Guerra bacteriológica
É estranho que os mais afetados sejam justamente os principais adversários dos EUA, o que Washington comemorou publicamente; os EUA têm um histórico de ataques desse tipo
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Os chineses são as maiores vítimas do coronavírus. Foto: susanjanegolding |

Por Eduardo Vasco

Algumas pessoas têm levantado a suspeita de o coronavírus ser um instrumento de guerra biológica ou bacteriológica dos Estados Unidos, pelo fato de a doença ter surgido tão repentinamente e ter se espalhado tão rápido justamente na China, país que vem travando uma guerra comercial com Washington há mais de um ano, disputa que vem acelerando a crise econômica mundial.

Chamou muito a atenção a declaração do secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, no final de janeiro, de que “a aparição do coronavírus, que contagiou milhares de pessoas, poderia impulsionar a economia americana”, uma vez que também “ajudará a acelerar a volta de empregos para os EUA” devido ao golpe duríssimo que a doença significa para a economia chinesa.

É estranho também que o terceiro país mais afetado pela epidemia seja o Irã, nação que esteve a ponto de entrar em guerra com os Estados Unidos no início deste ano. Se a China é, por um lado, o principal adversário econômico da Casa Branca, o Irã tem sido o seu maior inimigo político.

Soma-se a isso a garantia, por parte de uma empresa israelense, de que iria produzir uma vacina contra o coronavírus em duas semanas, quando especialistas da área afirmam que o prazo mínimo seria de um ano. Estariam Israel e EUA cientes da propagação da doença antes mesmo dela aparecer? Se sim, isso significa que foi criada em laboratório e não de forma natural.

Isso também foi levantado por um ex-agente da CIA, Philip Giraldi. Segundo ele, há vários indícios de que os componentes do COVID-19 são relacionados ao HIV, que não podem ser gerados por meio de mutações. Ele não descarta que EUA e Israel tenha desenvolvido a epidemia em laboratórios como agente de uma guerra biológica.

Para aqueles que descartam a possibilidade de o coronavírus ter surgido em laboratórios norte-americanos para servir de agente em uma guerra bacteriológica, tachando tais apontamentos como simples teoria da conspiração, é preciso recordar que a história guarda numerosos precedentes para embasar essa suspeita.

Séculos atrás, a guerra biológica já era utilizada, de modo rudimentar, por diferentes exércitos. Corpos em decomposição e com doenças como a varíola e a peste bubônica eram usados para contaminar a água e o ar onde estavam os inimigos. Essa foi uma tática utilizada inclusive pelos mongóis liderados por Genghis Khan.

Mas foi no século XX que esse tipo de guerra se tornou parte da estratégia de dominação imperialista. Alguns dos primeiros exemplos são os experimentos com agentes bacteriológicos em seres humanos pelos militares japoneses durante sua ocupação da China nas décadas de 1930 e 1940.

No entanto, são os EUA os campeões da guerra biológica, mais um título para os maiores violadores de direitos humanos de todos os tempos.

Entre 1946 e 1948, pesquisadores ligados ao exército dos EUA realizaram pesquisas cruéis na Guatemala para descobrir um tratamento para a sífilis e a gonorreia. Assim, com a complacência o governo fantoche guatemalteco, infectaram prostitutas, presidiários, militares, órfãos e pessoas com distúrbios mentais. Tudo isso, sem o conhecimento dessas pessoas. No total, mais de 2 mil guatemaltecos foram infectados com as doenças. O próprio governo dos EUA teve de reconhecer o crime e se desculpar… somente em 2010.

Logo em seguida, ataques biológicos foram realizados pelos EUA na Guerra da Coreia, com bombas caindo de aviões e experimentos com 16 tipos de armas bacteriológicas em 10 prisões especiais que abrigavam prisioneiros vindos da Ilha Koje.

Mas os ataques biológicos mais famosos dos Estados Unidos ocorreram contra a Cuba pós-Revolução. A Operação Mangosta, criada em 1962, tinha como uma de suas medidas o uso de agentes biológicos e químicos para destruir colheitas nas zonas agrícolas da ilha. Apareceu, então, nas regiões rurais do país, o vírus patogênico New castle, que contaminou as aves e obrigou o sacrifício de milhares delas, lembra Orfilio Peláez em um artigo no Granma.

Em 1971, surgiu subitamente e se propagou rapidamente a primeira epidemia de peste suína africana no hemisfério ocidental, que ocorreu em Cuba. Foi preciso matar mais de 500 mil porcos para controlar e erradicar a doença. O ex-agente do FBI William Turner relata no livro “Segredos letais: a guerra da CIA e da máfia americana contra Fidel Castro e o assassinato de John Fitzgerald Kennedy” que esse fato está diretamente relacionado à imposição da guerra bacteriológica do governo Nixon (1969-1974) contra a ilha. Anos depois, em 1977, a agência de notícias norte-americana UPI apresentava a denúncia de uma fonte anônima da CIA de que recebeu, lá em 1971, um recipiente com vírus em uma base do exército dos EUA no Panamá, recipiente este que foi enviado a Cuba para agentes que atuavam clandestinamente contra o governo revolucionário.

Uma pesquisa concluiu que o vírus dos porcos havia sido adaptado artificialmente para ser transportado pelas aves e que isso só poderia ter sido feito de maneira intencional e com técnicas refinadas de engenharia genética e biotecnologia. Houve uma segunda epidemia, em 1979, originada próximo ao povoado de Caimanera, bem perto da Base Naval da marinha americana, em Guantánamo.

Peláez recorda outras ações sofridas por Cuba nas décadas de 1970 e 1980:

(…) a introdução deliberada do Mofo Azul do tabaco (1971), que afetou severamente a produção de tão importante linha exportável, o Fungo da Cana (1978), cujo efeito devastador obrigou a desmantelar a quase totalidade dos campos semeados com a variedade de cana Barbados 4326, de elevados rendimentos agrícolas e industriais; a dolorosa epidemia de dengue hemorrágica (1981), causadora de 158 falecidos, entre eles 101 crianças, e a praga de insetos Thrips palmer que assolou diversos cultivos.

Um agente da CIA, Eduardo Arocena, em 1984, confessou que a equipe liderada por ele tinha a missão de obter alguns germes patológicos para introduzi-los em Cuba.

Todos esses casos são comprovações de que os Estados Unidos têm plena capacidade de promover uma guerra biológica contra outros países. Em um momento no qual vivemos uma crise capitalista cada vez mais profunda e sem saída aparente, está claro que o imperialismo tem a disposição de fazer uso de tudo o que está a seu alcance para salvar os lucros da meia dúzia de parasitas que controlam a economia mundial.

Uma última evidência disso foi a declaração, na semana passada, de um representante da especulação financeira de Wall Street, sobre o coronavírus e as bolsas de valores.

“Não estou dizendo que o coronavírus é a mesma coisa que a gripe comum – no entanto, talvez seja melhor se nós infectássemos todo o mundo com a doença. Então, em um mês, a doença estaria superada. O índice de mortalidade provavelmente seria o mesmo do que se a doença for combatida a longo prazo, mas a diferença é que não causaríamos tantos estragos na economia doméstica e na economia mundial”, disse o comentarista da CNBC Business News, Rick Santelli.

Para quem acha que trata-se de uma teoria da conspiração, fica comprovado que os Estados Unidos e o imperialismo em geral não têm nenhuma restrição moral e matar milhões de pessoas com vírus, bactérias e doenças propositalmente para dominar territórios e economias pelo mundo. Talvez a história mostre, mais para frente, se o coronavírus foi ou não mais um caso de guerra biológica promovida pelos norte-americanos.

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