General Heleno “nega” espionagem à Igreja Católica, mas se nega a falar sobre o assunto

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Da redação – O general fascista Augusto Heleno afirmou hoje (12) que só dará explicações sobre a espionagem que o governo ilegítimo realiza contra autoridades da Igreja Católica se for convocado a prestar depoimento sobre o caso na Câmara, ou seja, somente se for obrigado.

“Se fosse convidado [a depor], não. Se for convocado, serei obrigado a ir”, disse o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Essa posição, no entanto, entra em contradição com suas alegações de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – ligada diretamente ao GSI – não estaria espionando membros da Igreja Católica considerados “de esquerda” pelo governo de extrema-direita, como foi revelado pela imprensa nos últimos dias.

“A preocupação com o Sínodo é uma preocupação real porque algumas pautas são de interesse da segurança nacional. Então acaba preocupando a Abin e o GSI, mas em nenhum momento (tem a ver com) espionar alguém, monitorar alguém, algo com essa conotação.[…] Quem cuida da Amazônia brasileira é o Brasil, não tem que ter palpite de ONG estrangeira, de chefe de Estado estrangeiro. O Brasil não dá palpite no deserto do Saara, no Alaska”, disse Heleno.

A espionagem tem como objetivo divulgado pela imprensa a obtenção de informações para tentar conter a pauta supostamente progressista e alinhada com o PT no Sínodo da Amazônia, que será realizado em Roma em outubro.

Mas o objetivo é muito mais profundo do que isso. Trata-se de um esquema generalizado, implementado amplamente pela Abin e pelo GSI – sob total domínio dos generais de extrema-direita – desde o governo Temer e ainda mais no governo Bolsonaro, para espionar, perseguir e reprimir qualquer organização que tenha ligações com as classes populares, como é o caso de diversas entidades católicas ligadas aos sem terra, por exemplo, embora tenham uma política extremamente moderada e, em última instância, estranha aos interesses dos trabalhadores.

Trata-se de um governo que coloca em prática um Estado policial, com cada vez mais poderes para os generais e os serviços de segurança.

Leia a entrevista: “O general Augusto Heleno é a mente pensante por trás de todo o projeto de Bolsonaro”