Desemprego aumenta
Desemprego recorde e milhões de trabalhadores na miséria, esse é o resultado da política capitalista
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Indústria naval demite milhares de trabalhadores que jamais vão conseguir retornar a atividade. | Foto: Reprodução

A cada semana cai o número de pessoas que estão ocupadas, quer estejam elas em empregos forais, informais ou parciais. Segundo o IBGE, na semana de 24 de junho a 4 de julho, estavam ocupadas 81,8 milhões de pessoas, o que representa 48,1% das pessoas em idade de trabalhar, ou, visto de outro ângulo, 51,9% das pessoas em idade de trabalhar estão desempregadas. Um mês antes havia 83,9 milhões de pessoas ocupadas. Em um mês, 2 milhões e 100 mil pessoas se juntaram ao exército de desempregados brasileiros (Estado de Minas, 24/7/2020).

O IBGE considera como desempregados as pessoas que na semana da pesquisa estavam procurando emprego e não acharam. É uma metodologia internacional mas que representa uma distorção enorme, especialmente em países atrasados e pobres. Os desempregados que não foram procurar emprego naquela semana são chamados de desalentados. Uma situação que era até possível se considerar em países desenvolvidos e que tivessem forte sistema de amparo social. Atualmente, a maioria dos países que já passaram algum dia por essa situação, já perderam ou estão destruindo o sistema de amparo social. Quem ainda não viu, é bom assistir o filme “Eu, Daniel Blake”, um filme de 2016, dirigido por Ken Loach, que se passa na Inglaterra já dominada pelos valores do neoliberalismo que trata os trabalhadores como lixo social, sem qualquer direito.

No Brasil, sempre foi um absurda a metodologia do IBGE para verificar o número de desempregados, por isso, a classe trabalhadora nunca acreditou muito nesses números, pois sabia que representavam sempre uma fração da realidade. Os desempregados no brasil sempre foram muito mais que o IBGE anunciava. No mês passado, mostramos que a soma do número de desempregados e de pessoas fora da força de trabalho (87,6 milhões) superou o de ocupados no país (85,9 milhões)” (DCO, 1/7/2020).

A nova pesquisa do IBGE mostra que essa situação se repete neste mês, o número de pessoas ocupadas em relação às que podem trabalhar está novamente no menor patamar da série histórica (Folha de S.Paulo, 24/7/2020).

O IBGE não conta como desempregados os 76,8 milhões de trabalhadores que considera fora da força de trabalho, apesar que esse contingente fornece grande parte da mão-de-obra quando há alguma retomada econômica. Isso significa, que esse contingente deveria sim ser considerado na conta de qualquer país para saber o número de desempregados, pois além de tudo, representam uma força alimentada pelo capitalismo para forçar a queda de salários e a destruição de direitos, o famoso “se você não aceita esse salário e essas condições, há milhões na fila de espera para ocuparem o seu emprego”.

Olhando a partir do interesse dos trabalhadores, temos na verdade 88,3 milhões de pessoas desempregadas. Um pouco mais da metade da força de trabalho nacional. Pessoas que nem no mercado informal estão conseguindo alguma chance, pois até mesmo o mercado informal tem diminuído. A taxa de informalidade caiu de 35,7% em maio para 34,2% em julho.

No início de julho, metade dos trabalhadores que estavam afastados do local de trabalho por causa da pandemia já haviam retornado ao trabalho. No início de maio eram 16,6 milhões que estavam de uma forma ou de outra afastados, e no início de julho esse número era de 8,3 milhões. Isso significa que os trabalhadores já estão sendo forçados a retornar ao trabalho, mesmo que a pandemia não tenha acabado, ao contrário, aumentou de maio para julho. É provável que a manutenção de um patamar alto de infectados e de mortes seja causada justamente pelo retorno prematuro desses trabalhadores.

A existência de 88,3 milhões de pessoas desempregadas é uma calamidade sem igual. A pobreza aumenta e mais rápido ainda a miséria e a fome. Grande parte dos empregos perdidos nesse período jamais vai ser reaberto novamente, são empresas que fecharam e não vão conseguir reabrir em um mercado que está transferindo parte de sua produção para o exterior, como é o caso da indústria naval, da indústria aeroespacial, e até de setores altamente empregadores como a construção civil, onde grandes empreendimentos pararam e vão ficar décadas deteriorando, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Trabalhadores que deram seu sangue a várias dessas empresas, trabalhando 15 ou 20 anos nesses setores, jamais vão conseguir retornar ao nível de emprego de antes, serão forçados a buscar outra atividade, eles e suas famílias empobrecerão, adoecerão e perderão anos e anos na labuta de permanecerem vivos.

Essa é a realidade que está se construindo no país. Essa a situação que impõe aos trabalhadores que se organizem, que fortaleçam seus sindicatos e a CUT, exigindo que essas organizações se mexam e retomem as lutas, que liderem movimentos e ações de enfrentamento real dos trabalhadores. Temos visto que banqueiros e grandes empresários têm conseguido aumentar seus lucros em meio a pandemia. Sim, estão mais ricos e ficarão ainda mais à custa do sofrimento e da miséria dos trabalhadores. É isso que a organização dos trabalhadores pode e deve barrar. Não é hora de titubear, nem de negociar a vida de milhões de trabalhadores em favor de migalhas para burocracias.

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