Cinco filmes sobre a ditadura militar

Neste dia 31 de março os militares pretendem comemorar os 55 anos do golpe militar dado em 1964. Em resposta, os movimentos, partidos de esquerda e outras organizações estão promovendo atos em todo Brasil contra essa celebração, pelo fora Bolsonaro e pela liberdade de Lula.

Porém, é preciso denunciar como foi a ditadura militar brasileira, que a imprensa golpista encoberta e a historiografia oficial busca dar outros aspectos daquilo que foi a mais tenebrosa era política do Brasil. Nesse sentido, alguns filmes se prestaram ao trabalho de mostrar como eram sinistros os anos de chumbo.

O dia que durou 21 anos

Este filme, conforme coluna recente do companheiro João Dorta, publicada no site causaoperaria.org.br, conta de maneira mais direta a participação do governo norte-americano no golpe de Estado.

“O apoio dos EUA era evidente. A Câmara do Comércio norte-americano que reúne a nata do empresariado norte-americano declarou que apoiava incondicionalmente o AI-5. Ou seja, a repressão e tortura contra o povo brasileiro”, diz o colunista.  

Cidadão Boilessen

Esse filme mostra como o golpe de Estado e suas torturas e assassinatos tiveram as mãos dos empresários, que se fartaram às custas do terror imposto contra o povo brasileiro.

Boilessen era presidente do grupo Ultra, dos botijões de gás Ultragás. “O empresário teve participação direta na OBAN, Operação Bandeirantes. Organização clandestina e repressiva criada em São Paulo para combater o movimento armado. Foi o embrião do que viria a ser o DOI-CODI, criado em 1971”, trecho extraído da coluna já mencionada.

Barra 68 – Sem perder a ternura

A ditadura brasileira teve preocupação especial com as universidades brasileiras, e não foram poucos os casos de invasão, torturas contra estudantes e ataques contra os militantes do ensino superior.

Este filme retrata a invasão da Universidade de Brasília (UnB), promovida em agosto de 1968. Durante a invasão, centenas de pessoas foram detidas, dezenas foram levadas presas e uma pessoa foi baleada. Personagem central dessa história, e que hoje leva o nome do Diretório Central dos Estudantes da UnB, foi Honestino Guimarães, preso nessa operação, e preso novamente em 1973 para nunca mais ser visto.

Pra frente Brasil

Filme de 1982, e é considerado um dos primeiros filmes a retratar a tortura e o horror da ditadura militar brasileira. O filme mostra que a tortura não era apenas para militantes da esquerda, pelo contrário, qualquer pessoa poderia ser considerada subversiva apenas por ter alguma relação com alguém da esquerda, mesmo que fosse apenas uma suposição.

O título do filme faz referência à copa de 1970, na qual o Brasil se sagrava tri-campeão do mundo, e, em uma das cenas de tortura, ao fundo é possível ouvir gols da seleção. Mostra que os militares não ligavam nem para a Copa do Mundo para levar adiante suas sessões de tortura.

Cabra marcado para morrer

O filme-documentário trata de José Pedro Teixeira, liderança camponesa assassinada em 1982 pelas forças de repressão do Estado. O filme chegou a ser interrompido, com a prisão dos organizadores sob a acusação de comunistas, sendo retomadas as gravações 17 anos depois.

Esses foram alguns títulos para que se possa compreender minimamente o que foi a Ditadura Militar brasileira. Outros filmes foram feitos e certamente ganharão destaque neste Diário Causa Operária em uma oportunidade próxima.