Vox: Viúvas de Franco ascendem com crise da direita espanhola

VOX-Palacio_Vistalegre-Santiago_Abascal-Politica_343728205_100494719_1706x960

A extrema-direita fascista cresce exponencialmente no continente europeu. A dissolução do regime capitalista está abrindo, mais uma vez, as portas para os partidos e movimentos fascistas, que fazem parte das cartadas dos setores em crise da burguesia para oprimir a classe operária e dar uma solução mais objetiva e dura para os problemas causados pela acentuação da crise do capital financeiro internacional.

Em todos os principais países imperialistas, a sociedade está tendo de lidar com a ascensão de movimentos fascistas. Tirando a Inglaterra, onde a classe operária está começando a se levantar em torno de uma política própria, representada por Jeremy Corbyn; na Alemanha, os movimentos nazistas estão voltando para o cenário, e setores mais reacionários tem uma profunda influência no governo da chanceler Angela Merkel; na Itália, a extrema-direita já controla o governo; na França, a Frente Nacional, formada por dissidentes das forças armadas francesas derrotadas na guerra contra a Argélia, já se apresenta como alternativa à política do principal setor do imperialismo.

Em Portugal e na Espanha, existe uma diferença com o resto do regime europeu. Nestes dois países, os governos da situação já são profundamente direitistas, e se assemelham ao resto da extrema-direita europeia. O Partido Popular, que governou até julho deste ano por Mariano Rajoy, até cederem o governo para os sociais-democratas, é uma dissidência do principal partido da ditadura franquista, que impôs uma ditadura fascista durante 40 anos, torturando, assassinando e empobrecendo a população.

Entretanto, por ser um partido do atual acordo entre os países imperialistas da Europa, que integram a União Européia,  se encontra em uma profunda crise, cedendo espaço para setores ainda mais direitistas oriundos do franquismo. A crise da burguesia espanhola ficou expressa nas grandes manifestações pela independência catalã, que deixou o Partido Popular imerso em uma profunda crise, que já vinha se arrastando há muito tempo.

Nestas condições, junto ao desemprego e crescente pobreza na sociedade espanhola, no final de 2013, dissidentes do PP fundaram um novo partido, o VOX, um partido que diz representar uma alternativa à direita para os desiludidos com a política do PP.

Recentemente, em um comício no Palácio Vistalegre, em Madri, o partido conseguiu reunir 9 mil militantes e simpatizantes, o que já começou a preocupar o principal setor da burguesia imperialista espanhola, que vê seu poder ameaçado pelo crescimento deste partido, que consegue ser ainda mais fascista que o próprio Partido Popular.

Trata-se de um partido típico da extrema-direita europeia. Contra o aborto, contra os imigrantes, exigindo alguém que “preste” para a Espanha, país com o qual eles fazem um ufanismo tipicamente dos fascistas nos países imperialistas. Sem deixar de lado às apologias ao hitler espanhol, Francisco Franco.

Isso tudo é resultado da profunda crise que se encontra o regime imperialista europeu que está se esfarelando. Também, é preciso dizer que este grande crescimento da extrema-direita na Europa ocorre por conta de uma total falta de reação da esquerda do “velho continente”, que caiu no discurso democrático da burguesia, que no final de contas só faz sustentar o próprio fascismo, pois ao invés de contrapor à ditadura fascista a ditadura do proletariado (a força dos trabalhadores contra a burguesia), procura apresentar o diálogo como melhor forma de combater os fascistas. Ou seja, seria um problema apenas de opinião, e não de luta política entre classes inconciliáveis.