no Brasil.

Enquanto os bancos arrecadam pagando zero de juro (depósitos à vista) ou a taxa básica de 2%, emprestam por 39% e podem chegar a arrecadar até os 342% do cartão de crédito. Isso é um roubo descarado. E não dá para alegar que não recebem dos clientes. Na verdade, a inadimplência (atrasos acima de 90 dias) das pessoas físicas está em 4,1%, enquanto que a inadimplência das empresas mal chega a 1,6%.

Além da apropriação indevida de diferenças enormes nas taxas de juros, além de ganharem com salários aviltantes que pagam aos bancários, além de prestarem serviços ruins e que pioram com a demissão em massa dos bancários, os bancos brasileiros estão desenvolvendo artimanhas golpistas que acabam tornando o setor público refém de dívidas eternas.

Uma dessas artimanhas se chama securitização de créditos públicos. Um esquema que o projeto de lei 459/17 pretende legalizar. É um esquema de empréstimo com base na antecipação de receitas que serão devidas no futuro. O empréstimo feito é pequeno em relação à dívida contratada e que desaparece nas prestações de contas por várias artimanhas. (Auditoria Cidadã da Dívida, 21/10/19)

Os lucros exorbitantes dos bancos acabam sendo publicados mês a mês e chocam qualquer inteligência que tenha conhecimento deles. Mas a imprensa burguesa trata de fazer com que a população esqueça logo desse “detalhe”, transformando-os em coisas normais.

No entanto, o Brasil é um dos países onde o capital financeiro tem seus maiores ganhos. Enquanto o Santander anunciou prejuízo de 8,7 trilhões de Euros em 2020 na Europa. No Brasil, só no quarto trimestre do ano passado o lucro do Santander foi de R$ 512,5 bilhões, representando uma alta de 4,4% em relação ao trimestre anterior. (InfoMoney, 3/2/21)

A crise financeira de 2008 mostrou o esgotamento do capitalismo, que só consegue sobreviver com a instalação de processos de superexploração dos trabalhadores e dos países atrasados. É isso que se observa no Brasil com a ação dos bancos nacionais e estrangeiros, seus lucros exorbitantes e suas formas predatórias de agir sobre o orçamento público e sobre as economias das pessoas físicas e das empresas.

O Brasil é o paraíso dos bancos. Ganham dinheiro de todo jeito. Exploram seus clientes, ganham na intermediação de taxas de juros altas, não pagam pelos depósitos nas contas, mas recebem do Banco Central por esse mesmo dinheiro. Nas crises são os primeiros a ganhar com transferências governamentais, como os 1,5 trilhão de reais que receberam em março do ano passado.

A única forma de garantir um processo de desenvolvimento econômico no Brasil é a estatização do sistema bancário e financeiro. Enquanto os bancos tiverem total liberdade de ação o Brasil, o povo será endividado e extorquido.

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