Secretário de Doria
Por que a esquerda não abre a boca para denunciar a política criminosa de Doria?
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Marcos Boulos, coordenador do Controle de Doenças da Secretaria da Saúde | Arquivo.

Durante as eleições, Guilherme Boulos (PSOL) foi questionado sobre a participação política de seu pai, Marcos Boulos, no Centro de contenção do coronavírus do governo de São Paulo. Boulos pai ocupa também o cargo de Coordenador do Controle da Secretaria da Saúde do Estado. Cargo de confiança do governo João Dória.

O questionamento, logicamente, era e é pertinente, afinal de contas mostra, mesmo que do ponto de vista da relação familiar, uma ligação de Guilherme Boulos, que se apresenta como um esquerdista radical, com altos cargos no governo tucano.

Guilherme Boulos poderia, sem ser indelicado com o pai, ter criticado e marcado posição contrária à política levada pelo governo tucano, que naquele momento e até hoje, é responsável pelo maior índice de mortos pela Covid-19 no País. Poderia, ainda, ter simplesmente mostrado que não tem nenhuma concordância política com o pai. Simples assim! Em última instância, ninguém é responsável pelo que faz seus familiares. Mas a resposta de Guilherme Boulos, na época, ao invés de se distanciar do governo do PSDB, do qual seu pai faz parte, acabou o aproximando.

Boulos se sentiu nitidamente incomodado pelo questionamento e saiu em defesa de seu pai: “ele é funcionário de carreira”, ele foi “diretor da Faculdade de Medicina da USP”. Ou seja, seu pai ocupa tais cargos por simples competência, não por qualquer afinidade política com o governo.

Quem somos nós para avaliar a competência de Marcos Boulos, mas independente disso, ao justificar o cargo de seu pai como sendo produto de sua competência como profissional da área, Guilherme Boulos está automaticamente afirmando que o governo Doria e o PSDB escolhem seus cargos baseados na competência e não na confiança política. Ou Marcos Boulos é o único caso em que a burguesia escolhe o mais merecedor e competente para ocupar um alto cargo (e Boulos deveria explicar porque a exceção) ou o governo Doria é tão sério na sua política de combate ao coronavírus que escolheu representantes independentemente da sua confiança política. Como não somos ingênuos, nem temos interesse em esconder as coisas, é preciso falar o óbvio: Marcos Boulos é um elemento de confiança dos tucanos.

Mais uma vez, a esquerda a reboque da direita

A esquerda pequeno-burguesa, que nesse momento está tão imbuída em defender a política de João Doria sobre a vacinação, simplesmente se esqueceu que o mesmo Doria é o responsável pelo maior índice de mortes pelo coronavírus entre os estados da nação.

A esquerda que decidiu pelo apoio do candidato de Rodrigo Maia (DEM) na Câmara Federal e que chamou o voto em Eduardo Paes (DEM) como o “mal menor” nas eleições municipais. A mesma  esquerda que caiu na propaganda enganosa do “fique em casa” para elogiar Doria como um “governador científico e civilizado” contra Bolsonaro. Agora, essa esquerda faz campanha pela vacinação obrigatória do povo e vira as costas para a política genocida de João Doria ao obrigar alunos, professores e funcionários a voltarem às aulas presenciais.

Essa reação, ou a falta de reação, da esquerda mostra que ela está sendo orientada pela direita tradicional. O que a imprensa golpista disser, a esquerda prontamente defende. Como os golpistas não querem que o decreto de retorno às aulas em São Paulo seja criticado, só há elogios ao “salvador da vacina” João Doria, a esquerda simplesmente não critica nem denuncia a política genocida.

As justificativas de Guilherme Boulos sobre a presença de seu pai no governo tucano mostram ainda que não é apenas uma afinidade ideológica que coloca a esquerda a reboque da direita. Trata-se também de relações ainda mais diretas. A frente ampla com o PSDB e o DEM revelam a proximidade e o compromisso da esquerda com essa direita.

Volta às aulas: o que diz Boulos?

Doria decretou que as aulas em todos os níveis devem ser retomadas presencialmente independente das fases de gravidade da pandemia a partir de 1º de fevereiro.

A decisão antecipada coloca em risco não apenas estudantes, mas principalmente familiares, professores e funcionários das escolas. O governo tucano está finalmente cedendo aos capitalistas que não conseguem mais sustentar mais dias sem aulas.

Além da pressão direta dos capitalistas do ensino privado, há também a necessidade de retomada das atividades sociais e econômicas no estado. O movimento dos estudantes nas ruas representa uma movimentação financeira da qual os capitalistas dependem para tentar recuperar os prejuízos da quarentena.

Sobre a política de João Doria não vimos uma palavra de Marcos Boulos. Talvez, sendo coordenador do Controle de Doenças da Secretaria da Saúde, ele tenha dado aval ao retorno às aulas.

Aparentemente, se Boulos pai dá aval para o retorno às aulas, o filho Guilherme Boulos também não tem nenhuma crítica sobre o decreto de Doria.

Mas Boulos não é o único da esquerda em silêncio sobre a política de Doria. Não há nenhuma campanha contra o decreto do governador tucano por parte da esquerda, que está mais preocupada em fazer aliança com Rodrigo Maia do DEM.

O silêncio tanto do pai quanto do filho dificulta saber qual é exatamente a posição de Marcos Boulos sobre o decreto de Doria. Mas uma coisa é certa, vale o ditado popular: “quem cala, consente”, mas sabemos que pelo alto cargo exercido por Marcos Boulos é impossível que ele não tenha falado nada.

A não ser que Marcos Boulos saia do governo Doria, denunciando o que está acontecendo, o mais lógico é acreditarmos que ele dá aval ao retorno das aulas.

Guilherme Boulos, que não tem cargo no governo do PSDB, também não fala nada, o que mostra que a defesa que fez de seu pai o coloca em afinidade com ele e com a própria política que Doria leva adiante no governo do estado.

Guilherme Boulos talvez lance mão de acusações de “fake news” como fez na época das eleições para defender a posição política de seu pai. Mas seria preciso dizer que antes de se preocupar em defender um representante do governo tucano, Boulos deveria se preocupar em denunciar a política de volta às aulas, que colocará em risco milhões de pessoas entre estudantes, funcionários, professores e seus familiares.

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