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Caso Ágatha
Witzel é Bolsonaro
Sob o pretexto do combate aos “bandidos”, Bolsonaro e Witzel levam adiante uma política de terror contra a população pobre e trabalhadora
witzel bolsonaro
Caso Ágatha
Witzel é Bolsonaro
Sob o pretexto do combate aos “bandidos”, Bolsonaro e Witzel levam adiante uma política de terror contra a população pobre e trabalhadora
A cara de um, a política do outro. Foto: Marcos Corrêa
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A cara de um, a política do outro. Foto: Marcos Corrêa

Na última sexta-feira (20) uma menina de 8 anos foi assassinada no Rio de Janeiro com um tiro de fuzil durante uma operação policial no Complexo do Alemão. Ágatha Félix foi atingida quando entrava em um Kombi, ao lado da mãe. A polícia afirma que teria havido uma troca de tiros, o que as testemunhas do caso negam. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, não se pronunciou sobre o caso até segunda-feira (23). Quando finalmente abandonou o silêncio, foi para reafirmar seu apoio incondicional à polícia e culpar os traficantes, que “atiram nos policiais” e “atiram nas pessoas”.

O assassinato de Ágatha provocou protestos na cidade, inclusive durante o enterro da menina, no domingo. Da parte do governo, mortes como essa são resultado de uma política deliberada de massacre da população. Antes mesmo de assumir, em novembro do ano passado, Witzel declarou que “a polícia vai mirar na cabecinha e… fogo!”, durante uma entrevista a O Estado de São Paulo, em que afirmava que os policiais que matassem quem estivesse portando fuzis não seriam punidos. Era já uma senha para encorajar os policiais a atirarem a esmo nas favelas da capital carioca. Um encorajamento para as ações policiais para aterrorizar a população pobre.

Depois disso Witzel continuou com suas ações de propaganda fascista, como na recente comemoração do assassinato de Willian Augusto da Silva, que sequestrou um ônibus na Ponte Rio Niterói no mês passado. Ou, ainda, quando subiu em um helicóptero em maio em que foram disparados tiros para baixo na população em uma comunidade em Angra dos Reis. Operações semelhantes, com helicópteros atirando pra baixo, continuaram acontecendo no estado.

A política de massacre da população e terror contra os pobres, no entanto, não ficou apenas em propaganda e palavras. Rapidamente o governo do estado sob Witzel mostrou em números o que significava sua política de terror. Só no primeiro trimestre, a polícia de Witzel matou 434 pessoas. Maior número de mortos pela polícia em um único trimestre desde que as estatísticas começaram ser registradas, em 1998.

Bolsonarismo

Essa política de Witzel é a mesma de Jair Bolsonaro, que se notabilizou nacionalmente dizendo coisas como “bandido bom é bandido morto” na TV, enquanto tinha uma atuação praticamente nula na Câmara dos Deputados. Witzel não era conhecido por ninguém quando de repente apareceu com quase metade dos votos para participar do segundo turno das eleições. Sua propaganda era de extrema-direita e o então candidato tinha apoio das redes bolsonaristas. Acabou eleito no mesmo processo fraudulento que colocou Bolsonaro no governo federal.

Na esfera federal, o ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro, que condenou Lula sem provas quando juiz, quer incluir em seu “pacote anti-crime” o chamado “excludente de ilicitude”, que permitiria que policiais não fossem condenados por assassinatos caso estivesse agindo sob “medo” ou “forte emoção”. O juiz poderá, nesses casos, condenar o policial, mas o policial homicida não teria que cumprir pena. Na prática, é uma licença para matar, formalizada em lei. A mesma política do bolsonarista Witzel.

Fora Witzel! Fora Bolsonaro!

Tanto no caso de Bolsonaro como no caso de Witzel, o “bandido” é o pretexto para levar adiante uma política de terror contra a população pobre e trabalhadora em geral. Seus mandatos acabaram de começar, e se os trabalhadores esperarem até 2022 corre-se um grande de risco de muito mais vidas se perderem sob o fogo indiscriminado das forças de repressão do Estado. É preciso mobilizar imediatamente em torno da exigência do fim desses governos assassinos. Fora Witzel! Fora Bolsonaro!