Lula preso há 18 dias, é preciso lotar Curitiba neste 1º de maio

Há 18 dias foi montado o acampamento permanente às portas da Sede da Polícia Federal no bairro de Santa Cândida em Curitiba, onde o ex-presidente Lula encontra-se encarcerado desde a madrugada do dia 8 de abril.

A ocupação chegou a ter mais de duas mil pessoas instaladas na região, pertencentes a diversos movimentos sociais e operários, encabeçados principalmente pelos militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A estrutura conta com cozinha, refeitório, posto de saúde, ambulâncias, ponto de doações, geradores de energia a gasolina e área para assembleias.

Com uma semana da ocupação, o prefeito de Curitiba, o direitista Rafael Greca (PMN-PR), mobilizou o judiciário e as forças de repressão para oprimir a mobilização tanto quanto pôde: no dia 12, obteve um interdito proibitório para afastar os militantes 200 metros do prédio – operação realizada de modo truculento pela tropa de choque; no dia 14, outro interdito judicial dava 24 horas para a remoção completa do acampamento. A solução encontrada foi o aluguel de terrenos no bairro, de modo a manter a pressão popular sobre o arbítrio da Polícia Federal. A mudança de local porém não foi pacífica, e um grupo fascista ligado à torcida organizada do Coritiba – Império Alviverde – chegou a atacar os acampados com barras de ferro no último dia 17, ferindo dois militantes do MST. O incidente comprovou que não é possível depositar qualquer confiança nas instituições para uma reversão do golpe e do estado de exceção que se aprofundam.

Os moradores do Santa Cândida em sua maioria vêm ajudando os acampados com água, sanitários, comida e empréstimo de tomadas para recarga de equipamentos. Uma das vizinhas, Regiane Santos, transformou o quintal de sua casa em cozinha comunitária e em que hoje almoçam cerca de 800 pessoas por dia. Regiane afirma: “Achava que eu era de direita, mas descobri que sou PT”. Este movimento solidário desmente o senso comum de que a população da capital paranaense apoiaria, majoritariamente a política fascista de Sérgio Moro – o Mussolini de Maringá – e os arbítrios da República de Curitiba contra as lideranças e organizações populares.

Além do apoio dos trabalhadores artistas e os próprios movimentos políticos vêm auxiliando na ocupação. Já no primeiro dia de acampamento, por exemplo, foi realizado um concorrido show da cantora Ana Cañas. No dia 13, o dirigente do PCO, Rafael Dantas, realizou a palestra-debate A luta contra o golpe, a prisão de Lula e a intervenção militar no Rio, com um público de dezenas de pessoas que discutiram a análise política do PCO.

A ocupação permanente de Curitiba tem um caráter de vanguarda, mas que por si só – em suas relativamente reduzidas dimensões – não demonstra uma mobilização capaz de mudar a correlação de forças políticas a favor dos movimentos populares. Por isso a resistência dos acampados ganhará um expressivo reforço no início da próxima semana: está programado um grande ato em Curitiba em 1º de maio – dia do trabalhador – quando militantes de todo o país rumam ao local para exigir a liberdade para Lula.

É dever de todos as organizações de esquerda do país a organização de caravanas rumo à capital paranaense. Somente com uma demonstração de força cabal pode-se pressionar decisivamente os golpistas. Somente com uma mobilização nacional é possível começar a organizar uma greve geral capaz de derrotar o golpe de estado em curso no Brasil.