Armas que feriram indígenas não são de militares, diz ministro venezuelano na ONU

militares-en-kumarakupay-02222019-643587

Da redação – As armas que feriram os indígenas de Kumarakapay, próxima à fronteira da Venezuela com o Brasil, não pertencem às forças militares venezuelanas, afirmou nesta sexta-feira o ministro de Relações Exteriores de Caracas, Jorge Arreaza.

“O que você mencionou que ocorreu hoje no estado de Bolívar não corresponde às armas que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) utiliza, inclusive alguns dos feridos estão feridos por armas brancas, facões e inclusive flechas”, disse Arreaza, respondendo a um jornalista durante coletiva de imprensa na Organização das Nações Unidas (ONU).

O presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, também desmentiu as manipulações da imprensa imperialista, afirmando que investigações preliminares mostraram que “o tipo de cartucho que está ali (nas armas)” demonstram que quem atacou os indígenas foram “grupos violentos dirigidos pelo senhor Américo de Grazia, dirigido por gente do Vontade Popular e a verdade vai vir a tona”.

Américo de Grazia, junto com outro deputado de direita e o próprio usurpador Juan Guaidó (que não é reconhecido como presidente pelo povo venezuelano), foi o grande divulgador da farsa de que dois indígenas teriam sido assassinados por soldados da Guarda Nacional Bolivariana, na manhã de hoje (22). No entanto, as investigações também mostraram que não foram dois, mas somente um indígena que morreu, e 14 pessoas ficaram feridas.

A imprensa burguesa “noticiou” o acontecimento tendo como fontes apenas os três opositores golpistas, o que já indicava que era uma grande mentira ou distorção do fato.

Na Venezuela, a maioria dos indígenas está ao lado do governo legítimo de Nicolás Maduro, organizados em diversos coletivos e entidades. Para a Assembleia Nacional Constituinte, eleita em 2017, por exemplo, um grande número de vagas de deputados foi destinado aos povos indígenas. Há eleições exclusivas para comunidades e cargos indígenas no país, demonstrando um tratamento mais democrático que recebem os índios venezuelanos do que o que recebem os índios de outros países, como os colombianos ou brasileiros.

Por isso, ontem (21), por exemplo, mais de mil indígenas realizaram uma manifestaçãono estado venezuelano de Zulia, em uma cidade fronteiriça com a Colômbia, em apoio a Maduro e contra a invasão imperialista.

Essa bandeira falsa do ataque dos militares foi o pretexto para uma reunião de emergência convocada pelo ilegítimo Bolsonaro, com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e representantes de mais dez ministérios, exatamente para utilizar de desculpa para que o Brasil seja bucha de canhão do imperialismo na invasão da Venezuela.

Os brasileiros não podem, de maneira nenhuma, admitir uma invasão contra a Venezuela. Se o Brasil invadir o país vizinho, causará uma guerra em que os soldados brasileiros morrerão para servir somente aos interesses alheios aos seus, aos do Brasil e aos do povo brasileiro. Servirão como bucha de canhão para garantir os lucros dos grandes monopólios petrolíferos e das mineradoras, os mais interessados em invadir a Venezuela.