Nem Trump, nem Biden
As mobilizações radicalizadas do povo oprimido no centro do imperialismo mundial forçam um setor da esquerda a iniciar um rompimento com as ilusões democráticas
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Militantes em Nova Iorque chamam a "lutar por um partido socialista de massas" | Foto: Socialist Revolution/Twitter

No meio da contagem de votos para ver quem seria eleito presidente dos EUA, ativistas realizavam uma passeata pelas ruas de Chicago. Em frente ao Trump International Hotel and Tower, seguravam um cartaz com os dizeres “Desarmar. Desprover. Abolir.” – um claro sinal de que o movimento contra a violência policial não se resume a reformar a polícia.

Sob o som de batuques, cantavam: “Fuck Trump, fuck Biden too, they don’t give a fuck about you” (“Dane-se Trump, dane-se Biden também, eles não dão a mínima para você”, em uma tradução livre politicamente correta).

Eram militantes dos Socialistas Democráticos da América (DSA, na sigla em inglês), a maior organização socialista dos EUA. Essa organização, embora reformista, tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Em 2017, tinha 32 mil filiados; em 2018, 47 mil. Hoje, conta com mais de 70 mil membros. É um nítido sintoma da polarização política no país motivada pelo acirramento da luta de classes a partir da crise capitalista de 2008.

No entanto, o DSA, como um agrupamento dirigido por esquerdistas pequeno-burgueses, apoiou alguns dos maiores criminosos políticos dos últimos tempos, como Barack Obama, John Kerry e, agora, Joe Biden.

Os jovens que percorreram as ruas de Chicago no último dia 4 protestando contra Trump e contra Biden certamente representam uma tendência à esquerda dentro do DSA. Tiveram uma recepção amigável de Sean Estelle, membro do Comitê Político Nacional do DSA.

Também foram bem recebidos pela seção norte-americana da Tendência Marxista Internacional (IMT, na sigla em inglês), uma organização que se diz trotskista mas que adota uma política centrista. De qualquer forma, a seção norte-americana também parece estar se deslocando à esquerda, pelo menos com relação à seção brasileira do IMT, que é a Esquerda Marxista, um grupo pequeno-burguês que abandonou o PT no meio do golpe e se refugiou no PSOL de Boulos, do bolsonarista Flecha, do latifundiário João Alfredo e de Wesley Teixeira, candidato do Itaú e de Armínio Fraga.

Em Nova Iorque, na sexta-feira (07), militantes do IMT-EUA realizaram uma manifestação “por um partido socialista de massas da classe operária” (foto acima). Da mesma forma, dirigentes do DSA em Phoenix, Arizona, têm realizado uma campanha dentro da organização pelo rompimento total do DSA com as ilusões com o Partido Democrata e a conciliação de classes.

Isso é resultado direto das mobilizações populares que se intensificaram com o assassinato de George Floyd pela polícia e tomaram as ruas de mais de 2 mil cidades por todo o país nos últimos meses, com o armamento de diversos grupos de negros e trabalhadores radicalizados.

A classe operária começa a se agitar, mesmo que timidamente, no centro do imperialismo mundial. Essa mobilização empurra os setores mais conscientes da esquerda para uma política de independência em relação ao regime político e à burguesia. Podemos estar vendo o início de uma tendência embrionária à formação de um verdadeiro partido independente da classe operária nos EUA.

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