Espanha
Fascista do VOX sugere que partidos de esquerda e partidos independentistas que apoiem manifestações sejam submetidos a lei antidemocrática de 2002

Por: Redação do Diário Causa Operária

Enquanto a população sai às ruas na Espanha contra a prisão do rapper e ativista político independentista Pablo Hasél, que foi preso por ter cometido injúrias à monarquia por meio de sua conta no Twitter, o líder do partido político de extrema direita Vox na Catalunha, Ignacio Garriga, pediu para que os manifestantes chamados de “antifascistas” sejam catalogados como terroristas.

Garriga também sugeriu que os partidos independentistas e de esquerda estão apoiando as manifestações e, por conta disso, deveriam ser submetidos a uma lei conhecida na Espanha como “Lei de Partidos Políticos”.

A dita lei foi aprovada em 2002, em um período no qual a direita espanhola aproveitou a histeria coletiva do “combate ao terrorismo” que levou ao cerceamento de diversas liberdades individuais em todo o planeta, assim como à invasão de Afeganistão e Iraque por parte dos países imperialistas e também o chamado “ato patriótico” nos EUA.

Basicamente, a lei, que contou com o auxílio do PSOE para ser aprovada, estabelecia uma série de normas a serem cumpridas por parte dos partidos políticos para que estes pudessem existir, ou, ainda, para que novos partidos pudessem surgir. Na realidade, a lei visava acabar com as organizações políticas que se alinhavam ao grupo separatista do País Basco ETA e, assim, tentar acabar com o movimento separatista na região.

Por conta da lei aprovada em 2002, os seguintes partidos e organizações políticas foram colocados na ilegalidade: Herritarren Zerrenda, Autodeterminaziorako Bilgunea, Abertzale Sozialisten Batasuna, Aukera Guztiak, Demokrazia Hiru Milloi, Askatasuna, Herri Batasuna, Euskal Herritarrok, Batasuna, Acción Nacionalista Vasca, Partido Comunista de las Tierras Vascas, Sozialista Abertzaleak, Nafarroako Sozialista Abertzaleak e, por fim, o Partido Comunista de España (reconstituído). Além disso, a lei impediu a participação de pessoas ligadas aos partidos, mesmo que em níveis pequenos, em eleições europeias.

Agora, a proposta do VOX é a de que a mesma repressão que os bascos enfrentaram seja aplicada também aos catalães, sendo que há o agravante de que nem mesmo é preciso que uma lei seja aprovada para isso, pois ela já existe.

Toda essa situação demonstra o quão perigoso é apoiar as arbitrariedades do regime político contra quem quer que seja, pois, no fim, é a esquerda e a população quem acaba sofrendo com o esmagamento do estado.

Na época em que a lei foi aprovada, a situação política era de completa histeria política contra os chamados “grupos terroristas”, o que levou uma parcela da esquerda a apoiar as medidas contra esses grupos. No caso da Espanha, como já foi dito, o próprio Partido Socialista Operária Espanhol (PSOE), maior partido da esquerda, apoiou a medida.

Sendo assim, posicionamentos recentes da esquerda pequeno-burguesa no Brasil, que apoiou entusiasticamente o direitista Biden para que ele “restituísse a democracia nas instituições dos EUA” após o governo de Donald Trump, que se colocou a favor do estado dos EUA e dos monopólios da informação deste país contra as mobilizações da direita no episódio do Capitólio e que, mais recentemente, apoiou as arbitrariedades do STF contra o direitista Daniel Silveira (PSL) sob a desculpa de que isso seria a única coisa possível de se fazer para combater o fascismo, são posicionamentos que na realidade só fortaleceram a própria direita, o que permite que o estado se fortaleça contra a população.

A única saída para que a população tenha seus direitos democráticos respeitados, é a luta nas ruas para que isso aconteça. Diferente da ideia corrente hoje em dia, na qual a democracia aparece quase como que uma entidade demiúrgica e é erroneamente caracterizada como sendo o funcionamento perfeito das instituições, a realidade mostra que a única democracia verdadeira é aquela em que a população goza de todas suas liberdades individuais e controla totalmente as instituições, ao invés de ser controlada por elas.

VOX

O VOX chegou ao parlamento da Catalunha nas últimas eleições ocorridas na região, no dia 14 de fevereiro. A partir de então o partido passou a ter 11 membros dentro do parlamento, sendo seu líder regional o fascista Ignacio Garriga, conhecido como “El Negro de Vox”, justamente por defender a política exatamente oposta aos interesses da população negra e de todos os oprimidos para a Espanha.

Send this to a friend