Siga o DCO nas redes sociais

Direita petista
Wellington Dias quer “atualizar” programa do PT deslocando-o à direita
Governadores nordestinos do PT, com especial destaque para o piauiense Wellington Dias, se inclinam cada vez mais para a direita, defendendo abertamente a política bolsonarista
IMG_1499
Direita petista
Wellington Dias quer “atualizar” programa do PT deslocando-o à direita
Governadores nordestinos do PT, com especial destaque para o piauiense Wellington Dias, se inclinam cada vez mais para a direita, defendendo abertamente a política bolsonarista
“Foto – Reprodução” – Wellington Dias, governador petista do Piauí
IMG_1499
“Foto – Reprodução” – Wellington Dias, governador petista do Piauí

O bolsonarismo parece mesmo ter se apropriado dos corações e mentes dos governadores de “esquerda” do País, em particular aqueles que foram eleitos pela legenda do Partido dos Trabalhadores. Rui Costa (BA), Camilo Santana (CE) e Wellington Dias (PI) estão se convertendo, nos Estados que governam, em apêndice das políticas direitistas e de terra arrasada do ministro “Chicago Boy”, o neoliberal Paulo Guedes, homem de confiança dos banqueiros e especuladores, que vem promovendo no País a maior obra de destruição, com ataques à economia nacional, liquidação de direitos e conquistas dos trabalhadores e da população pobre, privatização de estatais, desnacionalização e entrega das riquezas e do patrimônio público ao grande capital internacional.

Não se pode dizer que se trata exatamente de uma guinada direitista a política que vem norteando a atuação dos governadores, mas um aprofundamento do que já vinha sendo executado pelos petistas, que desde quando foram empossados já demonstravam uma disposição em levar adiante, nos seus respectivos Estados, as reformas e as políticas contrárias aos interesses da população, sintetizadas, ao longo de todo o primeiro ano de mandato, na ofensiva desencadeada pelo governo fraudulento do presidente fascista Jair Bolsonaro e do ministro da Economia Paulo Guedes.

Um dos expoentes desta política vem sendo o governador piauiense Wellington Dias, que não tem medido esforços para se apresentar como o mais direitista dos governadores da “esquerda” nordestina. Para se ter uma ideia do grau de sintonia do governador do Piauí com a politica do governo federal (bolsonarista), Wellington Dias declarou, em entrevista ao direitista e reacionário jornal “O Estado de São Paulo” que o “PT precisa ‘atualizar o projeto’, uma vez que as principais demandas da sociedade já não são mais as mesmas de 30 anos atrás” (sítio Cidadeverde.com, 12/01). Indo um pouco mais adiante na ousadia direitista, acrescentou dizendo que “a pauta da fome ainda existe, por exemplo, mas não é mais com a mesma demanda que tinha lá atrás” (idem, 12/01). Perguntamos: O que isso quer dizer exatamente? O que significa dizer que a demanda da fome não é a mesma ou não pode ser encarada como a mesma demanda de anos atrás? Numa coisa devemos concordar com o governador de um dos Estados mais pobres da federação: a fome, a miséria e a pobreza que atingiam centenas de milhares de famílias brasileiras “lá atrás”, certamente não é mais a mesma e nem a sua “demanda”, pois não só aumentou exponencialmente o número de famélicos, como o que se vê hoje País afora é uma verdadeira legião de miseráveis perambulando pelas grandes cidades de todas as regiões do território nacional, obrigando todos a testemunhar um cenário de horror, desgraça e calamidade social nunca antes visto no País.

A intimidade do governador com o bolsonarismo e a política de ataques contra a população pobre e explorada se expressa em múltiplas facetas. Uma delas está configurada na aprovação da reforma da previdência no Piauí, um dos cinco Estados do Nordeste que já disseram “amém” à emenda proposta pela dupla Bolsonaro/Guedes, o maior ataque do governo contra uma das mais importantes e antigas conquistas sociais da população, o sistema de previdência pública do País. Isso não pode ser chamado por outro nome, é bolsonarismo puro, na veia.

Buscando elementos para justificar a defesa da sua política de aproximação e alinhamento com a direita, o governador piauiense disse ainda que “o que nos levou a vencer eleições como a de 2002 foi justamente a abertura ao diálogo com os diferentes. Muitos estranharam quando Lula colocou a possibilidade de ter José Alencar na sua chapa. Ali formou-se uma chapa com um líder muito legitimado pela classe trabalhadora e outro, pela classe empresarial” (idem, 12/01). Nesta declaração fica explícita a defesa da política de conciliação de classes, de colaboração entre o PT e os algozes dos trabalhadores e da massas populares.

Dias declarou ainda não ver problemas no diálogo do governador maranhense, Flávio Dino (PCdoB), com o apresentador global Luciano Huck, achando inclusive “natural” o encontro dos dois, donde se conclui que, para Wellington Dias, quanto mais direitista, quanto maior a aproximação com a direita e a extrema direita, tanto melhor, esta é a conclusão óbvia a que se pode chegar.