Façanha do “mito”
Nunca antes na história desse país, aconteceram tantas mortes em um único mês
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Bolsonaro é "tiro certo".123.861 mortes no mês de maio de 2020. | Foto reprodução de Istoé independente

Nunca antes na história desse país, aconteceram tantas mortes em um único mês. Façanha nunca antes alcançada.

É o mito.

Dora Avante, a Dorinha, como diria Veríssimo, será recorde em cima de recorde. Somente possível por obra de um mito. Bolsonaro, por exemplo. O recorde de maio será superado pelo recorde de mortes do mês de Junho. E o presente mês também ficará para trás, pois será inexoravelmente superado pelo mês de Julho, historicamente o mês mais letal entre todos os meses de cada ano. Em todos os anos.

O mês de julho é o que registra maior número de mortes no país devido à maior circulação de vírus respiratórios, noticia nesta quinta-feira 25 de Junho, o Uol.

O mês, em que foi registrado o maior número de mortes em todos os tempos até a presente data, havia sido o mês de julho de 2017, quando 122.610 pessoas morreram no Brasil. Como se vê, o golpe de estado de 2016, não demorou, para apresentar os seus recordes de realizações. Os 122.610 óbitos, era o primeiro dos macabros recordes do golpe. Os números recordes do mês de maio de 2020, superaram os números de Julho de 2017.

Até a manhã de ontem (25), haviam sido registradas 123.861 mortes no mês de maio passado, contra 122.610 óbitos de Julho de 2017. O recorde anterior foi superado com folga, de 1.251 vítimas fatais a mais. Como se vê, o mito não está para brincadeira. E isso que ele afirmou que era apenas uma “gripezinha”.

O Portal da Transparência, da Arpen – Associação dos Registradores de Pessoas Naturais, é abastecido com informações enviadas pelos cartórios que podem levar até 15 dias para informar o óbito ao sistema nacional. O SIM – Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, igualmente confirma ser o mês de Maio de 2020, o mês mais letal em todos os tempos. O Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério de Saúde é mais completo, informa mais detalhes sobre os óbitos, as motivações da morte. No entanto, esse detalhamento, leva até um ano para serem analisados e disponibilizados ao público.

O ministério de Saúde traz dados detalhados de mortes e suas causas desde 1996 até 2018. Os números de 2019, no entanto, ainda estão em fase final de apuração para divulgação.

A Arpen criou um portal específico para detalhar o registro das mortes em decorrência do covid-19 e doenças respiratórias em tempo real. As demais causas de óbitos, são registradas na categoria “demais óbitos”.

Julho, o mês campeão em número de óbitos

 

O mês de julho registra historicamente, o maior número de mortes no país. Em 2018, foram 119.675 mortes. No ano passado, 118.097. Em 2020, esses números serão superados, por pelo menos dois motivos. O primeiro é histórico, o pico de mortes em decorrência de doenças respiratórias normais acontecem em Julho. Neste ano, pelo covid-19, que atingirá o seu pico, provavelmente nesse mês. “São as doenças do inverno, aqueles quadros de gripe, de problemas por causas respiratórias. Isso começa ali por abril e chega a julho no pico, diz o professor Ricardo Martins, da UnB (Universidade de Brasília) e integrante do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Brasília. “Nunca tivemos uma complicação desse nível, com tantas mortes por uma causa em tão curto tempo. Não tenho dúvidas de que esse vai ser o maior nos últimos 100 anos”, enfatiza.

“É uma doença de altíssimo grau de contagiosidade e que está sobrecarregando hospitais não só UTIs, mas também enfermarias. É uma coisa impressionante e angustiante. A gente vai acompanhando e só vê aumentar a mortalidade”, diz ao site Uol desta quinta-feira.

 

“Destruir vidas”, a política da extrema-direita

 

Maio, “foi sem dúvida nosso mês de pico. Os casos surgiam em todas as classes sociais. Pensei que fôssemos ter um colapso no atendimento hospitalar e ambulatorial”, conta Artur Gomes Neto, diretor médico da Santa Casa de Maceió. “Esse número de mortes por covid-19, apesar de altíssimo, ainda está bem abaixo do real. Basta ver a quantidade de mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), diz o professor Luís Carlos Arraes , pesquisador na área de doenças infecciosas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). “Uma tragédia sem precedente”, conclui.

A pandemia atinge o mundo. Países como Cuba e Venezuela, por exemplo, tem 8 mortes por milhão de habitantes. No caso da Venezuela, apenas uma morte por milhão de habitantes. Países pobres, sob bloqueio comercial, mas que têm uma política real de salvar vidas. Em contrapartida, o Brasil, já soma 257 óbitos por milhão de habitantes em decorrência da covid-19. As quantidades gigantescas de mortes no Brasil e em outros países, resulta  da política da direita, do imperialismo e dos seus súditos de destruição da saude pública e de esfolar a população para atender os interesses dos grandes capitalistas.

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