E se dizem trotskistas!
Esquerda parece ter adotado o lema dos bolsonaristas histéricos: “a nossa bandeira jamais será vermelha”
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Adesivo do DEM? Do PSL? Do MBD? Não, do "Movimento Revolucionário dos Trabalhadores" (MRT)! | Foto: DCO

O Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT), uma corrente interna do PSOL que se reivindica trotskista, aderiu oficialmente à frente ampla! Após Guilherme Boulos assinar uma série de manifestos e participar de eventos com toda a direita tradicional e Danilo Pássaro – o tucano psolista – adotar as cores verde e amarela, agora foi a vez dos pseudorradicais de DCE abandonarem de vez sua pretensa política revolucionária.

As principais cores da campanha dos candidatos do MRT pelo PSOL em São Paulo, vistas principalmente em adesivos colados nas redondezas da Cidade Universitária, são o verde, o azul e o branco! Só falta o amarelinho dos coxinhas (ah, e também do próprio PSOL!) para ficar idêntica à propaganda da extrema-direita bolsonarista.

O MRT ainda imprimiu adesivos e panfletos de outras cores, como as do arco-íris. Mas nada, absolutamente nada, de vermelho, a cor tradicional das organizações de esquerda e do movimento operário. Logo o MRT, que vinha criticando de alguma maneira as alianças do PSOL com a direita!

Mas isso tem uma razão. Na verdade, trata-se de um jogo de cena a crítica ao PSOL. Enquanto acusam o partido do qual fazem parte de fazer coligações com partidos golpistas e de direita por todo o Brasil, nada falam de Guilherme Boulos e Luiza Erundina, por exemplo. 

Isso porque é simplesmente impossível defender um bolsonarista declarado como Flecha, candidato a vereador em Várzea Grande (MT). Ou um latifundiário como João Alfredo, candidato a prefeito em Ribas do Rio Pardo (MS). Ou um candidato a vereador financiado pelo Itaú, como Wesley Teixeira do Rio de Janeiro.

No entanto, os figurões do PSOL seguem sendo apoiados pelos morenistas do MRT. Afinal, Boulos vende toda uma aparência esquerdista, alimentada pela pequena-burguesia bem-pensante e pela Folha de S.Paulo, o jornal que orienta o dirigente do MTST (aliás, cadê o espaço para o MTST na campanha de Boulos?) e até mesmo teria chances “reais” de se eleger prefeito de São Paulo! Mesmo que Boulos tenha garantido aos capitalistas, em encontro presencial, que não vai mexer com os seus interesses. Mesmo sendo Boulos uma peça da esquerda usada pela burguesia para impedir a mobilização contra o golpe (o “Não vai ter Copa”) e, agora, contra Bolsonaro e os fascistas (o famigerado acordo para dividir a Avenida Paulista). Mesmo sendo Boulos um agente da frente ampla pela qual a direita visa colocar a esquerda à reboque.

Temos visto o abandono do vermelho pela esquerda desde o início do golpe. Começando pelo “abaixa a bandeira” até as esdrúxulas cores do roxo (o próprio Boulos), o azul (Manuela D’Ávila) e o verde e amarelo (todas as tendências da esquerda pequeno-burguesa), a esquerda evidencia sua covardia e adaptação a passos largos ao regime golpista. Assim, abandona a classe trabalhadora e ajuda a cavar a própria cova.

Uma organização que se diz trotskista aderir à frente ampla, uma tática stalinista para desmobilizar os trabalhadores a fim de garantir a estabilidade burguesa, é uma enorme contradição. Mas não é novidade nenhuma. O MRT, apesar de seu discurso pseudorrevolucionário, é um adepto tradicional da frente ampla, ou seja, de se aliar com setores burgueses e pequeno-burgueses em troca de entregá-los a independência de classe dos trabalhadores. Afinal, é parte integrante do PSOL, um partido que, desde suas origens, é uma organização essencialmente pequeno-burguesa e com ligações com setores da burguesia.

O esquerdista mais ingênuo poderá perguntar: “Mas não será sectarismo criticar alguém por não usar o vermelho?”. O problema é que, como socialistas e, ainda mais, trotskistas, é preciso nos delimitar claramente de nossos inimigos políticos, a burguesia e a direita. Abandonando nossas cores, as cores dos trabalhadores, e adotando as dos capitalistas, isso já não será mais possível.

 

Ao adotar cores dos coxinhas, esquerda pequeno-burguesa se afasta de uma vez por todas da classe operária, representada pelo PCO
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