Por uma arte revolucionária
André Breton além de fundar o Surrealismo, o último e mais radical movimento artístico, foi militante comunista e trotskista, criador da concepção mais libertadora da arte.
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André Breton em seu estúdio na Rua Fontaine, em Paris na década de 1930. | Henri Cartier-Bresson
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André Breton em seu estúdio na Rua Fontaine, em Paris na década de 1930. | Henri Cartier-Bresson

André Breton (1896 -1966), foi um escritor francês, poeta e líder do Movimento Surrealista na literatura e na arte. A sua postura radical e revolucionária nas artes extrapola para a militância política. No auge da sua carreira torna-se um trotskista e junto com Diego Rivera e o próprio Trotski produz a ideia mais revolucionária e libertadora da arte, materializada no Manifesto por uma Arte Revolucionária e Independente, o Manifesto da FIARI de 1938. 

Breton nasceu em Tinchebray, Orne, França, no dia 19 de fevereiro de 1896. Chegou a cursar medicina e servir no centro neuropsiquiátrico de Nantes, em 1915.  Influenciado pelo escritor e desenhista francês, Jacques Vaché, enveredou-se no desprezo radical às convenções sociais e literárias.

Participou durante três anos do movimento Dadaísta, ao mesmo tempo em que se aprofundava no estudo do automatismo psíquico a partir das teorias de Jean-Martin Charcot, e na visão de Sigmund Freud sobre o inconsciente, o que veio a influenciar a sua estética surrealista.

Junto com os poetas Louis Aragon e Philippe Soupault, lançou a revista “Littérature”, precursora do movimento surrealista, em 1919. Ano em que publicou o seu primeiro livro “Mont-de-Pieté” (Montepio), uma coletânea de seus primeiros poemas. No ano seguinte publica o seu segundo livro, “Os Campos Magnéticos”, já com o predomínio da nova estética surrealista.

Em 1924 rompe com o dadaísta Tristan Tzara, acusando-o de conservadorismo, e escreve o texto fundamental do novo movimento “O Manifesto do Surrealismo”. Logo depois escreve também a revista “Revolução Surrealista”, onde reivindicava uma nova forma de pensar que abolia a ditadura exclusiva da lógica e da moral, e pregava a liberdade total da imaginação como base para a liberdade total do ser humano.

Manifesto surrealista, André Breton. Crédito: Pinterest

Breton lidera o Movimento Surrealista, que segundo ele pode ser sintetizado em torno de três ideias básicas: o amor, a liberdade e a poesia. Dessa forma, o surrealismo critica os valores estéticos e éticos tradicionais, proclamando a primazia dos componentes oníricos sobre os racionais.

Em 1927 ingressa no Partido Comunista, inspirado na ideia de “mudar de vida” de Rimbaud e de “transformar o mundo” de Marx, mas rompe com o partido em 1935. A influência das ideias marxistas o inspirou para publicar em 1930o segundo manifesto surrealista, que respondia à vontade de inserir o Surrealismo em uma coordenada política e revolucionária. Entre 1930 e 1933 edita “O Surrealismo a Serviço da Revolução”, ligando a atividade criadora e a luta política do Partido Comunista.

Em 1938, em uma missão cultural no México, conhece Trotski e junto com o pintor muralista mexicano Diego Rivera os três publicam o manifesto “Por Uma Arte Revolucionária Independente”. O manifesto originou o programa da “Federação Internacional da Arte Revolucionária Independente”, entendido como o grande e definitivo programa político revolucionário para a arte e para os artistas. Porém, o projeto de Trostki, Breton e Rivera foi brutalmente interrompido com a II Guerra e com o assassinato de Trostki pelo stalinismo. As ideias contidas no manifesto não só são atuais, como se mostram mais que necessárias diante da escalada da direita fascista ao poder: “O que queremos: a independência da arte – para a revolução; a revolução – para a liberação definitiva da arte”.

André Breton, Diego Rivera e Trotsky. Crédito: Reprodução

André Breton exila-se nos estados Unidos em 1941 e só retorna Paris em 1946. Onde continua militando e defendendo a revolução e o Surrealismo através de exposições, publicações e debates públicos, até a sua morte, no dia 28 de setembro de 1966.

 

Obras poéticas e críticas

Mont de piété (1919)

Clair de terre (1923)

Manifesto do surrealismo (1924)

O surrealismo e a pintura (1928-1965)

Nadja (1928-1963)

Segundo manifesto (1929)

Os vasos comunicantes (1932)

Point du jour (1934)

Perfume no ar (1936)

O amor louco (1937)

Manifesto FIARI (1938)

Martinica, Encantadora de Serpentes (1941-1943)

Prolegómenos a um terceiro manifesto ou não (1942)

Antologia de l’humour noir (1940)

Flagrante delito (1949)

Arcano 17 (1944)

Do surrealismo em suas obras vivas (1953)

A chave dos campos (1953)

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