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Unidade Popular

Yaku Pérez eternizou-se no coração da esquerda pró-imperialista

Em novo texto do Jornal da esquerda pequeno burguesa A Verdade, reforça a politica de seguir a reboque dos golpes do imperialismo

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Yaku Pérez tem fortes ligações com o imperialismo – Foto: reprodução

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Os stalinistas do partido Unidade Popular (UP) publicaram recentemente em seu jornal A Verdade uma matéria reforçando sua posição de defesa da política imperialista para a América Latina.

No texto “Movimentos sociais se levantam contra fraude eleitoral no Equador”, tentam de todas as maneiras dar um ar esquerdista ou até progressista para apoiar uma manobra do imperialismo para acabar com os governos nacionalistas burgueses que se contrapõem à política de rapina de seus países.

A matéria exalta as manifestações de setores indígenas equatorianos, convocadas pelo candidato derrotado e apoiado pelo imperialismo (e pela própria direita do país), Yaku Pérez, para denunciar uma suposta fraude eleitoral que colocou o candidato representante do nacionalismo equatoriano e do ex-presidente Rafael Correa, Andrés Arauz contra o banqueiro e golpista Guilhermo Lasso.

Em determinado trecho diz que “No Equador, a luta popular foi capaz de construir uma alternativa viável de poder, verdadeiramente antiimperialista e capaz de apontar, ainda com vários limites, para a construção de uma alternativa à dominação capitalista”.

Citam um representante do Partido Comunista Marxista-leninista do Equador (PCMLE) onde tentam demonstrar que a direita golpista do Equador não possui nenhuma diferença com os governos nacionalistas do ex-presidente Rafael Correa: “O povo votou pela mudança para superar a fictícia contradição entre correistas e lassistas. Mesmo estando no segundo turno, o correísmo colheu os piores números de sua história eleitoral. O povo repudiou a prepotência e a corrupção. É evidente o pacto das elites. Correa, Nebot e Lasso querem manter a situação atual e a fraude é a terapia respiratória do sistema decadente que garante os interesses dos monopólios”.

UP toma posição em defesa do imperialismo

A matéria publicada pelo jornal A Verdade demonstra uma enorme confusão política da Unidade Popular. Em primeiro lugar não entendem que o chamado correísmo faz parte de um movimento de governos que podem ser classificados como nacionalistas burgueses devido a uma ampla mobilização das massas contra as políticas de governo capachos do imperialismo nos países da América Latina para impor uma política neoliberal, como por exemplo nos governos do PT no Brasil, de Hugo Chávez na Venezuela, de Evo Morales na Bolívia e de Fernando Lugo no Paraguai.

São governos ligados aos trabalhadores que estabelecem uma certa independência do imperialismo e estabelece uma série de política sociais para beneficiar a população, e em alguns casos podem até estabelecer características revolucionárias.

Como não são governos que respondem diretamente a política neoliberal, o imperialismo viu a necessidade de derrubá-los custe o que custar. Para isso iniciaram uma ampla campanha moralista para desmoralizar o governo de Rafael Correa e os sucessores da mesma política através da utilização de ferramentas como a “corrupção”, que não passam na verdade de propaganda enganosa para colocar os piores elementos no poder que respondem aos interesses do imperialismo.

Os argumentos utilizados pela UP para atacar o correísmo no Equador são exatamente os mesmos propagandeados pelo imperialismo, e que vimos no Brasil e que agora veio à tona com a farsa com a divulgação de conversas dos procuradores da Lava Jato.

Outro ponto a se destacar no texto publicado pela UP é que o correísmo é igual à direita golpista, ou como disseram no texto “a fictícia contradição entre correistas e lassistas”. Em primeiro lugar se fossem governos que defendem a mesma política e não possuem contradições, porque a direita iria dar um golpe em Rafael Correa com mandato fraudulento de prisão, prender pessoas ligadas a Correa e ‘comprar’ o atual presidente Lenin Moreno, que foi eleito como sucessor da política de Rafael Correa, mas que acabou por ser uma peça importante no golpe? Não faz nenhum sentido essa afirmação.

Na verdade, a política do é tudo igual serve de fachada para apoiar golpes da direita pró imperialista. Justifica, de maneira bem esquerdista, colocar em marcha uma política que se coloca a reboque da direita e do imperialismo e da extrema direita, travestida de “vontade do povo” que não passa de pura propaganda, como as manifestações coxinhas que ocorreram no Brasil para o golpe em 2016.

A farsa da ‘terceira’ via

Diante dessa enorme confusão política, a Unidade Popular apresenta o candidato indígena e ‘ecossocialista’ Yaku Pérez como uma liderança para a “construção de um campo da esquerda revolucionária” e não há nada mais falso. A ‘terceira’ via apresentada pela UP através de Yaku Pérez esconde que a candidatura do indígena faz parte, na verdade, de uma manobra do imperialismo para enfraquecer o correísmo nas eleições.

Na verdade Yaku Pérez não é terceira via e muito menos de uma via independente e revolucionária. Pérez faz parte de uma jogada do imperialismo para em primeiro lugar retirar votos do candidato Andrés Arauz, ligado a Rafael Correa, criando uma alternativa ‘indígena’, ‘ecológica’ e ‘esquerdista’. Uma tentativa de atacar o correísmo pela ‘esquerda’.

O candidato derrotado acima faz parte da mesma política golpista, pró-imperialista e neoliberal do banqueiro Guilhermo Lasso, tanto é assim que é um dos principais responsáveis pelo retrocesso dos protestos indígenas contra o atual presidente golpista Lenín Moreno, organizou manifestações organizadas pelo imperialismo que quase derrubaram Rafael Correa em 2010 e em suas declarações é um apoiador dos golpes contra governos nacionalistas da América Latina. Ou seja, não tem nada de terceira via ou nada de esquerda, é apenas uma enganação, um farsante a serviço do imperialismo.

A insistência dos stalinistas da UP em defender um candidato do imperialismo demonstra que fazem política através da propaganda do imperialismo. São análises superficiais e baseadas em aspectos morais como corrupção ou identitarismo que não possui nenhuma ligação com a realidade.

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