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José Mojica Marins
Zé do Caixão, o mestre do terror nacional
Mesmo com toda a pressão do monopólio norte-americano contra o cinema nacional, Mojica nunca parou de prodizir
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José Mojica Marins
Zé do Caixão, o mestre do terror nacional
Mesmo com toda a pressão do monopólio norte-americano contra o cinema nacional, Mojica nunca parou de prodizir
Zé do Caixão.
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Zé do Caixão.

José Mojica Marins morreu, nessa quarta-feira, dia 19, aos 83 anos de idade, vítima de uma broncopneumonia. Ao mesmo tempo criador e a própria personificação de um dos mais emblemáticos personagens do cinema brasileiro, Zé do Caixão, Mojica começou a carreira no cinema muito cedo, aos 12 anos, quando ganhou uma câmera de seu pai, que trabalhava como gerente de cinema. Ainda aos 17 anos, o menino criou a Companhia Cinematográfica Atlas, na qual recrutava atores para seus filmes usando testes com insetos e outros animais.

Nascido em 13 de março de 1936, filhos de pais de origem espanhola que eram artistas de circo, Mojica fez todos os gêneros cinematográficos, mas foi com o terror que ganhou fama e se tornou um dos nomes mais conhecidos do cinema nacional.

Foi em 1964, em À Meia-Noite Levarei Sua Alma, que Mojica estreou seu personagem que acabou tornando não apenas um personagem em seus filmes mas para sua vida. Zé do Caixão foi criado após um pesadelo do cineasta e sua feição inspirada no clássico filme de 1922, Nosferatu, de F. W. Murnau.

Completam a trilogia iniciada por À Meia-Noite… os clássicos filmes Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Trilogia do Terror e O Despertar da Besta.

Zé do Caixão, cujo nome verdadeiro é Josefel Zanatas, é um coveiro descrente que procura obsessivamente a mulher perfeita para conceber o filho perfeito. No primeiro filme, ao perceber que sua mulher não engravida, o coveiro acaba violentando a mulher de seu melhor amigo. A vítima quer então se suicidar para voltar do mundo dos mortos e levar a alma de Zé do Caixão.

Apesar de sua importância para o cinema nacional e de ser considerado o pai do terror brasileiro, Mojica nunca conseguiu ganhar dinheiro com cinema, sempre considerado marginal e desagradando a crítica, em detrimento do enorme sucesso de público.

Foi necessário o reconhecimento no exterior para que seu trabalha começasse a ser reconhecido no País. Zé do Caixão ganhou nome próprio para os norte-americanos, Coffin Joe.

Seu filme de maior orçamento (R$1 milhão) foi seu último filme A Encarnação do Demônio, de 2008, que fecha a trilogia iniciada em À Meia-Noite... Apesar de ser a maior produção do diretor, o filme não consegue grande bilheteria.

Mojica pode ser considerado, além de um mestre do cinema de terror no Brasil, gênero ainda mais renegado do que outros, um precurssor do cinema marginal. Desde os anos 60, quando estreou seus primeiros filmes mais “profissionais”, Mojica nunca parou de produzir. São cerca de quatro décadas enfrentando o boicote do monopólio do cinema norte-americano, que impôs profundas dificuldades para o cinema nacional. Zé do Caixão foi um dos que resistiram e mantiveram de pé a produção nacional.