Fraude: STF proíbe 3,4 milhões de eleitores de Lula de votarem

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Conforme noticiado na quarta (26), o Supremo Tribunal Federal manteve o cancelamento de 3,4 milhões de títulos de eleitor devido a ausência de cadastramento biométrico. A decisão havia sido informada na segunda (24) pelo Tribunal Superior Eleitoral, após realizar o recadastramento dos eleitores entre 2016 e 2018 em diversos locais do país. Mais da metade dos títulos, cerca de 54%, são de pessoas das regiões Norte e Nordeste: justamente onde a esquerda e Luiz Inácio Lula da Silva possuem maior votação. Aqueles que não recadastraram os títulos são justamente os moradores de regiões remotas, cujo deslocamento à sede dos municípios para realizar a operação burocrática é dificultoso.

Trata-se, evidentemente, de mais uma manobra de manipulação eleitoral dos golpistas. Primeiro, Eduardo Cunha realizou em 2015 uma reforma eleitoral cortando em um terço o período de campanha, e proibindo praticamente todos os meios populares de propaganda: faixas, cartazes, carros de som etc. O resultado se viu nas eleições municipais de 2016 e nas pesquisas das eleições gerais de 2018. A direita tem em suas mãos os meios de comunicação, que praticamente prestam assessoria de imprensa aos seus candidatos, invisibilizando e detratando ao máximo a esquerda. A direita tem dinheiro para impulsionar publicações em redes sociais e produzir convincente material de propaganda televisiva. A direita enfim domina amplos setores do poder Judiciário e do Ministério Público, a seu serviço para aplicar da maneira mais restritiva possível a férrea regulamentação eleitoral sobre a esquerda, fazendo vista grossa para os desvios das campanhas de direita. Enfim: para os amigos, tudo, para os inimigos, a lei.

Depois encarceraram Lula, disparado o candidato com maior intenção de voto. O ex-presidente está isolado numa masmorra em Curitiba, impedido de concorrer, impedido de dar entrevistas, impedido de fazer campanha, impedido até mesmo de articular a campanha de Fernando Haddad que, por direito, deveria ser a sua.

Em suas análises, o PCO vem desde 2016 que a via eleitoral não seria um caminho viável para derrotar o golpe. Os golpistas têm em suas mãos os Poderes da República e conduzem-no da maneira que mais lhes convém para atingir seus objetivos. Por isso o PCO insistiu na bandeira da anulação do impeachment de Dilma Rousseff enquanto era possível, evitando cair na armadilha das Diretas Já. Da mesma maneira, enquanto setores mais afoitos do PT se saíam com a campanha Lula 2018 ainda em 2016, o PCO lidava com o problema concreto que então já estava colocado: a questão da prisão de Lula.

O cancelamento de 2,4% dos 147,3 milhões de títulos de eleitores cadastrados, por isso, não é trivial. É algo que certamente gera consequências sobretudo nas eleições majoritárias. Basta lembrar que a diferença entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no segundo turno em 2014 foi de 3,5 milhões de votos. Há uma contabilidade eleitoral em jogo, que a burguesia controla na ponta do lápis.

Em vão o PSB apresentou uma ADPF (arguição de descumprimento de preceito fundamental) – apoiada pelo PT – junto ao STF pedindo a suspensão do cancelamento dos títulos. A relatoria do processo coube ao assumidamente golpista ministro Luís Roberto Barroso, que manteve a supressão dos direitos dos eleitores, no que foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Segundo o voto golpista de Cármen Lúcia, “a dez dias da eleição, decisão dessa natureza seria inviabilizar o processo. Seria desfazer tudo o que foi feito, e foi feito com base na lei”. Apenas Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio divergiram. Não sem uma forte dose de prurido burguês, em seu voto Lewandowski advertiu: “ante a opinião pública internacional, como é que vamos ficar?”.

O golpe avança, e demonstra à população que sem uma mudança real da relação de forças políticas não é possível derrotá-lo. Tal mudança só pode ser obtida com a mobilização e a organização da população para lutar por seus direitos. Os golpistas não entregarão o governo de volta a representantes dos trabalhadores de graça numa eleição completamente fraudulenta.

Além de acreditar e investir piamente no processo eleitoral, amplos setores da esquerda ainda cometem a imprudência de aderir a movimentos claramente controlados pela direita – como p #EleNão – que visa a demonizar o que chama de “extremos” (nominadamente o PT de um lado e Jair Bolsonaro do outro). Este movimento visa a, por um lado, redirecionar votos do PT para Ciro Gomes (PDT) e, por outro lado e principalmente, redirecionar o eleitorado de Bolsonaro para Geraldo Alckmin (PSDB) – o candidato preferencial do imperialismo. Tentar fazer “disputa de narrativa” nesse contexto é subestimar a capacidade de manipulação da direita. Seria como ir a um coxinhato de 2015 para defender o PT. Portanto é preciso ter claro nesse momento: nenhuma unidade com a direita! Eleição sem Lula é fraude! Estas as palavras de ordem capazes de fazer avançar resolutamente e sem ilusões a luta contra o golpe de Estado em curso.