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Direito à sindicalização dos militares de baixa patente!

Antônio Eduardo Alves

Antônio Eduardo Alves

Professor da UFRB. Colunista do Diário e do Jornal Causa Operária. Participa do programa Resumo do Dia na Causa Operária TV às terças-feiras. Militante da corrente Educadores em Luta.

Frente ampla com a direita

A “tática da cebola” de Boulos. parte II

O apelo à unidade com os setores golpistas é a sinalização que a defesa das reivindicações dos trabalhadores não é um objetivo da da esquerda frente amplista

Boulos e Ciro – Foto: Arquivo DCO

A fim de justificar a aliança com a burguesia, inclusive com os setores que deram o golpe de Estado de 2016, Guilherme Boulos apresentou a “tática da cebola”. Segunda essa “tática” em nome da “democracia” seria conveniente fazer um acordo com a direita “civilizada” contra Bolsonaro, sendo que o atendimento da pauta dos trabalhadores seria relegada para uma outra frente mais “restrita”.

“As frentes concêntricas ou em linguagem mais simples a tática da cebola. Assim como uma cebola, a frente que a gente precisa construir tem várias camadas. A camada mais ampla é a luta da democracia contra o fascismo, nessa cabe todo mundo. Depois tem uma camada do meio, que é a luta por direitos sociais contra a austeridade neoliberal. Aí já vai ter gente que não vai estar. E, por fim, a camada central, o núcleo, que é a defesa de outro modelo de sociedade e de outros valores. Atuar nessas três frentes não é contraditório. Elas devem ser inclusive complementares.”

Na verdade, a política da tática da cebola é tão somente colocar o movimento popular e a esquerda completamente a reboque da direita na orientação geral, mas mantendo a aparência de “luta” pela base. O apelo à unidade com os setores golpistas é a sinalização que a defesa das reivindicações dos trabalhadores não é de forma alguma algo efetivo por parte da esquerda oportunista e  pequeno burguesa.

 

Frente com os golpistas: a “soma” que subtrai

 

O teor farsesco da política de frente ampla tem sido cada vez mais evidenciado pela conduta dos pretensos aliados pela “democracia”. Os grandes “aliados” contra Bolsonaro demostram cada vez mais que não querem a queda do governo.

O presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi apoiado pelo PCdoB e parte dos deputados do PT como sendo o contraponto ao presidente Bolsonaro, é hoje um ponto de apoio para a barrar os processos de impeachment.  Os governadores da direita, como João Dória (PSDB-SP), foram apresentados como “ salvadores” por conta isolamento social, pois bem agora não somente não foi superada a crise sanitária provocada pela pandemia do Covid-19 no Brasil, como estamos no auge, e os governadores defensores da “ vida” adotaram a política de abertura para beneficiar os capitalistas tão como Bolsonaro.

A política de frente ampla defendida por Boulos supostamente teria como objetivo “agregar” para lutar pela “democracia”. Entretanto, é uma falsa noção de que a simples “soma” de forças pode levar a conquista de objetivos.

Como o revolucionário Leon Trotsky salientou a política de aliança com a burguesia nas frentes populares na década de 1930 representou uma derrota para o movimento operário. A noção de que o simples acréscimo de políticos burgueses na frente popular não significaria a conquista da classe média, nem a formação de uma maioria consistente.

Na verdade, incorporar políticos burgueses tradicionais desmoralizados, que perderam sua base de apoio político popular é a típica soma que subtraia, pois, diferentes vetores puxando para direções antagônicas levam a paralisia e em perceptiva a derrota do movimento operário. Os exemplos históricos da França e Espanha na década de 1930 comprovaram o caráter negativo do acordo com os políticos burguesas.

 

A tática da cebola na prática: “radicais” como cavalo de troia dos golpistas

 

O “radical” da esquerda pequeno burguesa atua para evitar o transbordamento da luta contra os fascistas. Assim, depois de esquivar-se da luta pelo Fora Bolsonaro, pois afirmava que “não era golpista como Aécio” e portanto respeitava os resultados eleitorais, (o que pese todas as evidencias da fraude eleitoral dos golpistas)

As ruas, em especial o enfrentamento no 31 de maio na Paulista entre as torcidas organizadas e os bolsonaristas, desmontaram o suposto apoio popular de Bolsonaro, expulsando na prática a direita das ruas. Isso colocou em xeque a política da extrema direita, mas também evidenciou que a direita “opositora” não cumpre nenhum um papel progressista na luta contra Bolsonaro.

A mobilização das torcidas organizadas e os atos que começaram a pipocar no país, bem como a revolta contra a violência policial nos Estados Unidos liquidaram com a política de paralisia de “fique em casa” adotada pela esquerda reformista e pequeno burguesa no Brasil. Por isso, Boulos e outros setores saíram rapidamente do confinamento para pretender “liderar” as ruas contra Bolsonaro, isso depois de mil e um subterfúgios para descartar o enfrentamento contra a extrema direita.

A formulação da tática da cebola de Boulos foi colocada em prática, no dia 7 de julho. Como um verdadeiro Cavalo de Troia, Boulos levava o ato da Paulista para o Largo da Batata, evitando a luta contra os fascistas. Enquanto isso, políticos da frente ampla como FHC, Marina e Ciro participavam de entrevista conjunta na Globo defendendo a “democracia” e condenando a realização de atos nas ruas.

A separação mecânica das “camadas da cebola”, ou seja preitear a unificação com principais responsáveis pelos ataques contra os trabalhadores no terreno da luta geral pela “ democracia” e ao mesmo tempo pretender representar a luta geral dos explorados contra os mesmos que são apresentados como aliados “ da direita civilizada” não é uma “ estratégia inteligente”, mas uma capitulação política. Além do mais, até mesmo no terreno democrático, “aliados” como Dória, FHC, Maia, entre outros, foram não somente responsáveis do golpe de Estado de 2016, como são responsáveis pela ascensão de Bolsonaro.

A tática da cebola é na verdade uma divisão do trabalho. Por cima deixar, na camada superior da cebola, diria Boulos, os políticos da burguesia determinam a orientação política fundamental; por baixo (ou em outra camada) bloqueia-se a “luta por direitos sociais contra a austeridade neoliberal”, fecham-se os sindicatos e busca -se um acordo com os “aliados democráticos” que querem esfolar os trabalhadores. Na “camada inferior da cebola”, o papel das lideranças de esquerda apoiadores da frente ampla é servir como correia de transmissão da política da burguesia golpista “ democrática” junto aos trabalhadores.

As “frentes concêntricas” ou a tática da cebola de Boulos nada mais é do que a velha e conhecida operação cavalo de troia para subordinar os trabalhadores à burguesia.

 

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