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Órgão dos trabalhadores

A Classe Operária, o 1° jornal operário partidário do Brasil (II)

Série de matérias do DCO traz o nascimento do principal instrumento de agitação e propaganda do proletariado, o seu jornal

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Edição de 25 de agosto de 1928 do jornal A Classe Operária – Foto: Reprodução

Retomando a série de artigos sobre a imprensa operária, como forma de propagandear a reformulação do DCO e de incentivar todos os companheiros a colaborarem com o nosso jornal, reproduziremos a seguir a segunda parte da matéria sobre o jornal A Classe Operária, primeiro periódico partidário dos trabalhadores brasileiros.

O órgão central do antigo PCB, fundado em 1925, foi dirigido em seus primeiros anos pelo militante Octavio Brandão. Em seu livro autobiográfico “Combates e Batalhas”, ele narra os passos iniciais da construção de uma imprensa operária e partidária no País. Reproduzimos aqui mais um trecho do livro que aborda o jornal. Leia a primeira parte aqui.

“A Classe Operária”

(in Brandão, Octavio. Combates e Batalhas – Memórias – Volume 1. Alfa Omega, 1978)

Tudo isto teve muita repercussão.

A fim de sustentar o jornal, grupos de operários decidiram dar-lhe um dia de trabalho mensal. Assim fizeram os trabalhadores da padaria e confeitaria Boa Vista, no Rio de Janeiro. O sindicato União dos Empregados em Padarias do Rio resolveu auxiliar o jornal com 50 mil réis mensais. A Aliança dos Operários Metalúrgicos de Niterói aclamou A Classe Operária como órgão oficial e aprovou um auxílio de 10 por cento das mensalidades.

Os trabalhadores tomaram iniciativas. Realizaram um ato no cinema Tali, em Porto Alegre, que produziu uma receita de 619 mil réis e um saldo de 90 mil réis para o jornal.

Numa das manhãs de abril de 1925, chamei o jovem Abelardo Guedes Nogueira, amigo sincero, camarada devotado, filho de Alagoas. Fomos à fábrica de tecidos Aurora, no bairro de Real Grandeza. Chegamos cedo demais. Dirigimo-nos ao cemitério vizinho, de São João Batista. Detivemo-nos diante de um túmulo. Lemos a inscrição: – Euclides da Cunha, Evoquei a memória de Euclides nesse momento solene.

Voltamos à fábrica Aurora. Era a hora do almoço. Ao lado de Abelardo e do operário Júlio Kengen, numa elevação do terreno, à sombra de uma paineira em flor, realizei o primeiro comício em prol do jornal. Falei aos operários e às operárias sobre a significação, a importância e as tarefas de A Classe Operária. Fiz um apelo para que os trabalhadores a auxiliassem financeiramente. Em resposta, a totalidade dos operários e operárias da fábrica, no meio de grande entusiasmo, sob a liderança de Júlio Kengen, assinou quantias diversas na lista de subscrição. Esta atitude unânime teve grande significação política e moral. Foi amplamente divulgada pelos propagandistas.

O operário tecelão Sebastião Ojeda foi anarquista. Rompeu comigo todas as relações, quando aderi ao PCB, em 1922. Mas em 1925, tornou-se entusiasta do jornal. Reconciliou-se comigo. Foi incluído no Quadro de Honra de A Classe Operária, como grande propagandista. O padeiro José Maria de Carvalho, também.

Constava na época que as maiores fábricas de tecidos do Rio de Janeiro eram as seguintes: Cotonifício Gávea, com 700 operários; Botafogo, 1.000; Sapopemba (linho), 1.000; Moinho Inglês 1.100; Corcovado, na Gávea, 1.600; Maviles, 1.600; Carioca, na Gávea, 1.800; Confiança, em Vila Isabel, 1.900; Aliança, nas Laranjeiras, 2.000; Cruzeiro, 2.800; Progresso Industrial, em Bangu, 3.000.

A Classe Operária foi penetrando, pouco a pouco, em todas elas. Penetrou também em outras fábricas de tecidos: Minerva, Covilhã, Bom Pastor e Manchester.

A Gávea recebia 120 exemplares. Juiz de Fora, 100. A cidade de São Paulo, 500.

No Rio de Janeiro, o jornal era divulgado nas fábricas de tecidos, nas empresas do bairro de Real Grandeza, no Cais do Porto, entre os gráficos e marceneiros, marítimos e ferroviários, motoristas e trabalhadores da Light, nos sindicatos e bairros operários. Cada exemplar era lido por muitos trabalhadores. Passava de mão em mão, até ficar completamente roto, ilegível.

Os operários que não podiam pagar, recebiam-no de graça.

Representantes do jornal tomavam a palavra e eram apoiados nas assembleias dos sindicatos como a Associação dos Carpinteiros Navais, a Associação dos Cocheiros e Carroceiros do Rio de Janeiro e a Liga Operária da Construção Civil de Niterói.

A Classe Operária exercia influência cada vez maior. Realizava um trabalho de educação e organização, agitação e propaganda. As células do PCB aumentavam. Os movimentos nas fábricas e oficinas vivificavam-se. Os sindicatos reforçavam-se. Os operários têxteis do Rio de Janeiro, os gráficos de São Paulo, os trabalhadores das fábricas de fumo de São Félix, Cachoeira e Muritiba, na Bahia, agitavam-se. Rebentavam greves parciais, apoiadas pelo jornal.

Os trabalhadores em geral e os operários em particular criaram Comitês de A Classe Operária nos locais de trabalho. Os primeiros Comitês foram os seguintes: nas oficinas da “Gazeta Teatral”; nas do jornal O Paiz; nas fábricas de tecidos Minerva e do Moinho Inglês; entre os operários das estradas de ferro Rio d’Ouro e Linha Auxiliar, no Rio de Janeiro; entre os operários de Niterói; em Maceió; no Recife.

Muitos Comitês de A Classe Operária transformaram-se depois, em células do PCB e grupos de organização de sindicatos.

O número de pacoteiros, assinantes e subscritores foi sempre em ascensão.

Quatro operários de São Paulo escreveram no nº 6: “Este é bem o jornal que nos faltava. Não calculam os companheiros que estão à frente de A Classe Operária a nossa imensa satisfação pelo aparecimento dum órgão nosso, tão bem feito, com linguagem tão clara e tão sincera, que fala tão valentemente a verdade em favor da nossa classe”.

A Classe Operária bateu-se pela unidade nacional brasileira e pela unidade do proletariado. Penetrou em todo o país: no seio dos operários do Rio de Janeiro e São Paulo; na Amazônia; no litoral e no interior do Nordeste; entre os trabalhadores das fábricas de fumo da Bahia; no Rio Grande do Sul; em Mato Grosso.

Na Bahia, em São Félix, Muritiba e zonas vizinhas, os operários Rufino Gonçalves e Amaro Pedro da Silva fizeram muita propaganda entre os trabalhadores.

O jornal orientou-se no sentido da aliança do proletariado com os camponeses. Começou a mergulhar entre os trabalhadores rurais. Publicou cartas e reportagens enviadas pelos camponeses de São Paulo. Publicou uma reportagem interessante, vinda de Manaus, sobre a vida dos seringueiros da Amazônia (nº 6). Foram surgindo Ligas Camponesas, que formulava as reivindicações específicas.

Em 1925-1929, a Liga Operária de Sertãozinho, Estado de São Paulo, recebeu a impulsão de A Classe Operária e, posteriormente, do Bloco Operário e Camponês. Dirigida pelo devotado camarada Teotônio de Souza Lima, penetrou em muitas fazendas de café. Organizou marchas de camponeses que vieram às cidades confraternizar com os operários, dirigidos pelo PCB. Eram fatos da maior significação política e totalmente novos na História do Brasil. Deste modo, Teotônio fez uma obra admirável de pioneiro.

Desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul, os trabalhadores passaram a escrever ao jornal. Suas cartas e denúncias políticas foram publicadas. Sobre esta base, surgiu toda uma rede de Correspondentes Operários e Camponeses. Seus materiais apareciam sistematicamente numa secção especial. Era a realização da linha de Lênin no Brasil.

Mais de 20 anos depois, a 16 de março de 1946, o jornal A Classe Operária, na vida legal, acentuou:

“E realmente, era de braços abertos que Octavio Brandão recebia as cartas dos operários, do Rio, de Campos, de São Paulo e Santos, de Muritiba e São Félix, de Juiz de Fora, de qualquer lugar de onde enviasse um trabalhador. Dedicava-lhes horas seguidas, com meticulosidade, revendo-as, tornando-as publicáveis. Eram os seus ‘500 redatores’ funcionando”.

Assim, pois, mais de 20 anos depois, a verdade foi reconhecida.

Além da secção dos Correspondentes Operários e Camponeses, o jornal publicava reportagens e artigos especiais a respeito do seguinte: as condições de trabalho nas fábricas e oficinas; assuntos políticos palpitantes; o movimento sindical; os acontecimentos internacionais; materiais de conteúdo literário; narrativas da vida dos trabalhadores; episódios da História do Brasil.

A diretiva de Lênin realizava-se no Brasil. O jornal era feito pelos próprios homens do povo. Assim, o nº 5 foi escrito por mais de 24 trabalhadores. Entre eles, 4 operários gráficos, 3 tecelões, 2 marítimos, 2 tintureiros, 3 empregados no comércio e 1 camponês.

O nº 6 foi escrito por 37 trabalhadores do Brasil. Entre eles, 5 gráficos, 4 alfaiates, 3 tecelões, 3 operários da construção civil, 2 marítimos, 2 metalúrgicos, 3 garçons, 2 operários em fábricas de fumo, 2 padeiros e 2 marceneiros – ver a prova no nº 7.

O nº 8 foi escrito por 36 trabalhadores. Entre eles 5 gráficos, 5 metalúrgicos, 2 marítimos, 2 tecelões, 2 operários da construção civil, 2 garçons, 2 alfaiates e 4 empregados no comércio – ver a prova no nº 9.

O jornal apareceu em pequeno formato no nº 1. Mas deu, logo, um salto no nº 2. Mudou totalmente de formato. Passou a ser composto e impresso nas oficinas excelentes de O Paiz, com o apoio caloroso de seus operários, especialmente dos bons camaradas Dalla Déa e José Alfredo dos Santos.

No Rio de Janeiro, o jornal aparecia nas bancas, legalmente. Aí chegou a vender 1.142 exemplares do nº 4, 1.420 do nº 9, 1.454 do nº10 e 1.734 do nº 12. Sempre em ascensão.

Mas a grande maioria dos exemplares era distribuída pelos pacoteiros diretamente nas empresas. Cada sábado, pela madrugada, eu ficava à porta das oficinas de O Paiz, à rua 7 de Setembro, esquina da Avenida Rio Branco. Chegavam dezenas de pacoteiros. Cada um recebia sua parte e levava-a diretamente às fábricas e oficinas.

Estabelecemos a emulação. Os que mais vendiam, recebiam prêmios em livros. Entre os premiados, destacaram-se os tecelões Júlio Kengen e Hermenegildo Figueira, e o padeiro José Maria de Carvalho.

Houve casos como o do tecelão João Borges Mendes. Era o pacoteiro do Moinho Inglês. Levava semanalmente 150 exemplares até o nº 12. Mas pediu 300 exemplares do nº 13.

A tiragem aumentou sempre: 5 mil exemplares do nº 1, 9.500 do nº 9, 10-11.000 dos números seguintes. São Paulo ia ser conquistado sistematicamente. O plano era tirar 20 mil exemplares. Tínhamos condições para cumpri-lo. Então, o governo, preocupado, com medo, fechou o jornal.

Com a tiragem inicial de 5 mil, cada exemplar custava 160 réis e era vendido por 100 réis. O déficit tinha de ser coberto pelos próprios trabalhadores. Com a tiragem posterior de 11 mil, cada exemplar custava apenas 100 réis. Mas com uma tiragem de 20 mil, cada exemplar custaria apenas 70 réis. Tudo isto foi explicado aos trabalhadores. Suscitou muito entusiasmo pelo plano.

Cada semana, era publicado o balancete, prestando contas minuciosas de toda a receita e despesa. Aumentavam os assinantes e as listas de subscrição. O déficit, coberto. O saldo, crescendo.

A batalha foi tensa e intensa. Fiz toda uma série de trabalhos de pioneiro, batedor, abridor de picadas.

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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