Genocídio no campo
Aumento das ações de pistoleiros promovidas por mineradoras, latifundiários e madeireiras chegaram a 62 ações que afetaram cerca de 3.859 famílias foram registradas em 2020
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MST
MST | Foto: Reprodução

No ano de 2020, os dados sobre a violência no campo aumentaram de maneira significativa em relação aos apresentados em 2019. Um aprofundamento da política imposta pelo presidente ilegítimo Jair Bolsonaro e apoiada pela direita golpista de liquidação dos camponeses sem terra, quilombolas e indígenas.

Dentre os dados apresentados pela CTP (Comissão Pastoral da Terra) um dos mais alarmantes é o intenso aumento das ações de pistolagem promovidas por mineradoras, latifundiários e madeireiras, que chegaram a 62 ações e afetaram cerca de 3.859 famílias, registradas somente no ano de 2020. É quase o triplo em relação a 2019, ano em que foram registrados 21 desses crimes, em números absolutos.

Os dados de invasão de territórios também tiveram um aumento expressivo, sendo os indígenas as maiores vítimas, que chegaram a ser 54,4% no número total. Em 2020, a CPT registrou 178 ocorrências de invasão de territórios, contra 55.821 famílias. 

No ano de 2019, a CPT havia registrado, em números absolutos, 9 invasões envolvendo 39.697 famílias. Isso mostra um aumento de quase 1.880% no número de ocorrências, e ainda se está falando em dados parciais. Em relação ao número de famílias vítimas desse tipo de violência, houve um aumento de cerca de 40%. 

Um exemplo desses casos de violência é o do importante militante e dirigente do MST Ênio Pasqualin, que em outubro deste ano foi sequestrado por jagunços em sua própria casa, torturado, executado e que teve seu corpo encontrado em uma estrada do assentamento Ireno Alves do Santos, onde residia com a família.

Das categorias que sofreram pistolagem em 2020, além dos indígenas, 11,8% foram de famílias quilombolas e 11,2% de posseiros.

Além disso, o Incra desistiu de processos administrativos de desapropriação que já estavam em andamento e também pediu a suspensão de outros processos judiciais. De acordo com dados enviados pela autarquia ao Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), mais de 400 processos estão paralisados, sendo que uma parte deles estava em fase final, apenas aguardando omissão na posse.

O número de casos em relação ao conflito por água também aumentou, dando destaque para região Centro-Oeste, que ultrapassou a marca de 13 ocorrências deste tipo de conflito em 2019, tendo 616 famílias afetadas por 21 ocorrências e cerca de 2.836 famílias atingidas, sendo 15 destes casos contra indígenas, envolvendo 2.449 famílias, correspondendo a 86% das famílias. O número de famílias impactadas por estes conflitos, no centro-oeste, chegou a mais que quadruplicar em relação ao ano de 2019.

Dentre os maiores causadores dos conflitos por água estão as mineradoras internacionais, que causaram 43,4% seguidos pelos empresários que causaram 19% e o próprio Governo Federal que causou 11,6%

Não há como falar de 2020 sem falar nos desastres causados pelo governo federal por sua frouxidão em relação à pandemia. Apesar das tentativas de  construir barreiras sanitárias para se prevenirem contra os invasores, segundo a Coordenação da Articulação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), até o dia 11/11/2020, 4.635 quilombolas foram infectados pelo vírus e 168 perderam a vida por causa dele. Nos territórios indígenas, de acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), até o início do dia 23/11/2020, 39.826 indígenas, de 161 povos, foram infectados pelo vírus e 880 indígenas morreram em decorrência dele. 

Para barrar a ofensiva fascista que foi imposta contra os sem terra e os indígenas é necessário se organizar e mobilizar pelo Fora Bolsonaro e toda a corja golpista que o colocou no poder. É preciso organizar a autodefesa dos assentamentos indígenas, sem terra e quilombolas contra os jagunços dos latifundiários e contra o aparato militar de repressão estatal que os ameaçam frequentemente. É de extrema importância defender o amplo armamento dos camponeses e indígenas contra os constantes ataques dos latifundiários e empresários.

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