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“Queimar estátua é política identitária contra a luta de classes”

Eduardo Vasco

Eduardo Vasco

Jornalista especializado em política internacional. Colunista do Diário e do Jornal Causa Operária. Na Causa Operária TV, apresenta o Conexão América Latina às terças-feiras, o Correspondente Internacional às quintas e o podcast O Mundo em 1h, em parceria com a Rádio Causa Operária, às segundas.

Protegendo a direita

A defesa vergonhosa que a esquerda faz do PSDB

Esquerda pequeno-burguesa frente-amplista sentiu as dores das bordoadas nos tucanos

Na manifestação da esquerda em São Paulo, tucano teve que bater as asinhas – Foto: Reprodução/Twitter

(*) Por Eduardo Vasco

Nós avisamos. Ninguém pode dizer que não avisamos. Publicamos dezenas de matérias no DCO, incluindo manchetes e editoriais. Alertamos em diversos programas na COTV e em outros canais parceiros.

Desde quando a burguesia indicou que faria a manobra de 2013, nós denunciamos e advertimos imediatamente. O povo não aceitaria fascistas infiltrados para sabotar e destruir o movimento popular dos trabalhadores, chamado e organizado pela esquerda. Não aceitaria seus inimigos, os responsáveis por Bolsonaro estar no poder, os bolsonaristas supostamente “arrependidos”, no ato da esquerda.

Essa não é uma posição exclusiva do PCO. Muito longe disso. O povo trabalhador odeia o PSDB, o MBL e a direita golpista. Bom, a repercussão da sova que os “militantes” do PSDB (mercenários, bandidos pagos) tomaram é uma prova clara do que estamos falando. Em poucas ocasiões um partido foi tão aclamado nas redes sociais. Mas não podemos cometer nenhuma injustiça: embora todos estejam dizendo que foi o PCO quem arrepiou para cima dos infiltrados do PSDB, não foi o PCO. Companheiros da base da esquerda também participaram desse nobilíssimo gesto junto com militantes do Partido. O PCO, como instituição, não se enfrentou fisicamente com os fascistas. Mas não vamos impedir que todos aqueles que estão revoltados com a direita expressem essa revolta como acharem que é preciso.

No entanto, quando o pessoal chutou o meio das pernas dos infiltrados do PSDB, não deram conta de que haviam acertado também a esquerda pequeno-burguesa. Tudo bem, ela já havia dado claros sinais de que sentiria as dores dos tucanos. Juliano Medeiros, presidente do PSOL, havia publicado no Twitter um convite à participação do partido de Doria, FHC e Aécio Neves: “Algumas poucas vozes sectárias dirão que é um absurdo estar no mesmo palanque que os tucanos. Temos diferenças abissais e não deixaremos de manifestá-las sempre que necessário. Mas nesse momento, qualquer partido que queira o impeachment é bem-vindo.”

Vimos as “poucas vozes sectárias” aplaudirem a porrada que os bate-paus do PSDB levaram. O episódio foi trending topics no Twitter e milhares de pessoas se disseram “representadas pelo PCO”. Na verdade, os militantes de base da esquerda pegaram leve. O povo quer a cabeça do PSDB pendurada em praça pública, depois de todo o mal que fez ao País. Antes da reação espontânea às provocações do PSDB, muitos manifestantes hostilizaram a presença do partido. O PSDB não levou nenhum material pedindo o Fora Bolsonaro, era apenas propaganda eleitoral.

Já explicamos neste diário que o PSDB não quer o impeachment de Bolsonaro. Tanto é que a própria conta oficial dos tucanos, em meio a um chororô de dar pena, reconheceu que o PSDB não participa oficialmente dos atos. O único elemento do partido que assinou o famigerado “superpedido” de impeachment foi Alexandre Frota, um ser marginal no agrupamento. A esquerda queria o aparato governamental do PSDB, mas quem penetrou na frente ampla, “amplíssima”!, foi um ator pornô.

Mas o PSOL e seus apêndices, como Jones Manoel e Renato Rovai, ou os apêndices do PDT, como O Cafezinho, estão tão apaixonados por esses elementos promíscuos que não conseguem enxergar a realidade. Depois não reclamem que foram traídos, porque só os tolos se apaixonam por gigolôs políticos. O fato é que tiraram a roupa e soltaram a franga em sua defesa histérica do PSDB.

Sabemos que a inteligência não é uma das principais virtudes de Rovai, mas o que ele está fazendo é uma tolice completa. A política que está defendendo vai totalmente no sentido de destruir a mobilização e atacar diretamente a própria esquerda, particularmente o PT.

“Pessoal do PCO é o novo black bloc. O ataque aos militantes do PSDB mostra que os organizadores dos atos terão que lidar com isso. Ou se afastam e denunciam esse grupo ou serão responsabilizados pela selvageria de gente que não tem voto e nem preza a democracia”, comentou o editor da Revista Fórum em um tuíte que foi curtido por Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro. “O PT é que vai ter que resolver isso. Terá que estabelecer a distância necessária do PCO pra não ser confundido com suas sandices. E denunciar as ações grotescas dele publicamente”, continuou.

Estamos vendo a esquerda atacar um partido de esquerda para defender um partido de direita. E não é só isso: ataca o partido reconhecido por todos como o mais combativo, aquele que primeiro chamou o Fora Bolsonaro, que nunca abandonou as ruas e que mais enfrenta a direita. E defende o partido mais odiado pelo povo brasileiro, partido que organizou a espoliação do Brasil, a miséria geral, a fome, o desemprego, as privatizações; o partido de FHC, de Doria, de Aécio Neves.

O jornalista demonstra novamente sua completa ignorância política, histórica e teórica. Ele continua: “temos um tipo de esquerda que é a que a direita gosta: não tem votos e não consegue fazer cócegas na direita. Lenin sempre os combateu. Se alguns aqui estudassem história e como Hitler foi derrotado na 2a Guerra Mundial não me responderiam com ataques infantis.”

Rovai acusa o PCO de esquerdismo, aquilo que “Lenin sempre combateu”. Nosso jornalista que nunca leu Lenin poderia primeiro começar por O imperialismo, fase superior do capitalismo, para não falar basteira quando trata de política internacional. Em seguida, poderia ler Esquerdismo, doença infantil do comunismo, livro ao qual se refere, para entender que combater a ideia oportunista de que o movimento popular deve ficar a reboque da direita não tem nada de esquerdismo. Mas isso seria exigir demais do nosso comunicador psolista. Prova, de uma vez por todas, seu desconhecimento ao se referir à derrota do nazismo na II Guerra Mundial como obra da aliança de Stálin com Churchill e Roosevelt. O que essa aliança forneceu foi a derrota da revolução em toda a Europa obrigando os comunistas do continente a abandonarem as armas e entregarem o poder a governos de frente ampla dominados pela direita. Mas essa analogia é válida para a situação atual. A frente ampla com a direita busca o mesmo resultado de 80 anos atrás: afundar o movimento popular contra a burguesia deixando a esquerda a reboque da direita.

Rovai consolida sua aliança com a direita ao atacar também a legítima revolta popular, que assumiu um caráter moderadamente violento no final do ato em São Paulo.

“Em 2013 as manifestações começaram à esquerda, aí vieram os black blocs e entregaram as ruas pra direita. Não fizeram nada contra o golpe ou pra defender Dilma. Esse pessoal que aposta na porrada tem que ser denunciado”, complementou. O editor da Fórum não cansa de expressar sua falta de compreensão da realidade, nem de repetir como um papagaio a propaganda da burguesia. As manifestações de 2013 foram sabotadas justamente pela esquerda à Rovai que permitiu a infiltração dos verde e amarelo, da direita e de elementos pagos pelo governo do PSDB em São Paulo. Hoje, a direita tenta repetir a farsa. Por sorte, a maioria dos envolvidos nos atos não tem o mesmo gênio primoroso de Rovai e entendeu a manobra.

Quem conhece minimamente a história, ao contrário de Rovai, sabe que o “quebra-quebra” do final do ato em São Paulo não é nada se comparado ao que o povo costuma fazer quando perde definitivamente a esportiva. Por suas dificuldades de interpretação de texto, talvez Rovai não tenha entendido a parte da história da derrota do fascismo na II Guerra Mundial em que Mussolini é executado e pendurado de cabeça para baixo pelo povo revoltoso.

O povo brasileiro deveria aguentar como um cordeirinho toda a violência e humilhação que sofre diariamente das mãos da direita que Rovai quer proteger? Segundo essa lógica, as famílias das 500 mil vítimas fatais da Covid deveriam chorar caladas. As 120 milhões de pessoas à beira da fome deveriam observar-se mutuamente, vendo seus filhos padecerem diante de seus olhos. O povo não pode se expressar da maneira que lhe convier. Deve tolerar as balas e cassetetes da polícia. Deve tolerar a ditadura do PSDB em São Paulo em nome da aliança contra a ditadura de Bolsonaro. Esse raciocínio esconde que a ditadura do PSDB em SP é mais cruel do que a de Bolsonaro. Quem enviou os PMs para massacrar os jovens na chacina de Paraisópolis em 2019? Quem envia a PM para reprimir greves de professores e funcionários públicos? Quem envia a PM pra despejar ocupações de sem teto?

“É tudo o que a direita quer”, diz a esquerda que critica os que combatem vigorosamente a direita. Essa mesma esquerda entrega as manifestações, as greves, o governo e a própria dignidade para a direita. É uma esquerda sem princípios, eleitoreira e oportunista. Que vive em outro mundo. Ataca o setor mais combativo e infiltra a direita nos atos. Se aparecesse Adolf Hitler no ato pelo Fora Bolsonaro, ele seria bem recebido por essa esquerda, que atacaria os que recebessem Hitler de forma hostil em nome da famigerada “unidade” contra Bolsonaro.

Concordo com Rovai quando diz que o PCO não faz cócegas na direita. O PCO organiza a vanguarda popular e operária para derrubar o governo Bolsonaro, denuncia a direita diariamente em sua imprensa, luta pela revolução e chama o povo a reagir à violência do Estado controlado pela direita. Se preciso, os militantes do PCO saem na mão e chutam a direita no meio das pernas. Às vezes, esses chutes acabam resvalando na esquerda que se agarra nos testículos do PSDB. Esse deve ser o motivo de Rovai sentir as dores quando atacamos a direita. Quem sabe seja dessas cócegas que Rovai esteja falando. E dessas cócegas a direita gosta.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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