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Há pelo menos quatro anos a direita e o imperialismo vêm propagando massivamente a ideia de uma crise humanitária na Venezuela, causada pelo governo nacionalista de Nicolás Maduro.

Filas nos supermercados, falta de produtos básicos nas prateleiras, falhas elétricas em instalações vitais para o funcionamento do país são notícias frequentes na imprensa burguesa. A direita retrata um inexistente caos no país vizinho, cujo culpado é o “ditador” eleito em 2013 e reeleito em 2018 pelo voto popular, apoiado pela maioria da população.

Todo esse cenário teria gerado a emigração em massa de setores da população venezuelana, para fugirem daquilo que tem sido chamado de uma das piores crises humanitárias do mundo contemporâneo.

Entretanto, como tem sido insistentemente denunciado pelo governo venezuelano, pela imprensa de esquerda, destacadamente por este Diário, a crise é causada, principalmente, pela burguesia venezuelana, vassala do imperialismo norte-americano. Como prova, diversos vídeos têm sido difundidos há anos, mostrando os estoques de grandes redes de supermercados lotados de produtos que deveriam estar nas prateleiras (muitos deles, vencidos há meses ou até anos).

Trata-se de uma velha tática da burguesia para derrubar governos nacionalistas ou revolucionários. Durante a Revolução de Outubro de 1917 na Rússia, a burguesia russa fez de tudo para boicotar a tomada e permanência no poder dos bolcheviques e da classe operária. Após a Revolução Cubana, o mesmo ocorreu, com os responsáveis pela desestabilização, sendo reprimidos pelo poder revolucionário, tendo que ir embora para Miami. No Chile do nacionalista Salvador Allende, o golpe fascista liderado por Pinochet em 1973 foi precedido por uma situação muito semelhante à que ocorre atualmente na Venezuela: blecautes, locautes, escassez de produtos (escondidos pelos empresários do comércio), campanha intensa na imprensa pela queda do regime e, por trás disso tudo, o imperialismo tramando a derrubada do governo através da Agência Central de Inteligência (CIA), que financiou jornais e partidos de direita opositores da Frente Popular de Allende. O resultado: em 11 de setembro de 1973, após meses de profunda desestabilização, a direita bombardeou o Palácio da Moeda, sede do governo, com a morte do presidente e a instalação de uma ditadura sanguinária fascista e neoliberal que durou 17 anos.

É pra isso que a imprensa internacional acusa o governo venezuelano de produzir uma “crise humanitária” em seu país, levando à morte pela fome, fuga em massa e repressão contra o povo. Mas, não nos enganemos, o roteiro é o mesmo de sempre.

Isso foi comprovado pelo especialista independente das Nações Unidas, o acadêmico norte-americano Alfred de Zayas. No final de 2017, ele viajou em nome da ONU para o país sul-americano, a fim de investigar as causas e problemas da crise venezuelana. Durante mais de uma semana, de Zayas cruzou Caracas, se entrevistou com dezenas de políticos (governistas e opositores), empresários, ativistas de ONGs imperialistas e movimentos populares, estudiosos, professores, pessoas comuns e jornalistas. O que ele relatou em entrevistas e artigos foi um cenário muito diferente do retratado pela imprensa imperialista e pelos governos capachos do imperialismo na América Latina.

Alfred de Zayas, em um relatório publicado no dia 30 de agosto, destacou que a Venezuela não está na lista de 37 países que vivem atualmente uma crise humanitária, elaborada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Ou seja, é uma farsa a campanha da imprensa sobre a suposta “crise humanitária” na Venezuela.

Além disso, o especialista ainda denunciou as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, Canadá e União Europeia, que impedem a Venezuela de compar alimentos e medicamentos – uma vez que o país tradicionalmente precisa comprar no exterior os principais produtos que consome. As sanções também impedem terceiros países de pagarem suas dívidas com a Venezuela, como é o caso do Brasil, que tem cerca de 40 milhões de dólares em dívida relacionada ao fornecimento de energia elétrica que a Venezuela envia para o estado de Roraima.

No mesmo relatório, de Zayas citou a campanha sistemática de manipulações da imprensa para jogar a culpa da crise no governo venezuelano e mentir descaradamente sobre os acontecimentos no país. Além disso, ele declarou que esse tipo de guerra econômica contra países soberanos visa “fazer com que suas economias fracassem, facilitar a mudança de governo e impor um enfoque socioeconômico neoliberal com o objetivo de desacreditar os governos selecionados” para serem atacados pelo imperialismo.

E essa mudança de governo, ou seja, golpe de Estado, contra Nicolás Maduro e o chavismo, tem sido buscada a todo o custo pelo imperialismo. Primeiro, tentaram derrubar o regime bolivariano financiando ostensivamente a oposição entreguista. Não deu certo, pois Chávez, e depois Maduro, sempre tiveram amplo apoio popular. Em seguida, compraram militares e empresários locais, que quase conseguiram seu objetivo em abril de 2002, mas Chávez foi levado novamente à presidência pelo povo que se rebelou contra o golpe. Nos últimos anos, com a guerra econômica a estratégia se radicalizou, levando a graves consequências para o povo venezuelano. Mas isso também não adiantou. Os golpistas jogaram uma cartada arriscada quando, em 4 de agosto último, executaram um atentado terrorista falho contra Maduro, que denunciou um complô organizado pelos EUA e Colômbia.

A invasão da Venezuela, sempre cogitada e, ao menos desde o ano passado, com planos publicamente conhecidos, parece ser a única opção que sobrou para o imperialismo conseguir derrotar o governo bolivariano. Exercícios militares próximos à Venezuela, envio de tropas brasileiras e colombianas para suas respectivas fronteiras com o país caribenho, declarações públicas de altos comandos militares e de governo dos EUA, além de sinalizações a este respeito por organizações imperialistas como a Organização dos Estados Americanos (OEA), indicam uma iminente invasão da Venezuela.

O pretexto, totalmente forjado, é justamente a farsesca crise humanitária. O imperialismo sempre bombardeia países, massacra populações inteiras e arruína civilizações em nome de nobres causas.

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